sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A Igreja Católica Apostólica Judaica

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Se fosse necessário dar um nome para a Igreja instituída por Jesus no primeiro século, esse nome deveria ser "Igreja Católica Apostólica Judaica" e não romana. Os primeiros cristãos eram judeus e continuaram se sentindo judeus após a ascensão de Cristo aos céus. Jesus não representava, para eles, o fundador de uma nova religião, mas o Messias Judaico. Assim, era natural continuar indo à sinagoga aos sábados, lendo as Escrituras Judaicas e cumprindo seus mandamentos. Também os gentios não enxergavam esses primeiros cristãos como membros de uma nova religião, mas como judeus comuns, frequentadores de sinagogas e guardadores do sábado. 

O evangelista Lucas, autor do livro bíblico Atos dos Apóstolos, menciona a ida de cristãos à sinagogas judaicas de pelo menos nove cidades pagãs: Damasco (At 9:2), Salamina (At 13:5), Antioquia (At 13:14), Icônio (At 14:1), Tessalonica (At 17:1-4), Bereia (At 17:10), Atenas (At 17:16-17), Corinto (At 18:1-4) e Éfeso (At 18:19). O historiador também cita o costume de Paulo e seus companheiros de dedicarem o sábado a Deus nas sinagogas (At 13:16, 13:42-22, 17:1-3 e 18:1-4). O apóstolo Paulo, aliás, quando trabalhou confeccionando tendas em Corinto, disponibilizava justamente o sábado para pregar o evangelho o dia inteiro. E mesmo após se irritar com judeus incrédulos e dizer que a partir dali focaria nos gentios (At 18:6), ele torna a pregar em sinagogas, na cidade de Éfeso, permanecendo ali por dois anos e convertendo tanto judeus naturais quanto gregos que iam à sinagoga (At 18:18-19 e 19:8-10). 

Ainda sobre Paulo, suas defesas contra acusações de judeus incrédulos também denotam uma forte sintonia com os hábitos judaicos. Ele reafirma seu judaísmo étnico e suas raízes religiosas judaicas (At 22:3); considera-se fariseu (At 23:6); afirma estar sendo julgado apenas por crer na mesma coisa que criam seus acusadores: a ressurreição dos mortos (At 23:6);  ressalta que acredita em tudo o que está na lei e nos profetas, incluindo a ressurreição - tal como os fariseus que o acusavam (At 24:14-15); deixa claro que foi pego por seus oponentes sem estar transgredindo a lei, desempenhando ainda uma prática judaica (At 24:17-19) e torna a dizer que está sendo julgado apenas por crer na ressurreição (At 24:20-21). 

Em Atos 25:7, vários judeus incrédulos rodeiam o apóstolo e o acusam, perante o governante romano Festo, de várias transgressões que não podiam provar. Paulo responde, no verso 8: "Nenhum pecado cometi contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra Cesar". Continua nos versos 10 e 11: "Estou perante o tribunal de César, onde convém seja eu julgado; nenhum agravo pratiquei contra os judeus, como tu bens sabes. Caso, pois, tenha eu praticado algum mal ou crime digno de morte, estou pronto para morrer; se, pelo contrário, não são verdadeiras as coisas de que me acusam, ninguém, para lhes ser agradável, pode entregar-me a eles". 

Fica claro que Paulo tinha a convicção sincera de não estar transgredindo ponto algum do judaísmo. Sua visão, como a dos demais cristãos, não era a de um rompimento com a religião judaica e a aceitação de uma nova religião. Era, sim, da manutenção de uma mesma religião, mas agora com a revelação plena do Messias. Podemos ver esse mesmo senso de pertencimento à religião judaica no apóstolo Pedro. Em Atos 10, quando Pedro tem a visão dos animais imundos e Deus lhe ordena que se alimente deles, responde: "De modo nenhum, Senhor! Porque jamais comi coisa alguma comum ou imunda" (At 10:14). A visão era uma parábola, conforme a continuação do capítulo 10 e o capítulo 11 demonstram. Os animais imundos simbolizavam os gentios e a instrução da parábola era que os judeus deveriam pregar o evangelho a estes, sem distinção. Para os propósitos deste post, contudo, o que importa é enfatizar que Pedro continuava guardando a dieta alimentar judaica. 

O apóstolo João também dá indícios de que ainda se sentia um judeu (ou que Jesus queria que ele se sentisse assim). Em Apocalipse 2:9 e 3:9, descrevendo as palavras que recebeu de Jesus, utiliza os termos "Sinagoga de Satanás" e "judeus que a si mesmo se declaram judeus e não são" para criticar uma classe de desobedientes. O Apocalipse, aliás, está repleto de termos e conceitos judaicos advindos dos livros proféticos do Antigo Testamento. Parece haver não só uma visão do judaísmo como a religião dos primeiros cristãos como um cuidado, sobretudo nesses dois textos, de mostrar aos cristãos que eles não deveriam perder suas raízes judaicas. Não nos referimos, claro, aos erros, preconceitos e tradições humanas que se infiltraram no judaísmo, mas sim daquilo que compunha, de fato, o conjunto de princípios dados por Deus ao povo judeu. Embora Deus já não tivesse um povo no sentido étnico, com uma pátria, uma língua e um governo teocrático, o judaísmo como religião permanecia. 

O apóstolo Tiago, irmão de Jesus, também demonstrava manter fortes laços com o judaísmo. Quando Paulo foi até Jerusalém, após alguns anos de missão, ouviu dele e dos presbíteros da Igreja de lá: "Bem vês, irmão, quantas dezenas de milhares de judeus que creram, e todos são zelosos da lei" (At 21:20). É evidente, como a própria continuação desse texto indica, que entre os judeus crentes em Cristo havia muitos judaizantes. Estes não entendiam que, conquanto a religião permanecesse a mesma, alguns preceitos ritualísticos haviam deixado de vigorar, por previsão da própria lei judaica, em função do sacrifício de Cristo. Isto não era uma quebra da lei ou uma abolição do judaísmo, mas apenas o cumprimento de uma previsão que estava de acordo com a Lei e os Profetas. Era por isso que Paulo se sentia confortável em dizer que não transgredia qualquer lei judaica e permanecia judeu. Era verdade, não mera estratégia mentirosa para se livrar de condenações. 

O problema é que os judaizantes não entendiam assim. Para eles, Paulo ensinava a transgressão da lei (At 21:21) e o boato acabava sendo comprado por grande parte da Igreja de Jerusalém, além dos judeus incrédulos.

O próprio Tiago, no entanto, não era um judaizante. No primeiro grande concílio da Igreja Cristã, em Jerusalém, apóstolos, presbíteros e alguns nomes importantes entre os primeiros cristãos se reuniram para discutir se a circuncisão deveria ser requerida dos gentios para a salvação. Aparentemente, Jesus não havia deixado qualquer observação quanto a isso e grande controvérsia estava ocorrendo entre os partidários da circuncisão para salvação e os adeptos da incircuncisão (At 15). Houve um grande debate nesse concílio, mas ao fim dos testemunhos de Pedro, Paulo e Barnabé à favor da não necessidade de circuncisão, Tiago, como líder da Igreja em Jerusalém, tomou a palavra final e também votou pela desobrigação do rito aos gentios conversos (At 15:13-21). Mas, apesar de não judaizante, Tiago permaneceu judeu. São dele as contundentes palavras:

"Se vós, contudo, observai a lei régia segundo a Escritura: 'Amarás o teu próximo como a ti mesmo', fazeis bem; se, todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo arguidos pela lei como transgressores. Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos. Porquanto, aquele que disse: 'Não adulterarás' também ordenou: 'Não matarás'. Ora, se não adulteras, porém matas, vens a ser transgressor da lei. Falai de tal maneira e de tal maneira procedei como aqueles que hão de ser julgados pela lei da liberdade" (Tg 2:8-12).

Essa relação positiva com o decálogo era comum a todos os primeiros cristãos. Paulo, por exemplo, cria claramente na vigência do decálogo (Rm 13:9, Ef 6:2, I Co 7:18-19 e Rm 2:17-29) e asseverava que quem se mantinha na transgressão dos mandamentos morais de Deus, que são derivados do decálogo, não entraria no Reino de Deus (I Co 6:9-10 e Gl 5:19-21). Embora seu ensino fosse de que os mandamentos não salvam, nem purificam, apenas demonstram nossos erros, ele não deixa de afirmar que a lei não é pecado (Rm 7:7), que ela é santa e que seus mandamentos (tal como o de “não cobiçar”) são santos, justos e bons (Rm 7:12). Ele também faz questão de dizer que a lei é espiritual e que o ser humano é que é carnal (Rm 7:14). Ele diz ainda que a lei é boa (Rm 7:16) e que, embora ele não consiga seguir a lei com sua própria força (pois é pecador), ele tem prazer nela (Rm 7:22). O único problema da lei, segundo o apóstolo Paulo, é que ela não tem como fazer o pecador segui-la. Mas Paulo ensina que esse problema é resolvido por Jesus Cristo.

João, por sua vez, enfatizou muito a observância dos mandamentos em seus escritos (I Jo 2:3-6, 3:22-24 e 5:2-3; II Jo 1:5-6; Ap 12:17 e 14:12). É verdade que João costuma a usar a fórmula resumida do decálogo, que foi ensinada por Jesus (Mt 22:36-40 e Mc 12:28-34). Mas essa fórmula de Jesus, longe de anular o decálogo, apenas demonstra que o mesmo possui dois mandamentos principais da Torá que lhe servem de base. Assim, um judeu que observe os dois, automaticamente observará todo o decálogo e mais todas os mandamentos morais que se desdobram a partir do decálogo, desde não assassinar até não odiar.

Interessante é que a descrição feita pelo evangelista Marcos nos traz uma prévia do que os autores do Novo Testamento discutiriam sobre a lei décadas mais tarde. Após Jesus responder quais eram os dois mandamentos-base de todo o conjunto de leis da Torá, o escriba que o interpelou disse: “Muito bem, Mestre. Com verdade disseste que ele é um, e fora dele não há outro; e que amá-lo de todo o coração, de todo o entendimento e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios” (Mc 12:32-33). Marcos continua sua descrição da cena: “E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: ‘Não estás longe do reino de Deus’. E ninguém ousava mais interrogá-lo” (Mc 12:34). O leitor percebe? Jesus já deixava uma pista de que a discussão posterior seria mandamentos morais x sistema sacrificial – o qual se relacionava intimamente com as festas e feriados judaicos.

Que Jesus Cristo demonstrou grande reverência pelo decálogo fica claro nas passagens que descrevem o diálogo com o jovem rico (Mt 19:16-19, Mc 10:17-19 e Lc 18:18-20), no sermão do monte (Mt 5:17-20) e na última ceia com seus discípulos (Jo 14:15-21 e Jo 15:9-10).

A exposição deste pano de fundo nos ajuda a visualizar melhor como o afastamento entre judaísmo e cristianismo foi muito gradual nas primeiras décadas após a ascensão de Cristo e que não havia uma identidade cristã própria e plenamente desconectada do judaísmo na Igreja. A Igreja das primeiras décadas era formada basicamente por judeus, por gentios frequentadores de sinagogas e por judaizantes. As sinagogas continuaram sendo o local de adoração de muitos cristãos e foi também, por bastante tempo, o principal local de pregação do evangelho, onde eram alcançados judeus e gentios. O ponto de encontro entre o evangelho e os gentios era justamente às sinagogas plantadas nas cidades pagãs. 

Os cristãos aproveitavam as sinagogas judaicas para pregar justamente porque ainda se sentiam judeus e entendiam que pregar Jesus nas sinagogas não era pregar outra religião, mas apenas anunciar as boas novas do Messias Judaico. Era tão natural quanto alguém hoje ir a uma igreja de outro país, ler a Bíblia e dizer que Jesus é Deus. Seria estranho, no entanto, fazer isso numa Mesquita islâmica, num centro de Umbanda/Candomblé  ou mesmo num Salão do Reino das Testemunhas de Jeová (que embora creiam na Bíblia, não creem na divindade de Jesus, nem na Trindade).

O cenário da igreja do primeiro século é um cenário majoritariamente judaico e a sede da Igreja era a Congregação em Jerusalém, na qual os apóstolos ficaram durante muito tempo. E é por isso que a guarda do sábado durante esta época foi (com alta probabilidade histórica) algo bastante natural e intuitivo. Na Igreja de Jerusalém, conforme o próprio texto de Atos afirma, havia dezenas de milhares de judeus crentes zelosos da lei. Ou seja, guardavam o sábado e frequentavam sinagogas. Os gentios crentes de lá, portanto, certamente faziam o mesmo. O hábito ainda era seguido por todos os judeus e gentios crentes das cidades pagãs que mantinham sinagogas, conforme também os textos apontam. 

Nas duas décadas finais do primeiro século, no entanto, os cristãos já não tinham mais nenhum contato com sinagogas e a cultura judaica. Esse afastamento provavelmente se iniciou por volta do ano 70 d.C. com o aumento da antipatia dos judeus incrédulos para com os cristãos. Por volta do ano 90 d.C. já estava consolidada efetivamente a divisão e o cristianismo já não era mais visto, nem mais se via, como fazendo parte da religião judaica. Estavam abertas as portas para mutações em sua teologia em busca de uma identidade própria, desconectada o tanto quanto possível de suas raízes judaicas. É isso que vai alimentar, nas décadas seguintes, um sentimento antijudaico no que concerne a teologia cristã, a qual ajudará a colocar para dentro do cristianismo uma teologia que se orientava pelo antijudaismo em grande parte.

O vácuo deixado pela perda de importância da Igreja de Jerusalém (tão relevante para a Igreja nas primeiras décadas de cristianismo) e pela morte de todos os apóstolos (que eram judeus) será suprido por uma influência cada vez maior da Igreja em Roma. Por duas razões básicas: ser a Igreja da capital do império e contar com um grande número de cristãos não provenientes do judaísmo. Assim, de maneira gradual, a Igreja que se via inicialmente como judaica e detinha sua matriz de influência na cidade de Jerusalém, passará a forjar uma nova identidade religiosa/cultural, passando a se enxergar como não judaica e adotando como matriz a cidade de Roma. 

Como se vê, este processo é bem anterior ao imperador Constantino. Na verdade, foi esta separação vagarosa entre cristianismo e judaísmo, seguido do desenvolvimento de uma teologia cristã não judaica (e até antijudaica em alguns pontos), que pavimentou o caminho para que um dia o referido imperador pudesse iniciar a união entre a Igreja Cristã e o Estado Romano, no quarto século. E é outro imperador, chamado Justiniano, que finalizará o processo no sexto século. A Igreja se torna, então, totalmente romana, como se o cristianismo tivesse surgido em Roma. Suas raízes judaicas jazem totalmente esquecidas ou, quando muito, taxadas como judaizantes. 

Obs.: Esse texto é um resumo das ideias expostas no meu texto: “Quinze razões para guardar o sábado – Parte 2”. A razão 10, que fala sobre as raízes judaicas da Igreja Primitiva, eu usei quase na íntegra aqui. Já a razão 11, que fala sobre a relação dos primeiros cristãos com o decálogo e a lei, eu só usei alguns trechos. Recomendo a leitura do texto citado, e com a Bíblia do lado, para checar todas as referências.

sábado, 26 de novembro de 2016

Uma reflexão adventista sobre a morte de Fidel Castro

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Morreu hoje, aos 90 anos, o ex-ditador cubano Fidel Castro. Sua morte nos relembra uma valiosa lição: neste mundo todas as coisas passam. Castro procurou criar uma nova sociedade. Queria fazer um mundo a sua imagem e semelhança, ser ele mesmo a redenção dos homens. Talvez tivesse uma boa intenção no início. Quem sabe, realmente se incomodava com o sofrimento do gênero humano? Possivelmente, em algum ponto de sua distante juventude, tenha sentido, de fato, a dor de alguém e desejado sinceramente fazer um mundo melhor. No entanto, como todos aqueles que pretendem ser a redenção do mundo, Castro rumou pelo caminho da prepotência e do autoritarismo. Querendo agir como Deus, tornou-se assassino e repressor. Pretendendo, talvez, fazer um Céu na terra, criou um inferno. E nesse inferno buscou, egoisticamente, uma situação melhor para si mesmo.

Castro, como todos os ditadores, é mais um símbolo da completa falibilidade humana e da tolice da salvação pelas obras. Descrente de Deus, mas crente em sua própria capacidade, Castro não conseguiu redimir o seu povo; não conseguiu ser o salvador que talvez um dia tenha pretendido ser; não conseguiu criar um mundo realmente bom. Castro não salvou a seus conterrâneos, tampouco a sua própria vida. Deixa para trás toda a sua riqueza, todo o seu poder e toda a sua vivacidade que outrora tivera. Nada leva desta terra, exceto, simbolicamente, as mãos sujas com o sangue de milhares de pessoas inocentes.

Terá ele aceito a Cristo nos últimos dias de sua vida? Terá ele se arrependido de todas as maldades que conscientemente perpetrou ao seu povo? Pouco provável. Fidel Castro sai hoje da existência, tendo levado uma vida vazia, em busca do impossível, querendo fazer as coisas do seu próprio jeito, fugindo de Deus. Viveu iludindo-se e iludindo a outros. Foi transformado em santo por muitos, mas não fez qualquer pessoa se achegar a Jesus Cristo, o único e verdadeiro salvador. De que valeu a sua revolução? O sangue dos cristãos que matou clama na terra até hoje. E o seu povo está na miséria.

Castro matou e morreu; assim se resume a sua vida. E se morreu da maneira como viveu, uma terrível punição o espera e, por fim, a inexistência absoluta. Nenhum bom legado deixa. Espalhou apenas sofrimento e hoje muitos comemoram a sua morte. Que triste fim! Que triste existência! Para ele, que via Jesus apenas como um mero revolucionário, as palavras de Paulo vem bem a calhar: "Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens" (I Coríntios 15:19).

É isso. Fidel Castro agora está morto. Já nada mais pode fazer ou sonhar. E o mundo permanece tão ruim quanto há 50 anos, quando ele resolveu revolucioná-lo. Quem saiu ganhando nessa história? Apenas Satanás. Iludiu um homem e através dele milhares de outros. Deu-lhes uma falsa esperança. Uma esperança humana. Hoje nada mais resta de bom aos que morreram nessa crença falsa e vazia. Nós, porém, segundo a promessa de Cristo, "esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça" (II Pedro 3:13).

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A eterna síndrome do amor ao Estado

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Tem uma coisa que não consigo entender como se processa na mente de um esquerdista: a fé no poder politico. Vejam bem: todos os dias lemos notícias de políticos que nos deixam indignados com esta classe. Eles maquinam diariamente maneiras de nos prejudicarem em benefício próprio. Possuem dezenas de privilégios, um salário enorme e um poder maior ainda para decidir quase tudo sobre a sua vida. Fogem da justiça com uma facilidade absurda. São uns vermes, gente asquerosa, cínica, mentirosa, cruel, sem nenhum respeito pelo indivíduo humano.

E eu não falo de um grupinho de políticos. Estou falando de quase todos. A grande maioria é um estorvo para a nação. Só entre deputados federais e senadores, o nosso parlamento, há 594 políticos. Se 50 ali realmente prestam e possuem capacidade para estarem em suas posições é muito. O restante é um bando de néscios e ladrões, gente que mama o seu dinheiro de trabalhador suado para tornar sua vida mais difícil é a deles mais fácil. Nos estados e cidades a situação é ainda pior. Há câmaras inteiras sem uma única pessoa que preste. Há lugares em que os políticos viraram barões e suas famílias oligarquias. O poder é passado de geração em geração e nada muda. O povo permanece sendo massacrado.

Para mim, vendo tudo isso, é óbvio, claro e evidente que o poder dos políticos precisa ser reduzido, que seu campo de ação, seus benefícios, suas prerrogativas e responsabilidades, tudo tem de ser limitado ao máximo. O Estado precisa ser menor e menos poderoso. A classe política necessita de limites. No entanto, o esquerdista pensa justamente o oposto. De alguma forma que não entendo, ele consegue achar ruim todo esse cenário descrito, mas desejar que o Estado e seus agentes continuem tendo o mesmo poder e até o aumentem. Como assim?!

Será tão difícil entender que você não vai ter um hospital público de qualidade enquanto esses caras concentrarem tanto poder e funções? Será que não percebe que a educação jamais terá qualidade enquanto o Estado for esse monstro?

Você quer um Estado que dê assistência aos necessitados? Ok. É possível. E é justo. Há realmente gente nesse país que não tem condições de levar uma vida digna. Por culpa do próprio governo. Então, há quem precise mesmo de assistência. Mas, meu amigo, não dá para manter um Estado que dê assistência aos pobres e, ao mesmo tempo, aos políticos, parentes de políticos, empresários financiadores de políticos, militantes, partidos, assessores comissionados, concursados com super salários, dezenas de ministérios, milhares de secretarias, bancos privados, bancos públicos, blogs, revistas, jornais, canais de TV, times de futebol, artistas, filmes, ONGs, Sindicatos, MST, CUT, UNE, MTST, Cuba, Venezuela, Angola, Foro de São Paulo, Odebrecht, SuperVia, Correios, etc. Não dá! Ou o povo pobre ou todos esses políticos e apadrinhados políticos. Lembre-se que esse segundo grupo se alimenta do primeiro. O dinheiro que paga todo esse enorme aparelho estatal e os seus tentáculos sai justamente do bolso dos pobres que você diz querer ajudar. Quanto maior o Estado e quanto mais poder a classe política tem, mais os pobres são massacrados. É difícil entender isso?

Reduzir o Estado e o poder dos políticos deveria ser ponto em comum, ponto pacífico, unanimidade. É apenas com essa redução que pode-se pensar numa economia mais ativa, capaz de arrecadar mais impostos. É apenas com essa redução de custos que pode-se pensar em investir mais e melhor em saúde, educação e segurança públicas. Mas enquanto houver quem defenda político bandido, morosidade nos julgamentos e concentração de poder e dinheiro nas mãos do Estado e seus agentes, não tem como melhorar a vida do povo.

Não se pode servir a dois senhores. Ou se serve aos políticos ou ao povo. Tentar servir aos dois é certeza de desagradar a um deles. Ou ambos.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Conhecimento Econômico II: Inflação

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Você sabe o que é inflação? Sabe como ela se forma? Vamos tratar hoje desse tema. O texto de hoje é o segundo da série que me propus a fazer sobre conhecimentos básicos de economia. Para quem não leu o primeiro, clique aqui

Mencionei brevemente no primeiro texto o erro infantil (das crianças mesmo) de achar que imprimir mais dinheiro poderia resolver os problemas do mundo. Por incrível que seja, homens adultos, por vezes economistas, fazem uso desse artifício insano. Por quê? Explico.

Obviamente emitir dinheiro e distribuir à todos seria inútil, já que dinheiro é apenas um símbolo. Mas o governo pode (através do Banco Central) emitir mais dinheiro para os Bancos. Ao fazê-lo, os bancos terão mais dinheiro para emprestar. Isso reduz os juros dos empréstimos. Por quê? O juro nada mais é do que o preço do empréstimo. O empréstimo é um serviço como qualquer outro e, portanto, tem um valor. Isso é o juro.

Ora, se o banco tem muito dinheiro guardado, emprestar é mais fácil, logo o empréstimo será mais barato. Se suas reservas estão reduzidas, o preço do empréstimo se elevará, bem como os requisitos para consegui-lo; e os valores possíveis serão menores. Em outras palavras, quando o BC joga moeda na economia através dos bancos, estes passam a oferecer crédito fácil em todos os sentidos. Menos juros, menos requisitos, mais parcelas, empréstimos mais altos e etc. À curto prazo, isso gera um boom na economia. As empresas começam a pegar altos empréstimos para seus projetos; novos empreendedores surgem, conseguindo se capitalizar; os consumidores compram mais no crediário. É a farra do crédito. O banco tem para todos.

O que descrevi parece muito bom, né? Mas não se esqueça: é artificial. O que se aumentou, primeiramente, foi o dinheiro disponível (que é um símbolo) e não a produção. Isso quer dizer que, à princípio, há mais dinheiro em circulação para comprar a mesma quantidade de coisas. Não houve produção de riqueza, portanto.

Se todos recebessem esse dinheiro novo criado ao mesmo tempo e na mesma quantidade, isso não faria nenhuma diferença, nem positiva, nem negativa. Seria inócuo. Mas lembre-se que quem recebe primeiro são os bancos. Depois as primeiras empresas a pegar empréstimos. Ou seja, esse dinheiro vai sendo repassado para as pessoas aos poucos. Aí está o problema. As primeiras que receberem terão mais condição que antes de comprar coisas. E comprarão. Só que como a produção não aumentou à princípio, haverá menos produtos para os outros. Isso fará com que os preços se elevem. É o que chamamos de inflação de preços. Ela é causada pelo aumento de circulação de moeda no mercado.

Então, antes do novo dinheiro chegar à todos através do aumento de salários, os preços já subiram. Quer dizer, alguns tiveram aumento de renda e puderam comprar mais com os preços no mesmo patamar. Outros tiveram que comprar mais caro, ganhando o mesmo salário.  

Mas por que, então, os governos inflam moeda? Há pelo menos dois motivos. O primeiro é o já mencionado "boom" na economia. Trata-se de uma aposta. O governo expande crédito e espera que os empréstimos que isso vai gerar expandam suficientemente os negócios para que mais empregos sejam criados, o que fará mais empresas concorrerem e mais pessoas consumirem. A ideia, portanto, é criar uma inflação dosada, que não cresça muito e seja rapidamente superada pelo conseguinte aumento de produção.

Um dos principais problemas desse tipo de política é que essa aposta é arriscada. Não há como prever que o crescimento será tão grande, nem que será uniforme. Na verdade, dificilmente o crescimento é uniforme, em geral uns ramos crescerão mais rapidamente que outros. Então, mesmo que a economia cresça muito, alguns ramos podem não crescer o suficiente para conter a elevação de preços ocasionada pela expansão de crédito. Ademais, o crescimento da produção realmente deve ser fantástico para que a inflação seja contida, o que dificilmente ocorrerá em um país que já não seja bastante desenvolvido e liberal na sua economia.

Mas ainda que um país consiga ser bem sucedido nesse crescimento fantástico, isso não durará muito tempo. Por que? Bom, aqui entra outro grande problema desse tipo de política: Nenhum governo poderá inflar moeda para sempre. Ainda que se consiga a proeza de se conter a inflação durante um bom período de crescimento, em dado momento a expansão de crédito deverá parar para que não ultrapasse a capacidade de produção. Tudo tem um limite. Quando o governo chega nesse limite máximo, iniciará um momento de corte radical na emissão de moeda e de aumento da taxa básica de juros. Aqui no Brasil a Taxa Básica de Juros é a SELIC, que é calculada pelo Comitê de Política Monetária (COPOM), um setor do BC. O aumento ou a redução dessa taxa pelo BC influencia todas as outras taxas de juro do país. É comum que o governo aumente essa taxa quando deseja reduzir ou evitar inflação. 

Ora, com o corte radical na emissão de moeda e o aumento da taxa básica de juros, os bancos já não poderão emprestar na mesma velocidade, quantidade e facilidade de antes. Mas a sociedade ainda está à todo o vapor, lembra? Então, o que vai acontecer é que o preço dos empréstimos (os juros) tornarão a subir. Cessa a facilidade de conseguir dinheiro e quem fez empréstimos altíssimos terá uma surpresa: os juros aumentarão exorbitantemente. O que antes pareciam negócios lucrativos se mostram verdadeiras bancarrotas. Os empresários ficam endividados com o aumento dos juros. As pessoas que compraram em cartões ou que possuem dívidas no limite bancário também ficam mais endividadas. Os próprios bancos podem ficar em situação ruim, porque o não pagamento de seus empréstimos poderá quebrar suas atividades. Sem poder pagar suas dívidas, empresas demitirão funcionários e, se a concorrência permitir, procurarão aumentar preços.

O fim de toda a política inflacionária é essa. Mas para muitos governos vale à pena o risco, pois quem segurará o pepino provavelmente será o governo seguinte. Assim, é possível um governo inflar a moeda, aquecer a economia por alguns anos e deixar a crise para seus sucessores.

A segunda razão para governos inflarem a moeda é para pagar suas dívidas. Isso pode ser feito de três maneiras. A mais primitiva é o governo mandar o BC fazer dinheiro e pagar as dívidas. Mas isso é algo proibido em diversos países. Outra maneira é fazendo uma permuta com os bancos. O BC expande moeda para os bancos e os bancos, por sua vez, emprestam dinheiro para o governo. Em geral, esse empréstimo ocorre por meio de compra de "títulos de dívidas" do governo por parte dos bancos (grosso modo, isso nada mais é que empréstimo).

Por que os bancos aceitam isso? É óbvio. Além de terem recebido mais dinheiro para emprestar, ao emprestar quantias vultuosas para o governo terão um retorno enorme, já que quanto maior o empréstimo, maior o juro. O governo é sempre maior devedor que qualquer indivíduo ou empresa. Daí se segue também que quanto mais um governo gasta e pede empréstimos, melhor para os bancos (desde que o governo não seja caloteiro).

Uma terceira maneira de pagar suas dívidas através da inflação é visando reduzir justamente o juro de dívidas em andamento. Uma vez que expandir moeda reduz os juros, o governo pagará menos quando se utilizar desse artifício.

Quando entendemos essa dinâmica, conseguimos compreender alguns fenômenos da história. Por exemplo, por que o Brasil viveu uma hiperinflação nos anos 80 e início dos anos 90? Quem é mais velho lembra disso. Os produtos mudavam de preço todos os dias, duas, três, quarto vezes por dia. A pessoa recebia o salário e corria para o mercado para comprar antes que tudo aumentasse. Por quê? O motivo principal era a existência de um número enorme de empresas estatais (incluindo bancos) que davam déficits também enormes. Para que essas estatais não fossem à falência, o governo as acudia direta ou indiretamente imprimindo dinheiro. Resultado: uma inflação galopante.

Outro caso de distorção econômica causada pela política de expansão de moeda é a crise americana de 1929. Embora ela geralmente seja apontada como uma crise causada pela superprodução em uma economia extremamente liberal, a verdade é que sua causa foi a expansão creditícia promovida pelo FED, o Banco Central americano. Como se deu? O FED expandiu crédito por alguns interesses políticos da época. Isso derrubou os juros e estimulou a tomada de empréstimos. O resultado foi um boom na economia. Mas o FED teve que cortar o crédito, a fim de não criar um surto inflacionário. Os preços até então tinham sido segurados pela grande produção. Ao cortar o crédito e aumentar os juros, os empresários que fizeram altos empréstimos se viram com dificuldades de pagar.

Com as primeiras demissões e falências, muita gente começou a ir aos bancos para retirar dinheiro da poupança. Isso complicou a situação dos bancos, que já não estavam vendo o pagamento de muitos empréstimos.

O aumento do desemprego reduziu o consumo rapidamente. Então, aquela incrível produção passou a se acumular nas prateleiras. Havia mais produto que gente com condição de comprar. Em vez, então, de haver inflação de preços, houve deflação. Com excesso de produtos e pouco consumo, as empresas foram baixando os preços para tentar vender. Não é preciso ser um gênio para perceber que se você está em época de crise e ainda precisa baixar preços, você não vai durar muito.

Um terceiro caso desastroso de distorção econômica é bem mais atual. Aqui no Brasil, o governo Lula, após um breve período de ajuste da economia, também lançou mão da expansão de crédito. Mesmo esquema: uma aposta numa inflação contida que pudesse ser superada rapidamente pelo aumento de produção. A aposta deu certo principalmente por uma razão: a queda do dólar. Nesse período o dólar se desvalorizou bastante (provavelmente pelos efeitos da guerra no Iraque). Com o dólar caindo, todas as compras de produtos americanos ou que continham algum componente americano ficaram mais baratas. Isso não só anulou a inflação de preços como ajudou a aquecer a economia, aumentando a produção, a concorrência e o consumo.

O bom período econômico do presidente Lula acabou sendo mais extenso do que deveria pelos efeitos da queda do dólar. Houve outras razões também, como o bom momento dos países emergentes, incluindo a China, que virou grande parceira comercial do Brasil. Mas, como já vimos, a economia é implacável. Ele sempre impõe o acerto de contas. E o acerto começou a chegar quando o dólar voltou a subir. Os dois governos de Lula e o primeiro governo de Dilma haviam expandido crédito e gasto dinheiro como se não houvesse amanhã. Com a escalada da moeda americana novamente, nossa produção iniciou um movimento de queda, os produtos ficaram mais caros, a inflação começou a aparecer, a arrecadação de impostos pelo governo se tornou insuficiente para pagar as dívidas, os juros foram aumentados e entramos na crise que nos encontramos, com desemprego crescente e elevação de preços.

Esses exemplos nos deixam de lição de que não é possível enganar a economia. Você pode até expandir crédito e conseguir manter a inflação à níveis toleráveis por uma série de circunstâncias fortuitas. Mas uma hora chegará o acerto de contas em forma de juros altíssimos, causando endividamentos, queda nos investimentos, desemprego e falências. E se a produção foi muito acelerada, este cenário causará deflação.

Talvez isso possa parecer meio abstrato para você. Vamos expor de maneira mais concreta. Os empresários fazem seus investimentos com base nos sinais que a economia oferece. Esses sinais são os preços, a valorização da moeda, o nível da inflação, o nível de juros e etc. Se esses sinais forem falsos, todas as projeções e investimentos se mostrarão sem base em algum momento. Então, de repente, diversos empresários descobrirão que não deveriam ter pego empréstimo X, ou investido em Y, ou gasto tanto com Z. Ela se basearam em uma imagem falsa, distorcida da economia. É isso o que acontece quando o governo tenta criar crescimento econômico de forma artificial. Engana-se toda a população. O acerto de contas nos pega violentamente depois.

A pergunta que fica é: de que forma o governo pode impedir a si mesmo, de maneira eficiente, de criar inflação? Como uma sociedade consegue evitar esse mal? Esse será o assunto do próximo texto da série.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Acompanhem o blog "Reação Adventista"

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Quero convidar os leitores do Mundo Analista a visitarem o blog Reação Adventista. Ele é uma iniciativa de um grupo de cristãos adventistas (do qual faço parte) que se cansou de ver ideologias anticristãs advindas principalmente da esquerda infectarem a mente de alguns membros da nossa Igreja. Nós iniciamos o projeto com uma página no Facebook. A página cresceu e resolvemos fazer um blog para organizar melhor os nossos textos. Temos hoje a página no Face, uma conta no Twitter e no Instagram, e o blog. Em breve também teremos uma conta no Youtube. Se você também está cansado do progressismo se infiltrando no cristianismo, distorcendo o evangelho e afastando pessoas de Cristo, acompanhe este projeto. 

Segue abaixo o texto introdutório do blog, que descreve nosso objetivo.

O que é o Reação Adventista?

A página “Reação Adventista” foi criada com um objetivo simples e direto: ser uma voz de reação contra filosofias anticristãs tais como o marxismo, o liberalismo teológico, o feminismo, o abortismo, o relativismo e o secularismo em geral. Essas pautas tem sido geralmente disseminadas pela esquerda política, mas não se tratam meramente de discussão política – elas penetram o campo da moral e atingem princípios bíblicos, afastando pessoas de Cristo e deturpando o evangelho.

Entretanto, o intuito da página não é colocar o cristianismo (e o adventismo) em pé de igualdade com a direita. Até porque o que houver na direita que contrarie a Bíblia, nós não hesitaremos em rechaçar. Embora o posicionamento dos articulistas desta página seja, de fato, à direita (e não escondemos isso), temos a convicção de que direita e esquerda são dois posicionamentos políticos. É perigoso comparar posicionamentos políticos ao cristianismo, porque o cristianismo não é um posicionamento político ou econômico. São coisas de naturezas diferentes.

O cristianismo é uma religião. E o cristianismo genuíno é mais do que uma religião. É um relacionamento profundo e verdadeiro com Jesus Cristo, o que leva à observância e ao respeito pela Sua Palavra, a Bíblia. Quando fazemos uma comparação entre direita, esquerda e cristianismo, transformamos o cristianismo em política (ou direita e esquerda em religiões) e acabamos por colocar o evangelho ao nível de filosofias terrenas. Mas o evangelho é muito superior a essas filosofias. Assim, o objetivo da página não é (e não será) defender a direita política.

Contudo, também entendemos que há posturas e crenças políticas, culturais e até econômicas que contrariam princípios cristãos (e adventistas). E a esquerda é repleta desses elementos espúrios, corrosivos ao genuíno evangelho. Só para citar alguns exemplos:

Ela deposita confiança num Estado grande para mudar o mundo (como se fosse possível fazer um Céu na Terra), defende leis que criam sensação de impunidade entre os criminosos, tira do indivíduo a responsabilidade de ser caridoso (dando essa responsabilidade ao Estado), defende o aborto (que nada mais é que assassinato de inocentes), defende a liberalização das drogas (como se isso não fosse ter nefastas consequências em relação ao convívio social com drogados), defende altos impostos (o que a própria Bíblia diz que leva um povo à ruína) e usa uma retórica de ódio entre classes e subclasses (empregados x patrões, héteros x homos, negros x brancos, mulheres x homens) para alcançar seus objetivos.

A mesma esquerda ainda defende o multiculturalismo (ideia que diz que todas as culturas são iguais e devem ser respeitadas, o que não é verdade. Devemos respeitar a cultura do Estado Islâmico de decapitar homossexuais, por exemplo?), ataca a família tradicional, defende o feminismo (que não serve mais para representar a mulher, mas apenas para seguir uma agenda de esquerda), apoia a violência do MST e as invasões de terras, defende regimes ditatoriais comunistas (que mataram 100 milhões de pessoas no século XX, e continuam matando hoje na China, na Coreia do Norte e em Cuba), defende a corrupção em prol dos partidos de esquerda (vide os petistas) e, quando não abraça o ateísmo, abraça formas deturpadas de cristianismo.

Então, ser cristão e de esquerda não nos parece algo saudável. Ou você será um péssimo esquerdista ou um péssimo cristão. Para o cristão, politicamente, é melhor que ele seja de centro ou de direita. Quiçá, de uma esquerda moderada, isto é, sem os vícios culturais e morais já elencados acima (se é que essa esquerda existe e/ou é possível). Neste caso, não haveria problema.

Os componentes dessa página são de vertente conservadora. Defendemos o respeito à família tradicional e aos valores judaico-cristãos; não acreditamos que o Estado pode mudar o mundo, não apoiamos regimes totalitários, somos anticomunistas, somos favoráveis a leis rígidas contra criminosos, uma carga tributária mais leve, igualdade perante à lei, uma economia mais liberal, etc. São valores que ou se coadunam com os princípios bíblicos ou que simplesmente não os ferem.

A Bíblia não nos oferece uma fórmula política ou econômica específica para seguir. Mas nos ordena que tudo o que formos fazer, pensar, falar e defender não contradiga os mandamentos e as instruções de Deus. E ser de esquerda (pelo menos a esquerda que sustenta os pontos mencionados no texto) é pisar em vários princípios bíblicos. Em resumo: um cristão pode ter as posições políticas, econômicas e culturais que desejar (e não nos importamos com isso), desde que elas não firam a Palavra de Deus.

Para não parecer demagogia quando dissemos que o intuito da página não é defender a direita citamos alguns exemplos aqui. Nós somos contrários à regimes autoritários e ditaduras geralmente relacionadas à direita, como a Chilena, de Pinochet, o regime militar brasileiro de 1964 a 1985. Não temos ditadores ou ditaduras de estimação. Seja fascismo, nazismo, comunismo, teocracias islâmicas ou regimes autoritários de viés anticomunista, nós somos contra. Somos pelo Estado de direito.

Um segundo exemplo é que discordamos do libertarianismo e do anarcocapitalismo, duas correntes radicais do liberalismo econômico. Entendemos que essas correntes, ao colocarem o livre mercado como fim em si mesmo, acabam abrindo mão de valores morais, humanitários e cristãos em muitos casos. Nossa orientação é a Bíblia e não filosofias do mundo.

Ponto importante a enfatizar é que nós nos colocamos, nessa página, radicalmente contra o liberalismo teológico que tenta se infiltrar em nossa Igreja. Nosso conservadorismo se estende aos hábitos e costumes. Rechaçamos que o cristão se vista indecentemente e que viva chamando atenção para si. Acreditamos em algo muito importante chamado “Modéstia Bíblica”, a qual sempre fez parte dos princípios adventistas, mas tem se perdido nas novas gerações.

Também rechaçamos que a liturgia dos cultos a Deus seja infectada de mundanismo, transformando a Igreja em um clube. Somos jovens, não temos nada contra diversão, mas entendemos que o momento do culto é sagrado e deve servir para nos elevar a Deus em reflexão, contemplação e adoração, em um clima que não leve ao êxtase e à divagação.

Finalmente, a página também se propõe a divulgar o cristianismo e o adventismo de forma inteligente, polida e racional, da maneira como acreditamos que merece o nosso Deus. Não acreditamos na tese espúria e tola de que fé e razão não andam juntas, ou que fé é crer sem evidências. Cremos no que cremos porque há razões plausíveis e suficientes para crer. Há uma lógica no mundo criado por Deus. E podemos escavar as verdades de Deus através dessa lógica. Neo-ateus “toddynhos” não terão vez aqui falando suas baboseiras travestidas de intelectualismo.

Terminamos com duas citações de Ellen G. White que sintetizam o pensamento da página em relação à Palavra de Deus, à razão e à necessidade de correção dos que se desviam da verdade bíblica:

“Recomendo-vos, caro leitor, a Palavra de Deus como regra de vossa fé e prática. Por essa Palavra seremos julgados. Nela, Deus prometeu dar visões nos ‘últimos dias’, não para uma nova regra de fé, mas para conforto do Seu povo e para corrigir os que se desviam da verdade bíblica. Assim tratou Deus com Pedro, quando estava para enviá-lo a pregar aos gentios.” (WHITE, Ellen G. “Primeiros Escritos”, p. 78)

“Deus nunca pede que creiamos sem que nos dê suficientes evidências sobre as quais possamos alicerçar nossa fé. Sua existência, seu caráter e a veracidade de sua Palavra se baseiam em testemunhos que falam à nossa razão; e esses testemunhos são numerosos. Apesar disso, Deus nunca removeu a possibilidade de dúvida. Nossa fé deve se basear em evidências, não em demonstrações. Os que desejam duvidar terão a oportunidade de fazê-lo, enquanto os que realmente desejam conhecer a verdade poderão encontrar muitas evidências onde apoiar sua fé” (WHITE, Ellen G. “Caminho a Cristo”. Tautí: CPB, 2014, p. 105).

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Obs.: Se, ao ler nossa introdução, você concordou e se identificou conosco, fique à vontade para fazer parte desse projeto. Aceitamos sugestões e colaborações, que deverão ser enviadas para o e-mail: reacaoadventista@gmail.com