domingo, 13 de abril de 2014

Capitalismo gera miséria?

Muitas pessoas costumam associar capitalismo à miséria. Para elas, o culpado de haver pessoas miseráveis e passando fome, enquanto outras esbanjam dinheiro, é do capitalismo. Mas será que existe uma relação direta entre capitalismo e miséria? Vamos pensar um pouco.

O que chamam de capitalismo por aí, nada mais é do que o liberalismo econômico. Este sistema surgido por volta dos séculos XIII e XIX com a revolução industrial pode ser resumido, grosso modo, no seguinte: liberdade de comprar e vender. Em outras palavras, quanto mais liberdade as pessoas tiverem para comprar e vender em um determinado país, mais liberal (ou capitalista) é este país. Isso significa que em um país muito capitalista, o governo não criará muitas restrições, imposições e dificuldades para a criação e manutenção de empresas privadas. Segue-se, com isso, que teremos neste país mais empresas competindo no mercado. Com mais empresas, haverá mais empregos. Com mais empregos, haverão menos desempregados. Com menos desempregados, haverá menos miséria.

Vamos pensar por outro ângulo. O que leva uma pessoa à miséria? É a falta de emprego, certo? Como resolvemos este problema? Criando empregos. Como se cria empregos? Criando empresas. E quem cria empresas? Só existem duas opções aqui: ou o setor público ou o setor privado. Sabemos o setor público carece de boa administração. Sobra o setor privado. Resumo da ópera: quanto mais se incentivar a iniciativa privada, mais empregos teremos e, com isso, menos miseráveis. 

Ainda explorando este pensamento. Por que os empregados privados de países miseráveis ganham tão mal? Dizer que é culpa do capitalismo não é coerente, pois acabamos de ver que o capitalismo gera empresas e empresas geram empregos. Ou seja, se não fosse o capitalismo, esses mesmos que ganham pouco, não ganhariam nada, pois não trabalhariam em uma empresa privada. E então? 

A resposta para nossa pergunta é a seguinte: nesses países há um número pequeno de empresas e um número grande de miseráveis. Assim, o empregado não tem muita opção de emprego e precisa se submeter a baixos salários. E as poucas empresas, por sua vez, tem um número enorme de mão de obra disponível, podendo escolher os melhores à baixo custo. 

MAS se aumentamos o número de empresas, temos mais empregos. Com mais empregos, o empregado tem mais opções de escolha e as empresas, por sua vez, precisam disputar entre si os melhores funcionários do mercado. 

Concomitantemente, o aumento de empregos e a diminuição de preços causada pela concorrência entre as empresas torna, gradualmente, a condição financeira da sociedade um pouco melhor. Isso resulta em mais investimentos pessoais em especializações, elevando a qualidade da mão de obra disponível no mercado. O que se segue depois de alguns anos são boas economias e bons IDH's. 

Esse tipo de dinâmica não é teoria. Vê-se isso em países como Nova Zelândia, Austrália, Canadá, Cingapura, Suíça, Japão e Hong Kong. Estes são os países mais capitalistas do mundo, países que sempre figuram nas primeiras posições de rankings como o de "Facilidade de se fazer negócios" e o de "Liberdade Econômica". E, não por acaso, os países que ocupam as piores posições desses rankings (isto é, os menos capitalistas) são os mais miseráveis. Procure pelos países africanos, só para fazer um teste. 

Aí eu te pergunto: o capitalismo gera mesmo miséria?

53 comentários:

  1. A questão não está nas portas que o capitilismo abre, mas sim nas que eles fecha antes mesmo de abrir!

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  2. Sim, o capitalismo gera miséria

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    1. Quais países da África são capitalistas?

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    2. os caras dizendo que a africa é pobre por causa do capitalismo mal sabem que a maioria dos paises africanos vivem ditaduras socialistas

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    3. o pessoal comentando que a africa é pobre por causa do capitalismo mal sabe que a africa vive em regimes socialistas

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  3. Davi, excelente texto! Tenho lido seus artigos recentemente e percebo, à medida que os leio, seu amplo conhecimento, principalmente, sobre questões políticas, econômicas e sociais. Sendo assim, e fugindo um pouco do tema "capitalismo", gostaria de saber sua posição em relação à pena de morte e à maioridade penal, uma vez que percebi semelhanças da sua forma de percepção com a minha. Grato desde já.

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  4. Obrigado pelas palavras, Lucas. Bom, quanto a pena de morte, eu sou contra. Por três motivos: (1) outorgar ao Estado o direito de matar é algo perigoso. Não confio. Até porque se temos a infelicidade de ficar dez anos com um governo como o PT, por exemplo, o risco de o governo se aparelhar aos tribubais pra levar à morte seus adversários é muito real; (2) com ou sem pena de morte sempre existe a possibilidade de condenar pessoas inocentes. A diferença é óbvia. Com pena de morte o erro não pode ser revertido; (3) a pena de morte cria a "profissão" de carrasco. Valorizar um assassino dessa forma não me parece algo muito correto do ponto de vista da moral.

    Quanto a maioridade penal, sou absolutamente a favor de sua redução. Na verdade, penso que para crimes graves, hediondos ou que já tenham sido cometidos muitas vezes pelo criminoso, penso que a prisão deveria ocorrer em qualquer idade. Então, se um menino de sete anos esfaqueia e mata outro, ele deve ser preso. É claro que ele não deve ser preso numa cela comum, em um presidio comum, com pessoas maiores que ele. É claro que ele vai precisar de um acompanhamento psicologico e psiquiatrico especial. Mas que ele tem ser isolado da sociedade isso é inegável. A função da prisão é proteger o cidadão honesto. Se um individuo, portanto, causa perigo à vida ou integriade fisica do cidadão honesto, ele precisa ser isolado até que se tenha certeza de que ele vai poder voltar. Não importa a idade. O foco não é o criminoso. O foco é o cidadão honesto. Inverter essa mentalidade é priorizar o criminoso em detrimento do cidadão honesto.

    Geralmente, um dos argumentos contra o que estou te falando é que nossas prisões são horríveis; colocar jovens nelas seria condena-los a não se regenerarem.

    Eu concordo que nossas prisões são horríveis. Mas não se conserta um erro com outro erro. Priorizar o criminoso porque as prisões são horríveis é errar duas vezes. E no mais, o cidadão honesto não tem nada a ver com isso.

    Se o problema está na prisão, resolva o problema da prisão, ora. Jeito de resolver tem. Bota uma fábrica em cada prisão pra administrar o lugar e empregar os presos. Pronto. Os caras vão trabalhar, a empresa vai ter que melhorar a estrutura do local e a sociedade não sequer precisar sustentar os presidiários, já que eles mesmos vão ganhar o salário deles. E todo mundo que for ameaça para a sociedade vai pra lá e fica o tempo que for necessário. Resolvido. O Estado não precisa nem gastar dinheiro. Por que não? Essa é a minha posição.

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    1. Penso de uma forma muito semelhante, Davi, em relação à maioridade penal. No entanto, discordo um pouco no que tange a pena de morte. Não a vejo como algo para se acontecer constantemente, mas sim em casos cujo crime seja doloso e com reincidência. Em contrapartida, ainda há muito a se pensar sobre o assunto, pois, como você disse, atribuir a alguém a "profissão" de carrasco não é moralmente correto ao meu ver. Além disso, acrescento que não só o governo do PT, mas toda a corja de políticos desonestos e corruptos podem se aparelhar, de fato, aos tribunais para "tirar proveito" de tal lei. Não tenho uma opinião totalmente formada sobre a pena de morte, por isso queria ter conhecimento do seu ponto de vista. Obrigado.

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  5. o capitalismo ou liberalismo economico classico é uma utopia as pessoas tem uma natureza q nao permite funcionar primeiro q o dinheiro é piramidal sempre vai ter aquelas pessoas q vao ganhar mais q as outras causando inveja nao funciona

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    1. O comunismo é uma utopia. As pessoas tem uma natureza que não permite funcionar. Primeiro porque o dinheiro e o poder são piramidais. Sempre vão existir os governantes, que terão mais poder e dinheiro que o povo, causando ditadura. Não funciona.

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  6. eu acredito q o capitalismo gera miseria porque o maior objetivo da maioria dos empresarios e o lucro vc ve a realidade do dia a dia q a empresa nao tem responsabilidade social eles nao se preocupam com o numero de pessoas na miseria é lamentavel por isso o capitalismo nao funciona

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  7. Prezado USB,

    Primeiro, o que você entende como "o liberalismo funcionar"? Se você acha que funcionar é fazer com que todos ganhem o mesmo salário ou que não haja mais pobres, não funciona mesmo. Nem o liberalismo, nem qualquer outro sistema. Agora, o liberalismo não primete isso. Ele promete sim uma melhora geral de condição de vida. E de fato, os países de economia mais livre são os que tem o melhor IDH e os nenorea indices de miséria. Paises como Suiça, Canadá, Coreia do Sul, Japão, Inglaterra, Nova Zelandia, Alemanha e etc. Então, nesse sentido, funciona.

    Segundo, os empresarios querem lucro sim. E eles só conseguem esses lucros se (1) seus consumidores puderem comprar seua produtos e (2) se eles conseguirem se manter bem diante da concorrência. Essea dois fatores beneficiam o pobre, pois obrigam os empresários a manterem preços razoáveis. Quanto mais competição houver, mais os empresário precisarão ter preços acessíveis ou uma boa qualidade no produto. Por isso o liberalismo econômico beneficia o pobre e dá a ele cada vez mais acesso a bens.

    Att.,

    Davi Caldas.

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  8. "Procure pelos países africanos, só para fazer um teste."
    Os países africanos foram extremamente explorados, recursos naturais, escravos....
    E você quer comparar com Canadá? Suíça? Que tipo de droga esse cara usa, que isso.
    Ele fala como se os negros não sofressem preconceitos até hoje, como se empresários, mesmo que por um momento sequer, pensariam em seus funcionários antes de pensar no lucro. kkkk A produção de alimento é suficiente para sustentar 2x a população do planeta e ainda assim grande parte (não estou atualizado quanto a valores) passa fome. E vem falar que o liberalismo econômico é bom. Meu Deus.

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    1. Deixe-me ver se entendi. Você está querendo dizer que:

      (1) uma vez explorado no passado, nunca mais o país poderá se reerguer. Será miserável eternamente. Não há nada o que se possa fazer;

      (2) existe liberalismo econômico em todos esses países pobres.

      É isso?

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    2. Em 1945 os EUA jogou uma bomba em Hiroxima e Nagasaki matando mais de 2 milhões de pessoas.Mas olhe para essas cidades hoje em dia.Super desenvolvidas graças ao capitalismo de mercado.

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  9. Davi, como você vê a solução para o meio ambiente?

    Com mais empresas e fábricas, mais recursos da natureza são extraídos.
    Não consigo ver como uma empresa, sendo capitalista, conseguiria resolver essa questão fundamental para a continuação da nossa espécie :)

    Também gostaria de saber se você investiria um dinheiro excedente que você conquistou para ajudar os mais necessitados.

    abraço!

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    1. Prezada Camila,

      Existem formas de desenvolvimento sustentável. Não é preciso acabar com o capitalismo para que ideias sustentáveis existam. Há empresas grandes que aderem a essas ideias. O governo pode fazer duas coisas para incentivar:

      (1) reduzir impostos de quem optar por ser sustentável. Isso fará com que ser sustentável se torne lucrativo;
      (2) permitir e incentivar que a criatividade role solta. O ser humano tem uma enorme capacidade criativa. Se deixá-la aflorar, ele vai criar meios de enriquecer mais que o normal sem destruir o ambiente.

      Sobre se eu investiria dinheiro excedente para ajudar necessitados? Sim, eu faria isso. Na verdade, mesmo sendo pobre, toda vez que eu saio na rua, ajudo alguém. E geralmente com dinheiro acima do que as pessoas normalmente dão. Se eu fosse rico, faria como muitos capitalistas fazem: dão milhares de bolsas de estudo, criam projetos que envolvem atividades para jovens, financiam instituições de caridade e, claro, o mais importante: geram empregos com suas empresas (a melhor forma de ajudar as pessoas, diga-se de passagem).

      Att.,

      Davi Caldas.





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  10. Concordo que o Capitalismo é atualmente o melhor sistema econômico, no entanto, não acredito no liberalismo sem limites. O governo deve existir, e deve funcionar, sempre garantindo o direito de todo indivíduo, impedindo que as empresas de alguma forma criem monopólios que beneficiam apenas a elite e deixe a população mais baixa na miséria.
    Sabemos que isso é possível, e a realidade virá quando as empresas começarem a substituir as pessoas pelas máquinas... Como é o caso de uma indústria na China, que demitiu 90% dos funcionários para automatizar-se. E com o avanço da tecnologia, em breve não será mais necessário que todos trabalhem. Quem garantirá a vida dos "desempregados"? Bom, talvez não seja uma questão para o Brasil responder, porque esta realidade ainda é muito distante para nós.

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    1. "[...] no entanto, não acredito no liberalismo sem limites".

      Nem eu. Não sou anarcocapitalista.

      "E com o avanço da tecnologia, em breve não será mais necessário que todos trabalhem. Quem garantirá a vida dos "desempregados"?"

      A criatividade humana costuma a dar conta do recado. Prever o que será criado não há como. Ademais, apelar ao Estado de bem estar social, por exemplo, também gera problemas futuros. Esse sistema é uma pirâmide. Com o crescimento do número de beneficiados pelo governo, quem irá sustentá-los na base? Esse é um problema que os Estados europeus estão começando a enfrentar hoje. O sistema vai entrar em colapso. Como resolve?

      Att.,

      Davi Caldas.

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  11. Ou seja, o que gera miséria não é o capitalismo,mas a falta dele. Parabéns pelo texto.

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    1. Exatamente, Rafael.

      Obrigado pelas palavras.

      Abçs.,

      Davi Caldas.

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  12. se o mundo inteiro for capitalista ele quebra , o capitalismo só fuciona , por que ele mantem a tradição da exploração , eu ganho 600 mil por mês e quero pagar um salario de fome e escravizar um garoto de 8 anos lá na africa , por que aqui no meu pais a qualidade de vida aumentou e ninguém mais quer ganhar pouco .
    agora imagine o que vai ser do capitalismo a hora que todo mundo quiser ganhar 600 mil . isso é matematica a conta não fecha , não precisa ser cientista politico

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  13. Eu vejo pessoas que chegam à internet, justamente feito você, e argumentam acerca do sucesso de países que se tornaram desenvolvidos, supostamente após se entregarem ao liberalismo. Então eu gostaria de comentar esse tópico do seu texto, que mostra que, como tudo no capitalismo, as coisas não são tão simplistas assim quanto vocês pensam que é. Ademais, para aqueles que querem ter uma visão melhor acerca de como funciona esses países desenvolvidos, de como eles chegaram lá - e não, não foi com o liberalismo, ao contrário do que vocês pregam- e o que eles fizeram, eu recomendo a leitura do livro “Chutando a Escada” do autor Ha-Joon Chang, um economista sul-coreano.
    Então, se me permite, eu irei analisar para você casos de países que se tornaram desenvolvidos e sua relação com o liberalismo.

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  14. ACERCA DO SUCESSO DA SUÍÇA E SUÉCIA
    Não é que “A Finlândia/Suécia/Suíça/Noruega são bem administradas, ou graças a um suposto liberalismo”.
    A Suíça sendo o maior paraíso fiscal do mundo concentra em seus bancos todo o capital (dinheiro) oriundo das mais podres e lucrativas atividades (como narcotráfico, venda de escravos (as) sexuais, venda de órgãos, e todo outro tipo de podridão lucrativa a qual você possa imaginar).
    Depois toda esta renda acumulada na Suíça é repassada para seus maiores alicerces econômicos, como a Suécia e outros países escandinavos- que além de jamais terem entrado em guerras relevantes no período de formação e acumulação do capitalismo, sempre tiveram os bolsos entupidos de dinheiro, por motivos históricos.
    Assim fica fácil construir um paraíso à custa do sangue e da desgraça alheia com dinheiro de empresário podre, sendo um pilar da degeneração, corrupção do mundo.
    Quanto a Suécia, além do fator ali em cima da ajuda da Suíça, ela se industrializou e se desenvolveu inteiramente com um sistema de máxima intervenção do Estado, que na época era chamado de social-corporativismo. A partir de 1892 adotou políticas de proteção tarifária e subsídios industriais, principalmente na engenharia. Na virada do século implementou um imposto progressivo anual sobre o capital, ainda que tímido e para registro.
    A partir de 1913 sempre teve índice médio de tarifas entre os mais altos da Europa, chegando a certos períodos, a partir de 1930, a ocupar o segundo lugar em uma lista de países europeus em grau de proteção industrial. Foi onde teve o desempenho favorecido nestas décadas, sendo superada apenas pela Finlândia em termos de crescimento mais rápido relativo ao PIB por horas de trabalho, de 1900 a 1913. A empresa ferroviária estatal implementou o circuito da rede e de bens transportados. Também foi quem implementou o sistema de telefonia e hidroelétrica, sim, em parcerias público-privadas. Outra característica particular da industrialização sueca é que nesta fase ela nunca deu muita importância à propriedade intelectual.
    Para se informar mais a respeito, ler o livro The Small Giant: Sweden Enters the Industrial Era, de Carl G. Gustavson; o artigo Organising development: Comparing the national systems of entrepreneurship in Sweden and South Korea, de Ha-Joon Chang e Richard Kozul‐Wright; o livro From Great Power to Welfare State de Kurt Samuelsson, entre outros.
    Interessante é que Piketty demonstra que até 1912, ela possuía patamar de desigualdade de riqueza e de detenção de capital a níveis comparáveis ao do Reino Unido e acima da média europeia.

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  15. Em 1936, quatro anos após a vitória do Partido Trabalhista Social Democrata nas eleições, celebrou-se o acordo “Saltjösbaden”, em que os empregadores se comprometeram a financiar um welfare state grande e investimentos, em troca dos trabalhadores acordarem em evitar ao máximo greves e reivindicações salariais altas. As SAC’s, sub-centrais sindicais- a grande central era a LO – de lá, passaram a ter assentos nos conselhos das empresas e o Estado promoveu o altíssimo nível de sindicalização dos trabalhadores, tendo implementado os “fundos de assalariados”, tal como explicado nos livros The Democratic Class Struggle e The Limits of Social Democracy: Investment Politics in Sweden, de Jonas Pontusson.
    A partir daí houvera o grande “upgranding” industrial de lá. A partir da década de 50 se instituira o Plano Rehn-Meidner, equalizando os salários do mesmo tipo de mão de obra em todas as indústrias, para pressionar os capitalistas dos setores mais mal remunerados a aumentar o estoque de capital e propiciar aos dos setores melhores remunerados reter lucros extras e expandirem-se mais depressa, junto com políticas públicas de realocação de mão de obra, conforme o artigo The Systems of Innovation Approach and Innovation Policy: An account of the state of the art, de Charles Edquist.
    Durante este período, foi muito importante também a indústria bélica, que apesar de em volume não ser das mais significativas em participação no comércio mundial, ser uma das destaques em tecnologia e valor agregado, com exportações também para ditaduras em países subdesenvolvidos da Ásia, África e América Latina.
    Ocorrera que o país sofreu, como generalizadamente no mundo, com os choques de Petróleo e dos preços de outros recursos minerais da década de 70, o que provocou algo como um terremoto em sua indústria metalúrgica. A sobrevalorização dos juros das dívidas mundiais também causou problemas fiscais e a alta de produtos essenciais levara a uma onda inflacionária. Na década de 90, ante a última onda de globalização da economia mundial, com os impactos das novas tecnologias de comunicação nas transações financeiras mundiais, a nova oferta maciça de produtos asiáticos e as oportunidades de liquidez mundiais, o país, como muitos, viu diante de si a necessidade de promover reestruturações produtivas e ajustes fiscais. Promoveu uma liberalização sobretudo no setor de serviços e cortes em programas sociais para diminuir a moeda circulante e a carga tributária. Contudo, após grande insatisfação social, retomaram-se com mais forças os programas de seguridade e bem-estar social, com a carga tributária ultrapassando 45%, chegando a mais de 50% da renda nacional.
    Destacou-se a eliminação drástica de barreiras tarifárias, numa ação coordenada a partir de cálculos de utilidade, setor por setor, a partir da consideração do consolidado parque produtivo nacional e esfera institucional de negociações entre empresas, sindicatos e Estado para amortecer impactos sociais. Leve-se em conta também outras formas mais indiretas de protecionismo que advém da adesão às do bloco da União Europeia, em relação a países fora do bloco. O resultado é que o setor que mais experimentou crescimento da participação estrangeira foi o de serviços, sendo que ainda assim uma das principais forças da economia é a exportação de equipamentos de telefonia e tecnologia da informação, de produção nacional. A indústria nacional exporta também máquinas, aço, celulose e derivados, sem ameaças de serem compradas. Seus principais parceiros econômicos são Alemanha, Noruega, Dinamarca, Reino Unido e Holanda.

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  16. A produção doméstica industrial diminuiu de 58% em 1985 para 52% em 1996, ou seja, foi relativamente pouco afetada. A participação de multinacionais no comércio total sueco acabou por diminuir, de 61% em 1982 para 52% em 1992, e o comércio intrafirma aumentou de 24 para 26%. O Estado participa, sim hoje, fortemente da economia com empresas e serviços. A administração pública, a defesa, a educação, a saúde e os serviços sociais são os setores proeminentes da economia do país, representando 24%, enquanto a indústria representa cerca de 20%:
    ORGANISATION for Economic Cooperation and Development. OECD economic outlook 59 e 60. Paris,1996.
    Uma pesquisa comparativa entre 173 países sobre legislação trabalhista e proteção aos trabalhadores, coordenada pela pesquisadora Jody Heymann, fundadora do Global Working Families em Harvard e diretora do Instituto para Políticas Sociais e de Saúde da Universidade Mc Gil em Montreal, no Canadá, apontou a Suécia, juntamente com a Finlândia como os países em que os trabalhadores e trabalhadoras possuem mais benefícios em previsão legal.
    É engraçado também lembrar que mais de 80% dos trabalhadores são sindicalizados, sendo que os acordos coletivos podem abarcar quaisquer aspectos do relacionamento entre entidade patronal e empregados. Um pesadelo para os plutocratas atomistas. Hoje em dia o país se baseia num sistema gigante de welfare state com esse capital acumulado.

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  17. “O SUCESSO DA ALEMANHA OCIDENTAL”
    Em reação à modinha anarcocapitalista, alguns adolescentes resolveram inventar uma modinha “ordoliberal”. É a galera do “vamos ser sensatos e moderados”. “Veja bem, economia de mercado é bom, mas o Estado tem que botar alguns limites”. O exemplão desse pessoal é a Alemanha do pós-SGM. Segundo eles, a Alemanha era e é ordoliberal e…vejam só! A Alemanha é uma maravilha econômica e um excelente país de viver.
    Tudo balela. Ordoliberalismo não é nenhum tipo de meio termo. É fundamentalmente liberalismo hayekiano com supervisão estatal. E tampouco foi o ordoliberalismo o responsável pela reconstrução e subsequente prosperidade da Alemanha. A realidade é muito diferente.
    Ao fim da segunda guerra mundial a dívida externa da Alemanha era de 40% do PIB e a dívida interna era de 300% do PIB. Sim, o país estava afundado em dívidas, além de devastado. Inicialmente, para os Aliados, isso estava ótimo. O objetivo inicial era o desmonte total da indústria alemã para transformar o país em país exportador de commodities, um país de terceiro mundo, para todos os efeitos.
    Só que começou a Guerra Fria. E então começou a disputa entre bloco ocidental e bloco oriental. Parte dessa disputa operava no âmbito da propaganda. Vender o seu modelo para o vizinho como o melhor modelo. E a Alemanha estava ali, no meio do caminho. Até cortado no meio. A Alemanha Oriental era a vitrine do comunismo para o Ocidente. A Alemanha Ocidental era a vitrine do capitalismo para o Oriente.
    Assim sendo, era fundamental que a Alemanha Ocidental fosse o país mais estável e próspero possível. Até porque, os EUA estavam apavorados com a possibilidade de revoluções na Europa Ocidental por causa da força dos movimentos sindicais e organizações de esquerda em vários desses países.
    Então o que foi feito? Plano Marshall. O equivalente moderno a 14.5 bilhões foi para a Alemanha. Uma quantia boa (à época do Adenauer o Plano Marshall equivalia a 4% do PIB), mas não foi isso que reconstruiu a Alemanha. O que reconstruiu a Alemanha foram os outros “detalhes” do Plano Marshal.
    Fundamentalmente, o “alívio de dívida”. Aproximadamente 90% da dívida pública alemã foi descartada. Parte considerável das reparações, ainda, foi adiada sem prazo e nunca foi paga. Enquanto os outros países europeus, em sua maioria, “largaram” afundados em dívidas que somavam até 200% do PIB, a Alemanha tinha só 20% de seu PIB comprometido por conta da dívida.
    Isso significa que o Estado alemão dispunha de recursos muito mais amplos para investir, aplicar e criar benefícios. Além desse sumiço na dívida pública, os credores ainda aceitaram receber o dinheiro em marco alemão, que à época não valia quase nada. Foi imposto um TETO (!) para o pagamento da dívida equivalendo a 5% do valor das exportações (!), um limite para a cobrança de juros (!) e os outros países europeus ainda firmaram compromisso de comprar produtos alemães sempre que possível para auxiliar a recuperação de sua indústria e fomentar mercado.

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  18. Em outras palavras: a Usurocracia Internacional Capitalista abriu uma brecha, soltou a Alemanha de seus grilhões financeiros porque era fundamental que a Alemanha Ocidental desse certo.
    Tirando isso, a Alemanha Ocidental também investiu na manipulação cambial, mantendo por um bom tempo o marco extremamente desvalorizado, de modo a facilitar exportações e dificultar importações. Mesma tática utilizada pelo Japão até hoje. Só que isso é justamente medida protecionista -extremamente sacana- bruta, totalmente por fora de qualquer “ordoliberalismo”.
    Um terceiro fator fundamental é também fruto do “totalitarismo” e nada tem a ver com qualquer “ordoliberalismo”. Fruto da herança econômica do Terceiro Reich e especialmente dos últimos anos do governo e do ministro Albert Speer, a relação Estado-empresa estava perfeitamente ajustada para a máxima eficiência produtiva. Era uma relação refinada e apurada, imposta pelas necessidades do esforço de guerra, que só é imaginável dentro do totalitarismo e de uma quase-planificação. E a Alemanha Ocidental herdou esse afinamento Estado-empresa, sem os aparatos totalitários anteriores.
    Resumão: Cancelamento da dívida, adiamento eterno do pagamento de reparações (menos para Israel, judeus, ciganos, etc., claro), teto para gastos anuais com dívida e juros da dívida, teto para incidência de juros da dívida pública, mercado para bens industriais garantido, manipulação cambial, herança econômica totalitária de sincronia Estado-empresa.
    O resto se deve à própria ética de trabalho alemã, sua engenhosidade, QI elevado, bom nível educacional e cultural e outros hallmarks da estirpe germânica.
    E o “ordoliberalismo” nisso tudo? Onde Judas perdeu as botas. É apenas o que se vê ali com legislação antitruste e amplo Estado de Bem-Estar Social. Só que por trás disso? Tudo o que falamos acima. Depois de um tempo, aliás, o ordoliberalismo passou a perder influência teórica e hoje está centrado mesmo na Universidade de Freiburg.
    Fontes: Vídeo Geschichte im Ersten: Unser Wirtschaftswunder - Die wahre Geschichte (disponível em https://www.youtube.com/watch?v=DV8DsMmS65I),
    Artigo The wartime origins of the Wirtschaftswunder: The growth of West German industry, 1938-55, de Tamás Vonyó
    Reportagem The debt write-off behind Germany's 'economic miracle', disponível em http://www.france24.com/en/20150129-london-agreement-1953-debt-write-germany-economic-miracle-greece-austerity

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  19. SOBRE A “SINGAPURA LIBERAL”:
    Singapura é uma Cidade Estado asiática, que se tornou independente do Reino Unido em 1965. Até 1971, porém, sua política monetária esteve atrelada à Malásia, tendo seu banco central completamente independente só a partir de 1971.
    E eu queria saber onde Singapura, uma pequena cidade-estado, é liberal. Pelos dados do Singapore Government’s Department of Statistics, a participação das empresas públicas no PNB do país é 45% maior do que as não públicas – que ainda assim têm ligações com o governo. O setor público de Singapura é duas vezes maior que o da Coreia do Sul, que também repleta de empresas estatais, o setor público de lá é duas vezes maior do que o setor público da Argentina e quatro vezes maior que o das Filipinas em função de sua parcela na renda nacional- em termos de contribuição à produção nacional e três vezes em termos de contribuição ao investimento nacional.
    O governo de Singapura ocupa assentos nos Conselhos Estatutários que gerem os principais serviços e bens, quase todas as terras são propriedade do Estado e 85% das casas são fornecidas pelo Conselho da Habitação e Desenvolvimento Econômico. O Economic Development Board é o responsável por desenvolver parques industriais, incubar novas empresas e fornecer serviços de consultoria em negócios. E Singapura produz 35% mais produto manufaturado per capita do que a Coreia do Sul e 18% a mais que os EUA.
    A Temasek Holdings (que há pouco comprara 15% das ações da Odebredcht) detém o direito de controle em outros conjuntos de empreendimentos vitais para a economia do país, os Goverment-Linked Companies. Possuem controle de ações na Singapore Power – área de eletricidade e combustíveis-, PSA International 67% da Netpune Orient Lines – indústria naval-, 60% da Chartered Smiconductor Manufacturing – semicondutores -, 56% da SingTel – telecomunicações -, 55% da SMRT serviços em ferrovias, ônibus e táxi-, 55% da Singapore Technologies Engineering e 51% da SembCorp Industries; 30% da SembCorp Marines e 30% do maior banco de Cingapura, o DBS. Possuem também as gigantes estatais Agência de Ciência, Tecnologia e Pesquisa (A*STAR) do setor agroindustrial e agroalimentar; a Jurong Consultants que atua com projetos de planejamento urbano em todo o mundo, com gigantescos empreendimentos na China, Mongólia, Arábia Saudita, projetos no Brasil na grande São Paulo e BH, e em BSB, mais mil e setecentos projetos em 47 países e 150 cidades mundo afora. A gigante Singapore Airlines também é um empreendimento estatal, 57% controlados pela Temasek, holding cujo único acionista é o ministro das finanças.
    O governo lá é EXTREMAMENTE totalitário, literalmente é CRIME lá pra coisas como mascar chiclete, ouvir música na rua, cuspir em espaço público, roubar wi fi. O próprio líder dela, Lee Kuan Yew, diz:
    “Eu sou frequentemente acusado de interferir na vida privada dos cidadãos. Sim, se eu não tivesse feito isso, nós não estaríamos aqui hoje. E eu digo, sem o menor remorso, que não estaríamos aqui e nem teríamos feito progresso econômico se não tivéssemos intervido em todas as questões pessoais: quem é seu vizinho, como você vive, o barulho que você faz, como você cospe, ou que língua você usa. Nós decidimos o que está certo. Não importa o que os outros pensem” – Lee Kuan Yew
    ( I am often accused of interfering in the private lives of citizens. Yes, if I did not, had I not done that, we wouldn’t be here today. And I say without the slightest remorse, that we wouldn’t be here, we would not have made economic progress, if we had not intervened on very personal matters–who your neighbour is, how you live, the noise you make, how you spit, or what language you use. We decide what is right. Never mind what the people think.” (Straits Times, 1987) )
    (Frase declarada no Wall Street Journal, disponível em https://blogs.wsj.com/briefly/2015/03/23/5-quotes-from-lee-kuan-yew/)

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  20. A própria plataforma de exportação de Singapura só foi montada por meio de ditaduras. Teve um controle enorme do Estado, onde eles tomavam cuidado para que os investimentos gigantes não voltassem para acionistas ou credores, mas para a cidade-estado em si.
    Resumindo: Singapura tem previdência obrigatória, dezenas de estatais, política industrial forte e intervencionista e governo sempre-presente. Classificar ela até como de liberdade econômica é delírio. Isso, inclusive, saindo da boca de um funcionário do Instituto Mises. (Link : https://mises.org/library/failings-economic-freedom-index)
    A atuação de seu Banco Central (MAS – Money Authority of Singapore) desde sua criação é bastante intensa. Até 1981, seu câmbio utilizou âncora cambial. Inicialmente, atrelou seu câmbio à libra esterlina (fixou o valor relativo a ela), alterando essa referência para o dólar americano em 1972. Em 1973, deixou seu dólar valorizar controladamente para combater a inflação. Em 1974 impôs tetos de crédito para bancos e companhias financeiras, além de mais rigor na concessão de crédito para combater a inflação que veio como consequência do choque do petróleo. Depois de controlá-la no mesmo ano, retirou as restrições dos bancos e apreciou moderadamente a moeda (novamente de forma controlada). Na segunda metade da década de 70 controlou a liquidez do sistema bancário monitorando a base monetária, taxas de juros, expansão do crédito e taxa de conversão para uma cesta de moedas do interesse da autoridade monetária, atuando principalmente no câmbio em relação à cesta de moedas até 1981.
    A partir de 1981, passou a focar no controle do câmbio, utilizando uma política de bandas cambiais, deixando o dólar de Singapura flutuar dentro de faixas predeterminadas pelo MAS em relação à cesta de moedas, com revisões periódicas tanto do valor central quanto das bandas, abrindo mão do controle da taxa de juros. Essa política permanece até os dias de hoje.
    Fontes sobre o MAS, BC de Singapura: artigos disponíveis em http://www.mas.gov.sg/~/media/MAS/Monetary%20Policy%20and%20Economics/Monetary%20Policy/MP%20Framework/Singapores%20Exchange%20Ratebased%20Monetary%20Policy.pdf; http://www.mas.gov.sg/~/media/MAS/Monetary%20Policy%20and%20Economics/Education%20and%20Research/Research/Economic%20Staff%20Papers/2000/MASOP018_ed.ashx;
    e http://www.mas.gov.sg/News-and-Publications/Speeches-and-Monetary-Policy-Statements/Monetary-Policy-Statements/2015/Monetary-Policy-Statement-14Oct15.aspx
    Nas grandes empresas do país, o governo de Singapura intervém sistematicamente. E ao intervir, não digo apenas na regulação, ele força determinados empreendimentos a ter participação estatal e é acionista de praticamente todas as grandes empresas do país.
    Singapura possuía um PIB de 307 bilhões de dólares em 2014 e, nesse mesmo ano, seus dois fundos soberanos (Temasek Holdings e GIC – Government of Singapore Investment Corporation Private Limited) foram avaliados em 530 bilhões de dólares. Isso significa que o Estado de Singapura possui 1,7x mais riquezas que toda a riqueza produzida em um ano de sua cidade-estado somada. Se isso não é um Estado gigante ou “Estado inchado”, nenhum Estado do mundo é gigante ou “inchado”.

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  21. Não satisfeito com isso, o governo de Singapura possui participação relevante NA MAIORIA as 10 maiores empresas do país, que pode ser conferida na lista da Forbes:
    1 – DBS, Temasek é o 4º maior acionsta.
    2 – Singtel, Temasek é o maior acionista.
    3 – Oversea-Chinese Banking, Singapore Investments Pte Ltd (GIC) é o 7º maior acionista.
    4 – Wilmar International, não possui participação relevante do Estado
    5 – Keppel Corp, Temasek é a maior acionista.
    6 – CapitaLand, Singapore Technologies é o maior acionista, sendo que o maior acionista do Sigapore Technologies é o Temasek
    7 – Singapore Airlines, Temasek é o maior acionista
    8 – SembCorp Industries, Temasek é o maior acionista
    9 – Flextronics International, não possui participação relevante do Estado
    10 – Global Logistic Properties, não possui participação relevante do Estado
    Não satisfeito de incentivar ou desincentivar os investimentos da iniciativa privada como prega o keynesianismo, o governo singapurense participa EFETIVAMENTE da administração de quase todos os grandes empreendimentos do país, por meio de seus fundos soberanos e suas empresas controladas.
    Artigo-Fonte da Forbes sobre o tamanho do Estado de Singapura e a participação estatal nas empresas: http://www.economywatch.com/companies/forbes-list/singapore.html
    Quanto aos serviços públicos a questão é ainda mais séria.
    Todas as crianças e adolescentes em Singapura tem educação estatal gratuita e todas as escolas do país recebem investimento estatal. Isso mesmo, TODAS. Não há nenhuma que não recebe. O ministério da educação determina o currículo e os objetivos de todo sistema educacional do país.
    O Estado possui quatro universidades. QUATRO, em uma pequena cidade-estado: National University of Singapore, Nanyang Technological University, Singapore University of Technology and Design e Singapore Institute of Technology.
    E o sistema de saúde de Singapura? Disponibiliza um sistema universal para toda a população, sendo que o sistema público é 80% do sistema de saúde. Ele não é completamente gratuito, mas as pessoas pagam DE ACORDO COM SUA RENDA e há um fundo para cobrir os gastos dos pobres.
    E as residências? Uma ilha tão pequena e rica deve rolar uma especulação imobiliária violenta, certo? ERRADO! 80% das residências são ESTATAIS, feitas pelo HDB – Housing and Development Board. Essas residências são ocupadas de acordo com critérios definidos pelo governo, sobrando apenas 20% para o livre-mercado.
    E o transporte? É dada grande ênfase ao transporte público e são colocadas taxações exorbitantes para encarecer e desestimular o uso de carros privados, além de o governo disponibilizar um número limitado de permissões por mês para novos carros. Nada de livre-mercado no transporte também.
    Fontes sobre serviço público: http://ncee.org/what-we-do/center-on-international-education-benchmarking/top-performing-countries/singapore-overview/singapore-system-and-school-organization/; https://www.moh.gov.sg/content/moh_web/home/costs_and_financing.html, http://www.singstat.gov.sg/statistics/latest-data#20; e http://www.livinginsingapore.org/how-to-buy-a-car-in-singapore/

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  22. Sobre os impostos, em geral são baixos, pois o Estado se financia de outras maneiras (principalmente pelas suas empresas), mas é utilizado imposto progressivo como manda o figurino keynesiano.
    Fontes sobre impostos: https://www.iras.gov.sg/irashome/Individuals/Locals/Working-Out-Your-Taxes/Income-Tax-Rates/; https://www.iras.gov.sg/irashome/Businesses/Companies/Learning-the-basics-of-Corporate-Income-Tax/Corporate-Tax-Rates--Corporate-Income-Tax-Rebates--Tax-Exemption-Schemes-and-SME-Cash-Grant/; e https://www.iras.gov.sg/irashome/Publications/Statistics-and-Papers/Tax-Statistics/#NewBookmark
    Em Singapura os direitos trabalhistas também existem! A carga horária de trabalho é limitada a 44 horas semanais, com uma hora de almoço. Deve haver um dia de descanso remunerado no mínimo por semana. Existem 11 feriados nacionais pagos em que, caso haja trabalho, devem ser compensados pelo empregador. Você tem direito a até 14 dias de pagamento sem trabalho em caso de doença e até 60 em caso de hospitalização dependendo do tempo de casa. Você tem direito a férias remuneradas, que variam de 7 a 14 dias úteis por ano dependendo do tempo de casa. Seu empregador é obrigado a pagar a previdência pública obrigatória, chamada CPF. Você tem direito a seis dias para cuidar de suas crianças, mas sem ser pago. 18 semanas de licença-maternidade… Faltam apenas dois itens que alguns sentem falta para ser completo: Seguro-desemprego e salário mínimo.
    Fontes sobre direitos trabalhistas: http://www.mom.gov.sg/~/media/mom/documents/employment-practices/workright/workright-brochure-for-employees.pdf; http://www.mom.gov.sg/~/media/mom/documents/employment-practices/workright/workright-brochure-for-employees.pdf; http://www.mom.gov.sg/employment-practices/leave/unpaid-infant-care-leave;
    e http://www.mom.gov.sg/employment-practices/leave/maternity-leave/eligibility-and-entitlement

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  23. SOBRE OS EUA
    Uma coisa que nunca entendi foi o motivo dos EUA serem o símbolo do Capitalismo para liberais.
    Melhor falando, se considerarmos o capitalismo na sua plenitude, de forma geral e realista, eles são sim. Mas me refiro mais a fantasia liberal de que capitalismo seria simplesmente trocas livres, e como os EUA se encaixaria nisso. Mesma coisa em como o Iphone seria símbolo capitalista, sendo que a Apple é corporativista. Essa questão conceitual é uma desonestidade intelectual enorme, mas fica para outro post. Fato é, por que a maior potência econômica do mundo, não é liberal mas gosta de enfiar neoliberalismo nos olhos dos outros?
    Em primeiro lugar, se faz necessário pontuar que os EUA nem sempre foram intervencionistas na economia. Eles foram entre as décadas de 30 e 80, até o Reagan. A desregulação do setor privado, especialmente do financeiro, que veio ocorrendo desde então, parou com a crise de 2008. Eles têm adotado várias medidas protecionistas desde então.
    Um caso aqui do Brasil foi que, a Embraer para vender aos EUA foi obrigada a fazer parceria com uma empresa local para fabricar no país. Os EUA criam várias barreiras para impedir que produtos que eles não conseguem concorrer entrem em seu mercado. Nesse caso só permitem se a empresa estrangeira se instalar no país para que eles consigam chupinhar o Know How como no caso da Gerdau onde os EUA não consegue competir com o Brasil em aços planos. Veja o caso do algodão brasileiro e do etanol, a briga que é com os EUA na OMC. Isso acontece, pois existe nos EUA uma lei chamada “Buy American Act” de 1933, que exige que o governo americano dê prioridade para produtos nacionais, e que foi implementado por outra lei com o mesmo objetivo em 1983. Nem um parafuso pode ser comprado pelas forças armadas se não foi feito nos EUA. Se uma tecnologia ou desenho pertencer a uma empresa estrangeira, ela é obrigada a se associar a um sócio americano para produzir “in loco” o produto. Eles também têm um alto protecionismo em produtos como laranjas.
    Outro mito típico é o de que os EUA não teriam universidade pública, só que não são de graça, os alunos pagam um valor ainda que abaixo das universidades privadas. Os impostos são menores lá justamente, pois você os paga, e quando usa o serviço, paga de novo.
    Segue link de lá que mostra quais universidades são publicas: https://www.usnews.com/best-colleges/rankings/national-universities/top-public
    E hospitais públicos também: http://www.beckershospitalreview.com/lists/50-largest-public-hospitals-in-america.html
    Literalmente até para abrir um salão de manicure é exigido taxas e certificados: http://smallbusiness.chron.com/permits-fees-licenses-open-nail-salon-10381.html
    E os EUA tem um Estado forte com várias agências que consomem bilhões e mais bilhões: exemplo, a própria NASA obviamente. Os EUA são tão intervencionistas que até intervém nas economias de outros países como na área espacial, no Brasil.

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  24. É essa a artimanha que os EUA criam pra impedir concorrência onde eles não conseguem competir à altura: leis protecionistas. Fonte: http://www.beefpoint.com.br/cadeia-produtiva/giro-do-boi/nova-lei-dos-eua-prejudica-brasil-1864/
    Esse site mostra em tempo real os países mais protecionistas do mundo. Veja: para saber como um país é protecionista você tem que entender quais são as leis que esse país tem para dificultar a concorrência de outros países. O site é completo e se tiver paciência poderá ver vários dados nele: http://www.globaltradealert.org/node/2257
    A pergunta é, por que diabos os EUA são tão protecionistas, mas vendem propaganda liberal ou financia think thank liberais em outros países?

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  25. HONG KONG E O SEU SUCESSO:
    Hong Kong nos anos 60 e 70 tinha renda per capita quatro vezes maior do que Coreia do Sul e outros países do Leste Asiático que cresceram com poupança interna. Após o Tratado de Nanking, Hong Kong era a única região de colonização britânica que via um crescimento da renda per capita forte e uma grande elite robusta, enquanto o restante da própria China definhava pós-guerra do Ópio.
    Hong Kong nunca foi um estado independente, mas uma cidade parte de um ente maior. Era a plataforma dos fluxos e processos financeiros e comerciais ingleses na Ásia, onde se invertiam capitais das extrações coloniais e de lavagem de dinheiro de máfias e roubos coloniais, e mesmo hoje a maior parte das terras pertence ao governo e nunca deu muita bola para propriedade intelectual. Continuou assim sendo centro financeiro chinês. Ou seja, pensemos regionalmente. Um centro financeiro de um país ou região será onde mais circula capital, mas uma região sui generis impossível de se generalizar; um grande Estado-nação não pode ter 20% de sua área como centro financeiro. Lá e outros poucos lugares no mundo “paraísos fiscais” são ricos por necessidade estrutural de um sistema, mas são ingeneralizáveis. Pela mentalidade dos monomaníacos que o presente texto denuncia, poderíamos estender e dizer que todo o restante do Brasil deveria imitar Brasília e sua estrutura política-econômica, se forem todas as cidades burocráticas, o PIB per capita do Brasil todo ficará como o dela.
    Tecnicamente, Hong Kong nem país é de verdade. O que não o impede de disparar quanto à corrupção: http://observador.pt/2015/10/05/antigo-lider-do-governo-hong-kong-acusado-corrupcao/
    Hong Kong, tal como a Suíça, é um dos maiores paraísos fiscais do mundo, recebendo dinheiro o tempo todo de toda a corrupção do mundo, desde lavagem de dinheiro, até tráfico de drogas. E isso desde o Império Britânico.
    E aliás, não muda o fato de que a riqueza de Hong Kong é concentrada e explorará também com trabalho escravo.
    A África esteve plenamente integrada à Divisão Internacional do Trabalho, à Cadeia Mercantil global e à economia mundial e seu circuito de cadeias produtivas-transacionais. A questão é “em que posição”? Sob quais bases? Sem dúvida não foi com autonomia para negociar e precificar. Veja que vários países imploram para seu algodão e outros produtos agrícolas acessem os mercados dos EUA e lhe são negados pelos subsídios intocáveis de lá.
    Inclusive os ditadores a que se refere, gordamente munidos de armas compradas da Inglaterra, Suécia, Holanda, etc., são sustentados por protegerem as multinacionais da democracia, por protegerem mais a propriedade delas do que a vida das pessoas, por garantir suas externalidades ecológicas.
    Conhece a história de Patrice Lumumba, líder da independência do Congo e primeiro-ministro democraticamente eleito, torturado e assassinado em junho de 1961 pela conspiração de conservadores congoleses ligados à antiga colônia belga, em frente de administradores da mineradora transnacional belga Union Minérie com apoio do governo belga, inglês e da CIA?

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  26. De centenas de exemplos para você poder entender melhor essa questão complexa, vou lhe dar um bem auspicioso para o presente caso, que se relaciona com Hong Kong.
    A cadeia mercantil de diamantes possui uma base crucial no Zimbabwe, país que pode ser o exemplo máximo. Mas lá a exploração do mineral tem como protagonista uma rede de subsidiárias situada em Hong Kong – aproveitando-se do sigilo legal que goza no país quanto aos fundos e propriedade beneficiária nos registros oficiais -, país “modelo” do lobby do instituto, a “88 Queensway Group”: https://www.ft.com/content/a95e8252-f015-11e4-ab73-00144feab7de
    Nas minas em Zimbábwe, há extensiva patrulha de forças armadas oficiais e privadas – das empresas – que tomam conta dos trabalhadores e da engenharia de produção. Nelas ocorrem torturas, espancamentos, aprisionamento de mineiros cercados com arames farpados: https://100r.org/2013/02/disappearing-diamonds/
    Quando era protetorado britânico, a coroa era proprietária das terras e arrendava, usando a receita pra subsidiar projetos habitacionais, industriais e programas sociais. Em suma, só desconsiderando por completo o fator geopolítico e sócio histórico é possível caracterizar Hong Kong como casos de sucesso de um pretenso livre-mercado. Não tem qualquer sustentação esta tese.
    Além disso, as pessoas em Hong Kong tem uma péssima qualidade de vida, muitas vivem em gaiolas: https://www.youtube.com/watch?v=WW9nO_s7v4k&app=desktop
    É essa a liberdade que o ”sucesso” do liberalismo advoga?

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  27. NOVA ZELÂNDIA
    A Nova Zelândia é um exemplo de sucesso da administração pública. Transparente, austera (em gastos ruins) e com baixíssima corrupção, algo que nenhum “interventor” (como eu) acha ruim.
    O fato de utilizarem como exemplo é devido ao período político do país ao qual foi adotado o famoso “rogernomics”, em alusão à política econômica do ministro de finanças da Nova Zelândia de 84 a 88, Roger Douglas. O período Roger Douglas foi marcado por fim de subsídios, soltura do câmbio, eliminação de tributações e taxações, eliminação de taxas de importação, entre outras medidas de cunho liberal.
    O que se esquecem de mencionar, é claro, é que durante esse período de Roger Douglas a fria e pequenina Nova Zelândia sofreu uma enorme desaceleração econômica e aumento do desemprego (sim, vou colocar alguns links no final do texto). Além de, claro, aumento da desigualdade (isso é de praxe nesses tipos de reformas).
    Depois do período Roger, houve uma continuação das reformas neoliberais no país, com a ministra das finanças Ruth Richardson, marcando o período conhecido como “ruthanasia” (apelido dado pelos opositores, misturando Ruth com “euthanasia”). Não precisa dizer que dentro do país existe forte oposição a esse período também. Até nos países pequenos (aliás, minúsculos) esse tipo de coisa é questionada. Houve elevação do déficit fiscal e da dívida pública, mesmo com a contenção de gastos. De fato, esse “sucesso” é bastante controverso, basta procurar na internet (em inglês).
    Há quem diga que demografia não altera a teoria econômica. De fato não altera. O problema, amigos, é que teoria econômica e economia (“economics” e “economy”) são duas coisas distintas.
    O país apresenta bom PIB per capita (PPP-paridade), IDH elevado e boa qualidade de vida? Sim, e isso envolve todo um contexto político, geográfico, institucional, entre outros. Não foi devido a uma possível austeridade fiscal nos anos 80 que uma varinha mágica e uma fada madrinha veio para salvar a Nova Zelândia da emergência ou subdesenvolvimento. É muita infantilidade pensar assim, ou pensar de uma forma que isso seja colocado de forma implícita em qualquer debate.
    De Roger Douglas e a continuação com Ruth Richardson pra cá, a Nova Zelândia teve diversas mudanças políticas, incluindo a permanência de uma primeira-ministra do partido de esquerda do país (Labour Party), Helen Clark, por quase nove anos (de 1999 a 2008).
    Depois disso algumas medidas liberais foram postas em pratica. Não durou muito tempo, até que surgissem economistas (que inclusive eram liberais) e começassem a reclamar e mostrando provas cabais de que o sistema não estava mais funcionando, como mostra esse de 2010, feito por um economista da Nova Zelândia que advogava por privatizações e liberdade de mercado e editou esse pedido de desculpas chamado “O Deus do livre mercado não existe”: http://m.nzherald.co.nz/business/news/article.cfm?c_id=3&objectid=10676862

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  28. Desde então, eles têm tomado um cuidado maior e adotado algumas políticas “nacionalistas”, que são de caráter protecionista.
    O país não tem um passado histórico de pobreza, de imensa desigualdade social, e de isolamento político na política externa. É um “tanto faz” pequenino e arrumado. Lembrado por boa parte dos brasileiros apenas para turismo, fazer intercâmbio barato, arrumar uns empregos de serviços gerais e aprender inglês.
    Além disso, não se pode comparar uma roça desenvolvida dessas (assim como a Estônia) com uma nação de volume continental, como os países pertencentes à denominação de “BRICs”.
    A Nova Zelândia, além disso, junto com a Austrália, tem um dos maiores impostos do mundo, e ele é progressivo (quanto mais você tem, mais paga), recaindo até mesmo em mercadoria. Toda a sua estrutura e base para o desenvolvimento foi através de estatais, não pela iniciativa privada.
    Algumas fontes quanto à história da NZ: http://www.treasury.govt.nz/publications/briefings/1990/
    Só pra explicar melhor a base do desenvolvimento da Nova Zelândia:
    – A Nova Zelândia criou vários programas que dão total suporte a sua economia, como o Technz, que também é responsável por pesquisa, ciência, tecnologia.
    – A Nova Zelândia criou DIVERSAS estatais nos últimos anos, das quais posso citar a:
    Kiwirail (ferrovias), Nz post (correios; essa é recente), Transpower NZ (distribuidora nacional de energia), Airwayz NZ (tráfego aéreo), Kordia (emissora de TV), Meridian Energy (energia elétrica).
    A Nova Zelândia, junto com o Canadá, Holanda, Bélgica, Irlanda , Mônaco e Austrália tem os maiores salários mínimos do mundo. Sério, equivale a R$ 5200,00, o mesmo que na Austrália (https://www.fairwork.gov.au/how-we-will-help/templates-and-guides/fact-sheets/minimum-workplace-entitlements/minimum-wages)
    Algumas informações extras que desmentem a história de que o sucesso é graças ao liberalismo (não tive tempo de traduzir): http://www.wermodandwermod.com/newsitems/news090120120102.html

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  29. AUSTRÁLIA:
    Sobre a Austrália:
    – Maior salário mínimo do mundo
    – Imposto progressivo (quanto mais rico, mais paga) altíssimo
    – A Austrália é dependente do Capital britânico, por ser ex-colônia. A Inglaterra estabilizou quais diretrizes e o modo de governar o país. Além disso, é usada como paraíso fiscal e lavagem de dinheiro até hoje, igual várias ex-colônias do Império Britânico.
    Alguns artigos que falam sobre como foi feito o processo de descolonização e transformação desses restos em paraísos fiscais: https://www.theguardian.com/business/2011/jan/09/truth-about-tax-havens-two
    – Além disso, passou por várias reformas na infraestrutura, além de várias reformas agrárias durante sua história (https://en.m.wikipedia.org/wiki/Land_reforms_by_country)
    – Tem literalmente um Estado de bem-estar social grande e interventor no social, além do salário mínimo mais alto do mundo.
    – Foi uma colônia de povoamento, não de exploração, que nem aqui. Toda a mão de obra qualificada foi pra lá, e é cheia de recursos.
    Acerca do Estado de bem-estar social e interventor no social que mencionei anteriormente:
    1. Para tudo há conselhos de movimentos sociais (peak bodies), e os governos os consultam e prestam-lhes satisfação regularmente (http://qcoss.org.au/sites/default/files/Role_of_Peaks_Info_Paper_2012_FINAL.pdf).
    2. O governo paga até R$1562 de Bolsa Família (Parenting Payment, https://www.humanservices.gov.au/customer/services/centrelink/parenting-payment), sem qualquer exigência como frequência escolar ou vacinação (no Brasil os beneficiários recebem em média R$5 por dia para a família toda). A medida também existe na Nova Zelândia.
    3. Não se pode fazer reforma em casa sem submeter seu projeto à consulta pública, através da prefeitura, exigindo que se pendure um aviso na porta da tua casa por duas semanas ou mais para quem quiser consultá-lo e apresentar objeções. Se os teus vizinhos não gostarem da ideia, a prefeitura não aprova .
    4. Há piscinas públicas nas praias e churrasqueiras nos parques de uso gratuito, pagas com o bolso do contribuinte.
    5. As cláusulas dos contratos de aluguel residencial são ditadas pelo governo do estado (http://www.fairtrading.nsw.gov.au/pdfs/Tenants_and_home_owners/Residential_tenancy_agreement.pdf).
    6. Não se pode trabalhar de barman sem licença específica para servir álcool (RSA, onlinersa.com.au).

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  30. 7. Não se pode vender álcool em mercados e supermercados; só em lojas licenciadas pelo Estado (bottle shops, http://www.vcglr.vic.gov.au/help/what-liquor-licence-do-i-need).
    8. Não é permitido trabalhar de eletricista, encanador ou pedreiro sem licença do Estado (professional license, http://www.fairtrading.nsw.gov.au/ftw/Tradespeople/Home_building_licensing.page).
    9. Não é permitido abrir um cabeleireiro sem licença específica do Estado (business license, http://www.health.act.gov.au/public-information/businesses/licensing-and-registration#hairdresser).
    10. Tem ciclovia para todo lado e é proibido andar de bicicleta sem capacete ou na calçada. A multa por não usar capacete é R$115 em Sydney (http://www.executivestyle.com.au/helmets-rego-and-the-metre-law-39xbq), R$332 em Adelaide (http://www.adelaidenow.com.au/news/south-australia/sa-cyclists-and-police-face-headon-clash-over-helmet-law/news-story/6e98483c5138ad59d7584db176db063d) e R$400 em Melbourne (http://www.theage.com.au/victoria/police-launch-innercity-cyclist-blitz-20140817-1057dv).
    11. Todos os filmes exibidos em cinemas, festivais e instituições de ensino precisam passar pela censura (Classifications Board, classification.gov.au).
    12. Não é permitido o marketing de cigarros e produtos de tabaco, nem mesmo na própria embalagem (http://www.smh.com.au/federal-politics/political-news/plain-packaging-pushes-cigarette-sales-down-20140622-3amd8.html).
    13. O salário mínimo é R$5395 a.m. (https://www.fairwork.gov.au/how-we-will-help/templates-and-guides/fact-sheets/minimum-workplace-entitlements/minimum-wages)
    14. Em Melbourne o governo subsidia 88% do transporte público (http://www.theage.com.au/victoria/transport-companies-suck-26-billion-20130711-2ptbc.html). A Prefeitura de São Paulo subsidia 20%, para fins de comparação.
    15. Os nativos que moram em áreas remotas recebem uma Bolsa Aborígene de R$76 a.m. (https://www.humanservices.gov.au/customer/services/centrelink/remote-area-allowance).
    16. Paga-se em média R$3600 a.m. de impostos diretos e indiretos (no Brasil são R$830).
    17. Tem 1 funcionário público para cada 13 pessoas (no Brasil tem 1 para cada 17).
    18. Paga-se ao governo do estado R$235 a.m. para ter 1 vaga de carro na área central de Melbourne para desestimular as pessoas a irem de carro para a cidade (congestion levy).
    19. Os governos estaduais recomendam livros LGBT para pré-adolescentes.
    20. Há vários tipos de Bolsa-Universitários, direitos trabalhistas (http://www.australia.gov.au/information-and-services/jobs-and-workplace/working-conditions) e até mesmo uma lei que, se você quiser ser jogador de futebol, e nenhum clube te contratar, o governo é obrigado a cobrir suas despesas e te dar moradia popular e salário mínimo.

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  31. Em uma análise geral, a Austrália é uma mina-fazendão gigante, do tamanho da Região Norte do Brasil, isso com um vácuo territorial enorme no deserto, que torna ainda menor que a Região Norte, para considerações. Ela tem 20 milhões de bocas pra alimentar.
    20 milhões é um décimo da população brasileira, pessoal. UM DÉCIMO. Isso faz uma baita DIFERENÇA, gente. Comparar isso com o Brasil chega a ser ridículo.
    A economia australiana independente é, e se construiu como exportadora de produtos primários. Inclusive, destrói rios explorando minérios, até fora do país, em países periféricos através da SAMARCO (já que é controlada pela BHP australiana).
    Mas o segredo da economia australiana, é que ela está atrelada a economia chinesa, ou seja, está havendo uma diminuição da exportação de commodities.( http://graphics.wsj.com/risks-to-australias-economic-miracle/)
    A economia chinesa estava mais até durante 2008, baseada nos déficits comerciais dos EUA com a mesma e outros países, tirando vantagem da baixa elasticidade-preço (tanto pra cima quanto pra baixo) de seus produtos. A Austrália tirou vantagem diretamente dos déficits comerciais dos EUA, como exportadora, e tirou mais vantagem ainda por estar atrelada a economia chinesa.
    Vale algumas considerações acerca da economia australiana:
    Primeiramente, essa visão de seu comportamento liberal deve-se pelo fato que possui um aprofundado direito à propriedade para pelo menos nove décimos da população junto às baixas limitações de macro-negócios, o que compensa em uma limitação maior nos aspectos de labor – valendo lembrar que os gastos governamentais já possuem incidência crescente assim como os aspectos fiscais, como falei. (1)(2)
    O PIB australiano vem decaindo desde 2013, onde era, em dólares americanos, 1,5 trilhão, estando hoje abaixo de 1,34 trilhão (3), caindo também seu GNI em de 5 mil dólares americanos (3), e tendo uma queda de crescimento do PIB, de 4,48% (em 2007) para 2,6% (em 2014), decaindo em cerca de 7 anos, aproximadamente 2% do seu crescimento anual (3). Sua dívida pública também cresceu enquanto diminuíram-se os investimentos, porém um aspecto que compensou foi o aumento do preço das ações – como isso não é-se suficiente para uma plenitude econômica, espera-se um decrescimento na economia (4).
    Eu não diria que ela pode ser chama de um sucesso, atualmente está incerta e suas expectativas para o futuro (2) mediante às políticas econômicas australianas (1) não são realmente boas para o país como um todo. Talvez para o povo essa realidade não seja tão próxima, mas na estrutura da economia do governo é diferente…
    (1) http://s3.amazonaws.com/academia.edu.documents/44224286/ORANI-G_A_general_equilibrium_model_of_t20160330-18629-1jg0ngf.pdf?AWSAccessKeyId=AKIAJ56TQJRTWSMTNPEA&Expires=1481326910&Signature=OnQlUE1pNDgm%2B8rD8slPzP1o4qY%3D&response-content-disposition=inline%3B%20filename%3DORANI-G_A_general_equilibrium_model_of_t.pdf
    (2) https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr&id=YQc5AAAAIAAJ&oi=fnd&pg=PR9&dq=australian+economy&ots=DhssajVYzq&sig=jvFo6Iyz0DMJ49ml3E_vgXqO0Ag#v=onepage&q=australian%20economy&f=false
    (3) http://data.worldbank.org/country/australia
    (4) http://www.worldcat.org/title/orani-a-general-equilibrium-model-of-the-australian-economy-current-specification-and-illustrations-of-use-for-policy-analysis/oclc/27487614
    (5) http://www.abc.net.au/news/2016-12-07/economic-growth-gdp-data-abs/8099480

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  32. Enfim, tirando esse fator, o passado, o Estado de bem-estar social, a ajuda e lavagem de dinheiro da Inglaterra, o boom da Austrália já passou, o seu crescimento acabou, como mostrei ali na questão do PIB e nas outras infos. Em grande parte por causa do problema da China agora também. E agora a Austrália também sofre algumas consequências econômicas na economia, graças aos efeitos do próprio liberalismo.
    Deixo o texto abaixo do livro “The Failure of Free Market Economics” de um economista australiano sobre a gravidade de algumas coisas na Austrália e de como agora o liberalismo está estagnando ela.
    A curiosidade é que o autor é um ex-think thank liberal, entusiasta do liberalismo, e que depois se desiludiu totalmente ao ver os resultados mostrados.
    ‘Feil and Spooner are angry men, and rightly
    The basic concept behind free-market economics is simple and seductive: the government should not attempt to pick winners by granting assistance to specific industries, and it should only intervene in the marketplace when there has been a substantial market failure. The only trouble with this theory — as the global economic disaster has shown — is that it is based on ideology, not evidence, and it can’t withstand contact with reality.
    For decades, Australia has been an enthusiastic adopter of the free-market approach. The consequences — such as mass privatisations, tariff reforms, and flexible wages and conditions — have been lauded by the booming financial sector and the political class. Unnoticed in the hubbub, though, has been the annihilation of the manufacturing sector — which has resulted in 20 years of monthly current-account deficits and a foreign debt approaching $650 billion — and an economy dominated by footloose capital and tax-averse multinationals.
    Despite propaganda to the contrary, employment in Australia is now increasingly characterised by low-paid and insecure jobs in service, logistics, and retail industries.
    The Failure of Free-Market Economics explains how the triumph of a fundament

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  33. Você ainda acha que liberalismo é responsável pela qualidade de vida?

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  34. Roberto,

    Vou fazer um comentário mais geral, tendo em vista que não estou com muito tempo para responder especificamente a cada um dos exemplos que você mencionou. Vou me concentrar em cinco pontos.

    1) Você elege um padrão ideal de liberalismo econômico, algo que seria a quase total ausência do Estado na economia, uma quase anarcocapitalismo. Como nenhum país possui esse modelo, nem jamais chegou próximo a isso, sua conclusão é de que os países mais liberais do mundo na verdade não são liberais. O problema é que não vivemos em um mundo ideal. Devemos, portanto, trabalhar com a realidade.

    Você citou, por exemplo, Singapura. O fato de em Singapura haver leis trabalhistas e presença do Estado na economia não anula o fato de que ele é o país mais liberal do mundo, segundo os rankings Economic Freedom e Doing Business. Esses rankings avaliam diversos aspectos da economia, tais como: Direitos de Propriedade, Integridade do Governo, Efetividade da Justiça, Tamanho do Governo, Gastos Públicos, Carga Tributária, Saúde Fiscal, Eficiência Regulatória, Liberdade de Negócios, Liberdade de Trabalho, Liberdade Monetária, Mercados Abertos, Liberdade de Comércio, Liberdade de investimento, Liberdade de Financiamento, Abertura de empresas, Obtenção de alvarás de construção, Obtenção de eletricidade, Registro de propriedades, Obtenção de crédito, Direitos legais Privados e Públicos, Proteção dos investidores minoritários, Pagamento de impostos, Execução de contratos, Resolução de insolvência, Contratações públicas e privadas. Singapura obtém boa pontuação na maioria desses aspectos. Não há motivo para não considerá-lo um país liberal (e o mais liberal do mundo) só porque ele não se encaixa no seu padrão ideal de liberalismo. Da mesma forma, não podemos dizer que países como a URSS não foram socialistas/comunistas porque não estatizaram em 100% a economia.

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  35. 2) Você menciona reformas "neoliberais" que resultaram, à curto prazo, em desemprego. Ora, qualquer reforma liberal e programa de estatização vai resultar, no curto prazo, em desemprego. Isso é elementar. Privatizações geralmente ocorrem quando empresas estatais estão pesando muito financeiramente para o Estado e/ou não estão sendo eficientes. Nessas empresas quase sempre há desperdícios, excesso de funcionários e quadros que ganham salários muito além do que deveriam.

    Um exemplo. Eu trabalho como auxiliar administrativo financeiro numa microempresa com cerca de 150 funcionários, uma matriz e sete filiais. Ganho para isso cerca de R$ 1.400,00 mensais. Esse salário está de acordo com o que a empresa pode pagar no contexto de nossa economia. Eu sei porque trabalho diretamente com todos os gastos e entrada da empresa. Não daria para pagar mais. Pois bem. Um concursado para trabalhar em alguma área administrativa de um banco ou do INSS, fazendo o mesmo serviço burocrático que o meu (o qual não exige grandes qualidades), trabalhando menos horas e com chances remotas de ser demitido (mesmo que seja ineficiente) ganhará às vezes 5, 6, 7, 10 mil reais. Esse tipo de distorção é muito comum no setor público.

    Gastos fúteis, desperdícios, supersalários, excesso de funcionários, proteção de ineficientes e a certeza de que mesmo assim a empresa não irá à falência geram resultados como o dos Correios, que deram prejuízo de 2 bilhões em 2016. Isso não quer dizer que uma empresa estatal não pode ser bem gerida. Mas esses problemas são mais comuns e duradouros nas empresas estatais. E, obviamente, no momento em que um governo inicia um programa de privatizações, as empresas passarão por reformas. A tendência é um corte substancial de funcionários. Esses funcionários demitidos afetam toda a economia, já que com menos empregados há também menos consumo. Então, o impacto inicial de uma reforma dessa sempre será dolorosa.

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  36. O combate à inflação também causa problemas iniciais, pois perpassa pelo aumento de juros e a redução do crédito. Isso gera um freio nos empréstimos para criação e desenvolvimento de empresas, investimentos à longo prazo e etc. E muitas empresas endividadas acabam não suportando o ônus de empréstimos com altos juros, indo à bancarrota.

    As reformas liberais, no entanto, são sempre medidas tomadas para resolver problemas já criados anteriormente, que acabam colapsando a economia. O aumento dos gastos públicos e a expansão desordenada de crédito sempre gera um boom inicial na economia, mas planta as sementes da hiperinflação, da desvalorização do dinheiro e de sérios endividamentos à nível individual e empresarial. O liberalismo não faz milagre. Ele é como a bagunça que fazemos em um quarto já desorganizado para então colocar tudo no lugar. Esperar que reformas liberais criem um cenário de pleno emprego e crescimento econômico magicamente em três ou quatro anos é como acreditar em duendes. O poder destrutivo de políticas intervencionistas irresponsáveis (ou criminosas) demora às vezes uma década para ser revertido. Programas de privatização e medidas de austeridade não possuem a função, à priori, de melhorar a vida das pessoas, mas sim de desfazer o péssimo ambiente deixado para os negócios pelo intervencionismo demasiado e, a partir daí, criar um ambiente mais propício para que, só então, ao longo dos anos, a economia floresça. Privatizar 10 empresas não irá fazer com que, em um ano, todas elas dupliquem o número de funcionários, tripliquem a receita e transformem o país. Não é assim que a coisa funciona.

    O que geralmente se averigua é um ciclo infindável: um governo intervencionista cria um grande boom na economia. Esse boom dura no máximo uma década e logo vem os problemas de hiperinflação, desvalorização da moeda, endividamentos e falências. Sobe um governo liberal e faz reformas necessárias. Essas reformas aumentam o desemprego. Aos poucos, a inflação é controlada, a moeda se estabiliza e cria-se um bom ambiente para negócios. O crescimento irá começar daí. Mas nesse ponto o mandato termina dos governantes liberais termina e como o povo está irritado pela falta de emprego e a política de corte dos últimos anos, vota em intervencionistas. Eles sobem ao poder e aproveitando a economia estabilizada (embora ainda não em crescimento) e começam a inflar moeda gastar muito novamente. Cria-se mais uma vez um boom. As pessoas ficam felizes, votam novamente nesse governo nas próximas eleições e tudo fica bem até o sistema se esgotar e necessitar de uma nova reforma.

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  37. 3) Você citou um articulista do Instituto Mises Brasil que sustenta que Singapura não é liberal. Você deve saber que o IMB é extremamente radical em matéria de economia, chegando a criticar ferrenhamente algumas ideias de liberais como Hayek e Friedman. O IMB é mais liberal (na verdade, libertário) que o próprio Mises. Deveria se chamar Instituto Rothbard Brasil, pois defendem a completa extinção do Estado e uma sociedade plenamente regulada pelo livre mercado. Para alguns de seus articulistas, portanto, até o mais liberal dos países do mundo é socialista. Usar a opinião de um radical desses para embasar seus pontos é algo problemático. Até porque eu não sou anarcocapitalista. Isso nem faz sentido na discussão aqui.

    4) O pragmatismo, quando não fere princípios morais, é algo bom. Se algo está dando certo, não é necessário mudar. Se dá para melhorar, que melhore. Se não dá, que deixe como está. Não vejo porque apegar-se ao liberalismo econômico como um fim em si mesmo. Não deve ser assim. O liberalismo, tal como qualquer outra política econômica deve ser visto apenas como um meio para gerar na sociedade a melhor qualidade de vida possível, dentro dos limites dos valores morais mais básicos. Se Singapura, o país mais liberal do mundo, possui presença do Estado na economia, leis trabalhistas e alguma regulação e isso está dando certo, qual é o grande problema? Se esse é o melhor que podemos, por que não deixar assim? Se dá para melhorar, por que não? No fim das contas o que é prejudicial é se agarrar ao liberalismo ou qualquer outro modelo como uma finalidade, como um deus.

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  38. 5) Você menciona casos de obtenção de riquezas a partir de explorações entre países. Ora, num mundo em que há níveis diferentes de força, administração, poder, riqueza, desenvolvimento e liberalismo, obviamente países mais desenvolvidos nesses aspectos vão acabar explorando países menos desenvolvidos. Isso não é uma defesa moral do processo. É apenas uma constatação. Não penso ser possível afirmar, a partir daí, que sem a existência dessa exploração os paises não teriam como se desenvolver. Parece-me que a necessidade cria novas fontes de riqueza. Em um mundo onde todos os países fossem razoavelmente parecidos em força e liberalismo, no lugar de exploração haveria uma concorrência mais forte, o que tende a gerar riquezas. É evidente que não sendo um mundo perfeito, sempre haverá quem procure usar de corporativismo para conseguir benefícios do governo (em detrimento de outros), como também haverá países se utilizando de algum grau de protecionismo para proteger suas economias. Isso faz parte da realidade e devemos apender a lidar com esses problemas das melhores maneiras possíveis.

    Você fez uma análise de fontes de riquezas de divrsos países liberais. Penso que esse estudo, para chegar a concluir algo, precisaria ser muito mais profundo. Seria necessário analisar o impacto que os fatores liberais do país possuem na economia daquela economia e compará-la com o impacto das outras fontes de renda, a fim de saber até que ponto o liberalismo é parte importante da economia. Mesmo que isso fosse feito, ficaria ainda a dúvida se o país não teria outra configuração, dentro do liberalismo, caso não contasse mais com essas fontes. Fica a dúvida ainda de se um mundo com maior grau de liberalismo não criaria uma ordem de riquezas maior. Seu estudo é importante, mas não abarca todas essas questões. Ainda que os países mais liberais do mundo tenham outras fontes que não o liberalismo, não deixa de ser significativo que são justamente os mais liberais que possuem melhores IDHs, ao passo que os menos liberais possuem os piores IDHs.

    Está claro para mim que apenas a economia não explica o bem-estar de uma nação. Questões envolvendo a própria organização do governo, a história, a cultura, o regime político e etc. também são muito importantes. E não descarto a hipótese de que um liberalismo extremo não seria saudável, sendo importante a intervenção e presença do governo em algumas áreas. Seja como for, descartar a importância do liberalismo é algo um tanto complicado.

    Atenciosamente,

    Davi Caldas.

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