segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Um jornalista perdido e a origem da solidariedade

Estava eu ontem fazendo a contabilidade de todos os meus gastos nos últimos dois anos, quando a televisão, ligada na outra parte da sala, me chama a atenção. Passava o Fantástico. A matéria era sobre solidariedade e mostrava alguns exemplos de pessoas que resolveram fazer o bem para terceiros por altruísmo. Até aí, tudo bem. A parte que me chamou a atenção foi quando o jornalista que estava narrando a matéria disse mais ou menos o seguinte: "Para saber a origem dessa história, precisamos voltar 200 milhões de anos atrás". A partir daí, o jornalista começa a dizer que nossa espécie era apenas uma de muitas, mas que descobriu uma coisa muito importante: a solidariedade aumenta nossas chances de sobrevivência. E por causa disso nós evoluímos.

Blábláblá.

Eu gostaria de fazer algumas perguntas ao jornalista que montou o texto dessa matéria:

1) Se somos solidários porque isso aumenta nossas chances de sobrevivência, isso é realmente solidariedade ou é egoísmo?

2) Nossa solidariedade é um dever objetivo ou apenas uma ilusão subjetiva de dever?

3) A solidariedade aumenta as chances de sobrevivência do indivíduo que a pratica ou da espécie?

4) Se é da espécie, por qual razão devemos nos preocupar com a sobrevivência da espécie?

5) Se é do indivíduo, então é certo não ser solidário nas situações em que isso não representar ganhos para o indivíduo em termos de sobrevivência?

6) Se a evolução é apenas um nome pomposo para um processo cego de acumulação de milhões de mutações aleatórias benéficas ao longo de milhões de anos em uma espécie, podemos falar em valores, direitos e deveres objetivos?

7) Se nossa moralidade não está baseada em nada que transcenda tempo, espaço, culturas e instintos naturais, em que baseamos nossos sensos objetivos de valor e de dever?

São perguntas que a pessoa que montou um texto desse deveria saber responder. Mas a própria estrutura do texto demonstra que ele não sabe. Quem estuda apologética (e não, isso não é bicho de sete cabeças) e lógica, sabe que o que esse jornalista falou é uma porção de baboseiras. Ele não tem a mínima noção do que está dizendo e de suas consequências. Apenas está repetindo fórmulas prontas que foram criadas para doutrinar espectadores passivos. Talvez, ele mesmo tenha sido um doutrinado no passado. Ou, quem sabe, é um desonesto, que está fazendo de propósito.

Um comentário:

  1. Eu vi essa, e concordo com suas indagações em gênero, número e grau!

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