quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Razões bíblicas pelas quais sou sabatista

Nenhum comentário:
1) O sábado foi instituído como dia santo muito antes de existirem judeus, Israel, tábuas da lei, Moisés, 12 tribos, Jacó, Isaque e Abraão (Gênesis 2:1-3), o que significa que o sábado não é simplesmente um mandamento do judaísmo, criado estritamente para judeus.

2) O sábado foi instituído antes até do ser humano cometer o primeiro pecado, o que significa que ele nada tem a ver com as leis cerimoniais que surgiriam posteriormente como símbolos do sacrifício vindouro de Cristo.

3) O sábado foi posto no decálogo (dez mandamentos), o que mostra seu caráter moral e permanente, provando, mais uma vez, que ele nada tem a ver com leis que existiam apenas para prefigurar a Cristo.

4) O sábado tem um valor prático imprescindível: nos possibilita cessar o trabalho e as tarefas que podem ser feitas em outros dias, para passar um dia inteiro se dedicando a Deus, à família e ao próximo.

5) O sábado jamais foi só para judeus, mas era estendido aos gentios que queriam se unir ao Senhor (Isaías 56:1-8).

6) A vigência do sábado é imprescindível para se defender que o Deus do Antigo Testamento é o mesmo Deus do Novo Testamento, já que Deus é o Criador em ambos testamentos e o sábado aponta para Deus como o Criador.

7) Jesus se preocupou com a possibilidade de seus seguidores terem que fugir no sábado no dia da grande perseguição (Mateus 24:20).

8) Paulo e Barnabé não orientaram as pessoas que queriam ouvir novamente suas pregações a abandonarem a prática de guardar o sábado (Atos 13:42-44).

9) Quando em Corinto, antes de Silas e Timóteo descerem à Macedônia, Paulo passou um tempo trabalhando durante toda a semana como fabricante de tendas, mas parava aos sábados para ir pregar nas sinagogas (Atos 18:1-4).

10) O Novo Testamento fala repetidas vezes na importância de se guardar os mandamentos de Deus (João 14:15, Gálatas 5:19-21; I Coríntios 6:9-10; Tito 1:16 e 2:7; I João 2:4-6; Apocalipse 14:12), pois isso é a implicação direta de amar a Deus, segundo as Escrituras.

11) O Novo Testamento em nenhum momento anula o sábado, sétimo dia da semana. Ele anula apenas feriados e festas cerimoniais do judaísmo (Páscoa, Lua Nova, Pentecostes...), estas sim, temporárias e prefigurativas de Cristo, que perderam seu valor quando Cristo cumpriu sua missão.

12) A mensagem do evangelho eterno que será pregada por todo o mundo no fim nos convida a lembrar que Deus é o Criador e que haverá um juízo (Apocalipse 14:6-7). Isso nos remete ao sábado (que aponta para Deus como Criador) e à volta de Jesus. Esta mensagem tem sido o pilar da pregação da Igreja Adventista do Sétimo Dia, a maior congregação cristã sabatista do mundo.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A Marcha das Vadias e a Revolução Cultural Marxista

3 comentários:
Ocorrida no último dia 27 de julho, no trajeto entre Copacabana e Ipanema, a chamada Marcha das Vadias reuniu cerca de 2 mil pessoas. Composta principalmente por integrantes do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) e simpatizantes, o movimento protestou contra a vinda do Papa no Brasil, os dogmas da Igreja Católica e a favor da legalização do aborto. Esta foi a terceira edição carioca da Marcha, que teve seu início em uma manifestação no Canadá, em 2011, e se tornou um movimento internacional.

Embora não tenha havido nenhum tipo de violência física, o protesto chamou a atenção pelas performances polêmicas de algumas pessoas durante a marcha, como a utilização de roupas íntimas, o seminudismo, os brados de ofensas com apelo sexual contra o Papa e o uso de objetos de culto religioso para masturbação. A ideia central da marcha, segundo os participantes, seria a de lutar pelo Estado laico e contra a opressão dos dogmas conservadores e religiosos.



Esta mentalidade antirreligiosa tem se constituído um movimento crescente no Brasil e no mundo, encontrado adeptos em diversos setores da sociedade e criando uma cultura hostil aos religiosos e conservadores. Alguns exemplos ilustram isso. Em Abril de 2013, quatro ativistas seminuas do movimento Femen, invadiram um encontro da Conferência Episcopal da Bélgica que ocorria na Universidade Livre de Bruxelas e jogaram esguichos de água no Arcebispo André Joseph Leonard, em protesto contra o seu posicionamento em relação ao homossexualismo.


Em março de 2013, a direção da Florida Atlantic University, suspendeu o aluno Ryan Rotela, por ter se recusado a desempenhar a atividade proposta pelo professor Deandre Pooly à sua turma de pisar no nome de Jesus. Segundo o professor e a direção da universidade, a atividade se encontrava no material didático utilizado nas aulas e se baseava no livro “Comunicação Intercultural: Uma Abordagem Contextual. Edição 5”, que trata o exercício como o princípio de uma discussão: a importância dos símbolos na cultura.

Em dezembro de 2012, houve uma encenação da decapitação do Papa, no pátio da PUC, em que estudante com uma serra elétrica cortou a cabeça de um grande boneco representando o pontífice, sob a euforia de dezenas de outros estudantes. Também em dezembro do mesmo ano, o taxista Ezer Gomes de Barros foi levado à delegacia por ter se recusado a continuar transportando um casal homossexual que se beijava dentro do carro, algo que ele havia pedido ao casal que não fosse feito. Segundo o taxista, ele faria o mesmo pedido a um casal heterossexual. No entanto, o casal entendeu o pedido como discriminação.

Em agosto de 2012, uma palestra do membro da família real brasileira Dom Bertrand de Orleans e Bragança, na Unesp, Campus de França, foi impedida de se realizar no dia previsto em função de um grupo de estudantes que invadiu o evento, protestando com ameaças e ofensas contra a presença do príncipe, que é um dos representantes do movimento TFP (Tradição, Família e Propriedade).

Em março de 2012, a banda feminina de punk rock russa Pussy Riot invadiu um culto na catedral do Cristo Salvador, considerada a mais importante da igreja ortodoxa russa, e cantou a música "Punk Prayer" ("Prece punk") no altar do templo. Em fevereiro do mesmo ano, o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, ameaçou caçar a licença da psicóloga Marisa Lobo, em função da mesma externar suas opiniões cristãs com frequência. O Conselho chegou a solicitar a retirada de frases cristãs de suas redes virtuais.

Em junho de 2011, a americana Jessica Ahlquist, entrou na justiça para que a escola pública onde estudava retirasse uma oração de um mural, onde estava há 49 anos, fazendo parte da história da escola.

Tais atitudes desrespeitosas aos religiosos e conservadores não apenas têm sido cometidas por cada vez mais indivíduos, como tem recebido apoio de pessoas influentes da sociedade. Só para citar um exemplo, a banda russa Pussy Riot, que invadiu a catedral de Cristo Salvador, recebeu apoio da cantora Madonna, das bandas Green Day, Bjork e Red Hot Chili Peppers e até do primeiro-ministro russo Dmitri Medvedev, que acreditam que os membros da banda não deveriam ser presos pela invasão.

Segundo a equatoriana Amparo Medina, funcionária da ONU e ex-militante socialista, esse posicionamento antirreligioso é muito comum entre as esquerdas mais progressistas e radicais, sobretudo, as de cunho marxista. Na rede católica de televisão EWTN ela explica que “os grupos comunistas e socialistas sabem que a única instituição que pode romper as suas mentiras é a Igreja Católica. Então, a primeira coisa que buscam são argumentos que possam destruir a pouca fé que os católicos têm. Veja as notícias ou vá atrás desse sacerdote que não está vivendo a sua vida na graça com Deus… Publique-os e os lance na imprensa”. Ela ainda conclui que “é preciso omitir que no Equador, 60% das obras de ajuda às pessoas pobres estão nas mãos da Igreja, pois isso se silencia”.

O anticlericalismo sempre foi um dos principais pilares das esquerdas mais radicais. Para o socialismo marxista, a religião é uma ilusão, “o ópio do povo”, como afirmou Marx em seus escritos; um subproduto dos sistemas econômicos exploradores que têm se sucedido durante toda a história. E assim, por fazer parte do sistema que deve ser derrubado, a religião (sobretudo o cristianismo católico, que é maior instituição religiosa que existe) é encarada como um dos vários males a ser combatido para que o socialismo seja implantado.

O filósofo e escritor brasileiro Olavo de Carvalho ressalta a importância da chamada “revolução cultural” nesse processo de implantação do socialismo. Citando o ideólogo marxista Antônio Gramsci (1891-1937), famoso por ter elaborado o conceito de “intelectuais orgânicos” e lançado as bases para a revolução cultural comunista, ele afirma: 
O conceito gramsciano de intelectual [orgânico] funda-se exclusivamente na sociologia das profissões e, por isto, é bem elástico: há lugar nele para os contadores, os meirinhos, os funcionários dos Correios, os locutores esportivos e o pessoal do show business. Toda essa gente ajuda a elaborar e difundir a ideologia de classe, e, como elaborar e difundir a ideologia de classe é a única tarefa intelectual que existe, uma vedette que sacuda as banhas num espetáculo de protesto pode ser bem mais intelectual do que um filósofo [...]. 
Essa seria, portanto, a missão dos intelectuais orgânicos. Influenciados pelos intelectuais acadêmicos (os responsáveis por dar início à revolução), eles criariam um “senso comum” progressista e antirreligioso na população, não com pregações abertas e teoricamente complexas, mas de modo popular e acessível, a fim de moldar, de fato, a mentalidade do povo. Olavo de Carvalho continua: 
O senso comum não coincide com a ideologia de classe, e é precisamente aí que está o problema. Na maior parte das pessoas, o senso comum se compõe de uma sopa de elementos heteróclitos colhidos nas ideologias de várias classes. É por isto que, movido pelo senso comum, um homem pode agir de maneiras que, objetivamente, contrariam o seu interesse de classe, como por exemplo quando um proletário vai à missa. [...] Aí é que entra a missão providencial dos intelectuais. [...] reformando o senso comum, organizando-o para que se torne coerente com o interesse de classe respectivo, esclarecendo-o e difundindo-o para que fique cada vez mais consciente, para que, cada vez mais, o proletário viva, sinta e pense de acordo com os interesses objetivos da classe proletária e o burguês com os da classe burguesa.
Baseado nestas considerações, Olavo sustenta que a hostilidade que se tem visto desenvolver ao cristianismo e ao conservadorismo, bem como movimentos anticlericais, o que inclui a Marcha das Vadias, seria resultado direto da revolução cultural marxista idealizada por Gramsci. 

O padre brasileiro Paulo Ricardo, ardoroso militante contra a revolução cultural marxista, concorda: 
Tudo isso é fruto de um descaso histórico dos conservadores que permitiram que o marxismo cultural tomasse conta das universidades. Em qualquer curso universitário é possível constatar tal realidade através de um ódio frontal e fundamental ao cristianismo, aos valores cristãos e mais especificamente ao catolicismo tradicional.
O padre também afirma: “Os que pensam a revolução cultural sabem que seu trabalho deve ser feito de forma lenta, gradual, dando a impressão de naturalidade, ou seja, dando a impressão de que a sociedade caminha assim naturalmente”. 

Para ambos os autores mencionados, a prova de que a revolução cultural marxista tem encontrado êxito se encontra em dois fatos: (1) a omissão dos religiosos e conservadores em relação às atitudes desrespeitosas que tem se desenvolvido e (2) o apoio (ou a condescendência) da mídia e da justiça em relação a essas atitudes. Os exemplos citados há pouco, também ilustram essas afirmações, sobretudo o da terceira edição carioca da Marcha das Vadias, que contou com atos obscenos e escárnio público de crença religiosa.

O Artigo 208 do Código Penal afirma: “Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso: Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa”. O artigo 233 diz: Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público: Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa”. Não obstante, a marcha não se tornou alvo de grande protesto por parte dos religiosos, nem de divulgação por parte da grande mídia, tampouco de intervenções por parte da polícia. O estranho fenômeno, na explicação de Paulo Ricardo é que “o marxismo cultural, no Brasil, já conseguiu a hegemonia cultural e da mídia. Pela política da dominação de espaços, já dominaram a classe falante (jornalistas, cineastas, psicólogos, padres, juízes, políticos, escritores) que é formada no pensamento do marxismo cultural”. A tendência desse quadro é tornar a hostilidade aos religiosos e conservadores cada vez maior.
________________________________

Observação: Este texto é uma reportagem que fiz semana passada para meu professor de Técnicas de Reportagem III, em minha faculdade de jornalismo. O leitor pode ler o mesmo texto no blog "Direitas Já!", para o qual contribuo regularmente, clicando aqui.

domingo, 11 de agosto de 2013

A incoerência da moral em um mundo ateísta

25 comentários:
Acho curioso como uma pessoa pode bater no peito se dizendo ateu, hostilizar religiosos e pregar que a crença em Deus deve ser abolida, ao mesmo tempo em que acredita na existência de valores morais objetivos. Isso não faz sentido. 

Religiosos acreditam nos valores morais objetivos porque acreditam que a moral vem da própria natureza de Deus. E como Deus transcende tempo, espaço, matéria e energia, segue-se que a moral também é transcendente. Por isso, ela está acima de cultura e de contextos espaço-temporais. Por isso é que em qualquer parte do mundo e em qualquer época torturar um homem, estuprar uma mulher e queimar uma criança são consideradas atitudes objetivamente erradas. Elas são erradas e seriam erradas mesmo que toda a sociedade praticasse isso com naturalidade. Pelo mesmo motivo, alimentar o faminto e ajudar o necessitado são consideradas atitudes objetivamente corretas. A noção de valores objetivos, de certo e de errado, advém da noção de uma moral transcendente.

Para o ateísmo, no entanto, toda a natureza é apenas um acidente. Não há um objetivo pelo qual estamos aqui e tampouco existe um padrão moral que transcende espaço, tempo e cultura. Assim, idéias como moral, ética, certo, errado, bom e mal são apenas ilusões. Em um mundo ateísta, nós apenas somos condicionados sociobiologicamente a achar algumas coisas certas e outras erradas. Uma questão de pura sobrevivência. Se não agirmos como se matar fosse errado, a sociedade será um caos e a sobrevivência individual estará comprometida.

Mas isso não prova que realmente existe certo e errado. Na verdade, não há nenhuma razão que nos faça pensar que valores morais sejam mais do que meros sentimentos pessoais, opiniões. É subjetivo. Eu posso achar uma coisa e você outra. Porque o mundo não tem um direcionamento. É como um pedaço de madeira que achamos largado no chão. Tanto faz se vamos pegá-lo e fazer dele uma cadeira ou uma prateleira. A madeira simplesmente está ali, à deriva. Nada indica nada. Nada obrigada a nada. O que vamos fazer é só questão de opinião.

Valores morais, no sentido transcendente e objetivo, não existem em um mundo ateísta. As leis que seguimos são apenas para proteção individual. Não significa que, de fato, estuprar uma criança seja errado. É apenas uma atitude contrária à lei. Não faz sentido enxergar o estuprador como um monstro dentro do ateísmo e nem madre Tereza como uma boa mulher. Cada um escolhe o que é melhor para si. Ninguém pode ser moralmente condenado por isso, pois não há moral. Cabe à lei, obviamente, prendê-lo. Mas ele não é imoral. Porque a moral é apenas uma ilusão.

Então, por que a maioria dos ateus é tão moralista? Por que os ateus criticam pastores ladrões e padres pedófilos, por exemplo? Por que os ateus fazem distinção entre alimentar um faminto e queimar uma criança? O que os faz pensar que realmente existe uma moral objetiva?

Há duas explicações. Ou eles insistem que existe moral objetiva porque querem continuar se iludindo (porque não suportariam viver em um mundo onde a pedofilia fosse vista como apenas uma escolha) ou eles insistem que existe uma moral objetiva porque ela realmente existe e todo o ser humano sabe disso. Se a primeira opção está correta, a maioria dos ateus age de maneira irracional. Se a segunda opção está correta, então Deus existe, pois não há moral se não houver Deus.

O que realmente é o capitalismo?

11 comentários:
Uma das maiores dificuldades que a direita tem para conseguir aceitação de suas idéias é que a maioria das pessoas não sabe o que é capitalismo. Falo por experiência própria. Pelo menos 95% das pessoas que conheço creem que capitalismo é um sistema econômico cujas bases podem ser resumidas em três palavras: egoísmo, consumismo e materialismo (no sentido comercial da palavra). Essa é a definição mais popular que existe de capitalismo. Até aqueles que não sabem quase nada de política e economia conhecem essa definição. Todavia, qualquer pessoa que parar um pouquinho para refletir, verá que existe algo muito errado aqui: como é que uma doutrina econômica vai ser definida por posturas individuais?

Este é o “x” da questão. A definição popular de capitalismo na verdade não é a definição de uma doutrina econômica, mas sim de uma postura individual. Ser egoísta, consumista e materialista não depende de qual doutrina econômica você escolhe para seguir. Pode-se ser um comunista, mas só pensar em si mesmo e dar um enorme valor ao consumo e às coisas materiais. Não é porque o comunista acredita em uma economia igualitária que ele se tornará uma pessoa altruísta e desapegada dos bens materiais. 

Imagine que um trabalhador se sinta injustiçado por trabalhar tanto e não ter direito de comprar uma Ferrari, tal como seu patrão. Ele pode se tornar um comunista apenas por querer comprar coisas boas como seu patrão. O fato de ele se unir a outros comunistas não implica em que ele seja um indivíduo de moral elevada que se importa profundamente com o sofrimento de cada trabalhador. O que o move é a vontade de ter algo que não pode ter. Ele se une aos outros por uma questão de identificação, mas pode muito bem ser uma pessoa extremamente insensível, egocêntrica e olho grande. Não é preciso ter um bom caráter para almejar igualdade econômica. Basta querer ter o que não pode ter.

Da mesma maneira, alguém pode concordar com uma economia capitalista, mas ser muito desapegado de bens materiais, comprar pouco, consumir só o que precisa, ser uma pessoa humanitária, ajudar aos necessitados e se importar de verdade com cada pessoa (boa parte dos padres católicos apresentam esse perfil, aliás). Pode-se, inclusive, ser um burguês que paga muito bem aos seus funcionários e que acredita de verdade em projetos beneficentes. Não vejo nenhuma contradição aqui.

Então, fica muito claro que a definição popular de capitalismo é falsa. Ela não descreve uma doutrina econômica, mas sim um conjunto de posturas individuais pouco louváveis, que uma pessoa pode ter independentemente de ser capitalista, comunista ou qualquer outra coisa. Mas de onde surgiu essa definição popular? Pasme o leitor, ela surgiu dos escritos de um intelectual: Karl Marx. Vamos entender.

Marx empregou a palavra capitalismo para descrever um sistema econômico que vinha se consolidando em sua época. Esse sistema pode ser chamado de liberalismo ou economia de livre mercado. Juntamente com seu amigo Engels, ele definiu esse sistema como uma doutrina que se baseava no lucro da classe burguesa (os donos dos meios de produção) em cima do trabalho da classe proletária (os donos da força de trabalho). O nome capitalismo vinha da palavra “capital”, que nos remete à dinheiro, investimento e lucro. Em outras palavras, capitalismo seria uma doutrina baseada no lucro exploratório de uma classe sobre outra. 

A partir daí, fazendo uso de um extremo economicismo (isto é, a economia seria a responsável pelo modo como todas as coisas se dão: religião, cultura, hábitos...), Marx conclui que o sistema capitalista seria altamente egoísta e consumista. Em um capítulo de O Capital, ele e seu companheiro se dedicam inteiramente a falar sobre o Fetichismo da economia capitalista, que seria, grosso modo, a mentalidade gerada pelo sistema de fazer as pessoas terem vontade de comprar mais do que necessitam. A conclusão de Marx levou todos os marxistas posteriores a relacionarem, como ele, consumismo e egoísmo com o sistema capitalista.

Não é objetivo desse texto, analisar propriamente as idéias de Marx. Mas quero dizer que a definição de Marx está completamente errada. A definição correta de capitalismo, ou melhor, de liberalismo econômico (o termo adequado) é: uma doutrina que se baseia na liberdade do indivíduo de fazer coisas como comprar, vender, trabalhar para uma indústria, montar seu próprio negócio e concorrer comercialmente, sem que o governo intervenha nessas escolhas individuais (seja auxiliando ou prejudicando). Essa é a definição correta do sistema que Marx tentou descrever.

As idéias de exploração, egoísmo, materialismo comercial e consumismo não fazem parte da definição do sistema econômico de livre mercado. Tais posturas têm a ver com caráter individual, natureza humana, moral, ética, cultura, contexto e etc. Ver o capitalismo como um sistema que se baseia nessas posturas é confundir sistema com conduta pessoal. 

Da parte da população leiga, isso é ingenuidade. Da parte das pessoas que realmente acreditam no marxismo, isso idiotice. Mas da parte dos estudiosos marxistas, isso é desonestidade mesmo. O estudioso marxista sabe que relacionar o capitalismo com o consumismo, egoísmo e exploração, por mais que tais condutas independam dos sistemas econômicos adotados, cria uma distorção enorme no entendimento do que seria uma economia de livre mercado. Diversas vezes ouvi pessoas dizendo: “Olha aí como o nosso governo beneficia os grandes empresários! Olha quantos escândalos envolvendo empresas privadas e governo! Bando de porcos capitalistas! Nosso governo é muito capitalista mesmo!”. Percebe a distorção? As pessoas acreditam que o capitalismo é culpado exatamente por aquilo que, na verdade, ele condena: a intervenção do governo.

Também ouço demais as pessoas dizendo: “É rapaz, vivemos em um mundo capitalista. As pessoas só pensam em comprar. Só pensam em bens materiais”. Ou mesmo: “Esse mundo é capitalista. Todo mundo só pensa em si mesmo. Não se tem amor ao próximo”. Uma mulher que compra dois mil pares de sapato ou um homem que troca de carro de seis em seis meses são considerados frutos do sistema capitalista. Um rico empresário que se recusa a ajudar necessitados é culpa do capitalismo. Ninguém diz que a culpa, na verdade, é toda do indivíduo. Ninguém diz que é ele que apresenta uma conduta deplorável em relação à oferta de produtos ou à riqueza. Ninguém lembra que é a pessoa que escolhe como ela irá agir. A culpa é do capitalismo. Porque é o capitalismo que é consumista e não as pessoas, segundo a lógica marxista.

O marxismo usa as idéias de fetiche da economia capitalista e de alienação do proletariado para provar que todos nós somos apenas marionetes de um sistema exploratório, sem opinião e sem direito de escolha. O marxismo tenta vender a idéia de que você não tem autonomia: se existem muitas empresas, muita variedade de produtos e muita propaganda, você, inevitavelmente se tornará consumista e egoísta. A não ser que aceite o comunismo e se empenhe em destruir o capitalismo. Porque é no sistema capitalista que reside o egoísmo, o consumismo e a exploração. Se você se opõe a ele, você se torna uma pessoa de bom caráter e seus pecados são justificados. Você aceitou o Santo Comunismo Cristo, todo-poderoso. É o que te salva. Os capitalistas, entretanto, são os ímpios. Estes deverão sofrer condenação por seu pecado “capital”.

O leitor percebe o truque? Uma simples definição errônea do sistema capitalista é o suficiente para que a economia de livre mercado seja considerada o grande mal do mundo. E por mais contraditório que seja, a definição errônea nos leva a acreditar que liberalismo econômico é tudo aquilo que não é comunismo. Não importa o quanto o governo intervenha na economia com regulamentações, burocracia, altíssimos impostos e parcerias com empresas privadas, nós continuamos a acreditar que isso é o mais puro capitalismo existente. O marxismo nos fez acreditar que qualquer sistema exploratório é capitalismo. Pode ser a economia menos livre do mundo, onde o governo intervém até nos preços dos alimentos: se há exploração, o sistema é capitalista. 

Então, para tentar desfazer essa distorção na cabeça do leitor que aprendeu desde pequeno a pensar nesses moldes, ratifico: capitalismo não é sinônimo de exploração, consumismo e egoísmo. Capitalismo é liberalismo econômico. E liberalismo econômico é sinônimo de pouca burocracia para montar negócios, pouca regulamentação, ausência de empresas e/ou parcerias público-privadas, baixos impostos, livre concorrência entre as empresas privadas, poucos serviços públicos, poucos gastos públicos, enfim, pouca intervenção governamental. Isso é o capitalismo em seu estado mais puro. Quanto mais um governo se distancia desses padrões, menos capitalista ele se torna. Há índices que medem isso, como o índice de liberdade econômica, o índice de facilidade de se abrir negócios e etc. 

Por fim, o leitor pode até não concordar com o sistema capitalista, achar que ele traz muitos problemas e entender que o governo precisa intervir (não é a minha opinião, mas eu respeito). Agora, o que é inconcebível é discordar do capitalismo sem entender o que ele, de fato, significa. O leitor acha ruim a exploração, o egoísmo, o consumismo e o apego aos bens materiais? Eu também. Mas isso não é uma discussão econômica. Se vamos discutir sobre capitalismo, então vamos discutir sobre livre mercado. Essa é a definição correta. O que passar disso, provém do maligno.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Ao manifestante brasileiro

Nenhum comentário:
Tem algumas coisas que eu gostaria de dizer às pessoas que tem saído às ruas para se manifestar a favor de um Brasil melhor ou que não saíram, mas apoiam a causa com todo o fervor. Em primeiro lugar, um elogio. Eu admiro o fato de o brasileiro estar se mobilizando politicamente e cobrando dos políticos que são, no fim das contas, os nossos funcionários. Sou a favor. Legal. O elogio acaba aqui.

Concordar com a mobilização política do povo não significa concordar com o que o povo tem proposto para mudar o Brasil. Salvo a oposição dos brasileiros contra projetos infames como a PEC 37 e semelhantes, o que tenho visto ser pedido pelos manifestantes são coisas tão idiotas que provam categoricamente que o brasileiro, no geral, ainda não entende absolutamente nada de política. Então, aqui vão as críticas.

O manifestante reclama do descaso do governo com a saúde e a educação. Aí vai à rua e pede mais investimentos do governo nessas áreas. Está errado! Se o problema é o descaso do governo, pedir mais investimento só vai agravar a situação. O governo não tem capacidade de administrar bem esses setores. Já ficou mais que provado. Então, dar mais dinheiro para o governo é pedir para ser roubado. Aliás, devo ressaltar que o Brasil é um dos países que mais investe em educação. É a administração que não é boa.

O manifestante pede a estatização dos ônibus. Meu Deus, mas se o governo não administra bem nem mesmo os hospitais públicos, você acha mesmo que ele vai gerir o sistema de transportes com louvor?

O manifestante pede o fim da polícia militar e a união das polícias. Mas para quê? Centralizar as coisas sempre torna mais fácil o autoritarismo. O princípio básico da democracia é a tensão entre os poderes. Na polícia não tem porque ser diferente. Cada polícia deve trabalhar na sua área. Os problemas da incompetência da polícia, da corrupção interna e da violência dos PM’s só serão resolvidos com uma coisa: rigor nas leis penais.

Rigor nas leis. Eis uma coisa que eu não vi os manifestantes pedindo. Pessoas são assaltadas, violentadas e mortas todos os dias por bandidos menores de idade. Estes cometem os mesmos crimes dia após dia e não são presos por causada da lei absurda que proíbe menores de responderem por seus crimes. Cadê os protestos contra isso? E quanto aos imprudentes do trânsito, que dirigem bêbados e não perdem suas carteiras mesmo quando matam alguém? Por que os manifestantes não falaram nisso? E o tempo máximo de prisão, que é só de 30 anos, com direito a redução de pena, mesmo quando o crime cometido foi hediondo? E as autoridades que cometem crimes e em vez de serem julgados por tribunais civis, são julgados por tribunais especiais e, no máximo, recebem a pena serem afastados de seus cargos? Não vi ninguém protestar contra esses tópicos e pedir uma lei mais rígida.

Sabe por que o manifestante não pede leis rígidas? Sabe por que ele não se concentra nisso? Porque ele é tolo. Ainda acredita na lorota de que se o governo for bom e os policias forem bons e todo mundo for bom, a gente resolve tudo. Mas não é assim. O homem precisa de limites. E o que limita o homem não é a boa intenção de um governo, ou as teorias bem intencionadas de acadêmicos, ou as vigorosas manifestações de milhões de pessoas. Sinto muito. O que impõe limites ao homem é a lei. Se a lei é fraca, os limites são fracos.

O manifestante vai à rua e reclama contra a corrupção. Está certo. Mas quer entregar mais poder e funções nas mãos do governo. Está errado. Ele não consegue enxergar que quanto mais ele exigir que o governo resolva os problemas, mais problemas ele vai criar. Porque, como diria o ex-presidente americano Ronald Reagan: “O governo não é a solução. É o problema”.

O manifestante grita contra o desvio de verbas, mas não grita pela diminuição dos impostos. Cadê as milhões de pessoas pedindo: “Reduza os impostos!”. Pedir redução de tarifa de ônibus não adianta, porque o nosso governo entende que precisa gerir os negócios do país junto com os empresários. Então, se a tarifa é diminuída, o governo aumenta o imposto. Não existe almoço grátis, meu amigo. Alguém vai ter que pagar pela redução. E não serão os políticos.

Ora, mesmo entre os manifestantes que desejam menos impostos, é uma minoria que realmente sabe no que isso implica. Diminuir impostos é tirar a mão do governo sobre os serviços. Afinal, são os impostos que financiam os serviços públicos, querido leitor. Ou seja, quem quer diminuir impostos, deve ser a favor da privatização de empresas públicas, do fim de bolsas para pobres, do incentivo à iniciativa privada, do incentivo à concorrência entre as empresas privadas (pois é a concorrência que diminui os preços, melhora os serviços e reduz os monopólios) e etc.

O manifestante brasileiro é ignorante. Ele ainda acha que a culpa dos problemas do Brasil é o “capitalismo selvagem”, porque ele aprendeu desde pequeno que capitalismo é a união de políticos e empresários para lucrar em cima do povo. Ele não sabe que “capitalismo” na verdade é a economia de livre mercado (ou liberalismo), uma doutrina que luta para que o governo se meta o mínimo possível na economia e que, portanto, quanto mais o governo se une com empresários, menos capitalista o país se torna. Quer dizer, o problema do Brasil é justamente ser pouco capitalista.

O manifestante é ingênuo. Ele cai na ladainha do nosso governo de que privatizar é entregar o patrimônio público nas mãos das empresas. Não é! As empresas públicas não são nossas, são do governo. É ele que lucra com elas, pois pode usá-las para fazer propaganda política quando convém, para oferecer empregos para seus amigos e para desviar dinheiro público. Quando se privatiza, os serviços melhoram, a empresa lucra mais e o governo continua arrecadando dinheiro pelos impostos que essas empresas pagam. E se temos mais empresas lucrativas pagando impostos, os impostos que a população paga pode ser diminuído. Quer dizer, a privatização é ruim apenas para o nosso governo de esquerda, que quer fazer a festa com nosso dinheiro. Mas qual é o manifestante que falou sobre isso?

O manifestante brasileiro ainda acredita nas mentiras que a esquerda diz. Ele crê que os grandes empresários são de direita. Não são. Pequenos empresários podem até almejar um governo de direita, pois sabem que a direita arranca as imensas burocracias e regulamentações que o governo impõe, que dificultam sua sobrevivência. Mas grandes empresários amam governos de esquerda (desde que esses não sejam comunistas), pois as dificuldades que eles impõem as empresas fazem com que só as grandes consigam sobreviver; também por causa das alianças que esses governos acabam fazendo com os empresários, já que, para a esquerda, o governo deve sempre intervir na economia. Os grandes impérios são fruto direto da intervenção governamental.

O manifestante brasileiro, sobretudo o jovem universitário, vê com bons olhos o Che Guevara, que foi um louco, genocida, que lutou por uma utopia a vida inteira. Ele simpatiza com socialistas e comunistas, ignorando o fato de que essas ideologias, quando postas em prática foram responsáveis por matar mais de 100 milhões de pessoas durante o século XX (mais do que o Nazismo, que matou 50 milhões). Ele acha que só a esquerda muda o cenário político, ignorando grandes revoluções como a americana e a inglesa, que foram feitas por direitistas conservadores. Ele não entende que quanto mais o governo acumula funções e impostos, mais chance ele tem de se tornar um estado totalitário e ditatorial. Ele não entende que quanto mais um governo intervém, mais a liberdade de expressão é tolhida. Ele não vê que o enorme poder que temos dado ao governo através de nosso dinheiro é o responsável pelos desvios de verba e pela terrível incompetência administrativa.

O manifestante brasileiro sequer tem senso crítico. Mesmo aqueles que têm um pouco mais de conhecimento (e eu torno a falar aqui dos universitários), acreditam nos livros que dizem que o Nacional Socialismo alemão foi de direita, que a ditadura militar brasileira foi de direita, que o PSDB é de direita. Conhece Marx e diversos autores de esquerda, mas é incapaz de citar ideias de autores como Burke, Bastiat, Tocqueville, Kirk, Voegelin, Mises e Hayek (os principais autores de direita). O universitário do Brasil chega a ser uma ameaça à democracia. Ele se levanta para aplaudir ditaduras comunistas, dizendo que os países com estes regimes são verdadeiramente livres. Ele demoniza os americanos. Ele acha que nos EUA todo mundo é de direita e que o Partido Democrata é igual ao Partido Republicano (meu Deus…) e como odeia a direita sorri quando lembra do ataque às torres gêmeas (não é exagero de minha parte, pois já vi isso mais de uma vez na minha universidade).

O manifestante brasileiro cai na armadilha da luta esquerdista pelo “estado laico”, que na verdade é a luta pela eliminação da moral judaico-cristã e da liberdade de expressão dos conservadores. Ele cai na armadilha esquerdista de que a grande mídia é de direita. Tudo bem, ela pode não ser comunista, mas está a quilômetros de distância de ser de direita. Se ela fosse direitista, defenderia o fim da burocracia para a criação de canais abertos de TV, por exemplo. Se fosse direitista, pararia de fazer do homossexual uma classe de pessoas que não pode ser criticada e de incentivar a destruição da família tradicional, ao tentar normatizar adultérios, libertinagem e relacionamentos abertos (não que as pessoas não tenham direito de fazer isso; cada um faz o que quiser, mas não quer dizer que seja normal). A grande mídia é socialdemocrata. É aquela esquerda moderada, quase centro, que não quer o radicalismo comunista, mas corre do conservadorismo moral e do laissez-faire econômico da direita.

O manifestante brasileiro está totalmente perdido. Ele acha que o seu país acordou e que as pessoas estão mais politizadas. A verdade é que o povo brasileiro levantou, mas não acordou. Ele é um enorme gigante sonâmbulo que está sendo guiado por um governo também gigante e cheio de poder. É por isso que não estou muito esperançoso quanto a essas manifestações. O que sairá daí? Mais serviços públicos mal administrados? Mais empresas públicas desviando dinheiro? Mais leis frágeis e cheias de brechas? Mais impostos? Mais empresas hegemônicas? Mais inflações causadas pela intervenção governamental através do Baco Central? Mais governo? Mais estatismo? Mais utopia? Mais esquerda? Já não basta?

Por isso, venho pedir encarecidamente aos manifestantes: parem de lutar por mais governo. Lutem por um governo menor, menos poderoso, com menos funções e que cobra menos impostos. Lutem por um governo que intervém menos e que se dedica apenas às suas funções primordiais: criar e zelar pelas leis, julgar crimes, proteger interna e externamente o país. É só assim que as coisas poderão melhorar um pouco.