sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A Igreja Católica Apostólica Judaica

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Se fosse necessário dar um nome para a Igreja instituída por Jesus no primeiro século, esse nome deveria ser "Igreja Católica Apostólica Judaica" e não romana. Os primeiros cristãos eram judeus e continuaram se sentindo judeus após a ascensão de Cristo aos céus. Jesus não representava, para eles, o fundador de uma nova religião, mas o Messias Judaico. Assim, era natural continuar indo à sinagoga aos sábados, lendo as Escrituras Judaicas e cumprindo seus mandamentos. Também os gentios não enxergavam esses primeiros cristãos como membros de uma nova religião, mas como judeus comuns, frequentadores de sinagogas e guardadores do sábado. 

O evangelista Lucas, autor do livro bíblico Atos dos Apóstolos, menciona a ida de cristãos à sinagogas judaicas de pelo menos nove cidades pagãs: Damasco (At 9:2), Salamina (At 13:5), Antioquia (At 13:14), Icônio (At 14:1), Tessalonica (At 17:1-4), Bereia (At 17:10), Atenas (At 17:16-17), Corinto (At 18:1-4) e Éfeso (At 18:19). O historiador também cita o costume de Paulo e seus companheiros de dedicarem o sábado a Deus nas sinagogas (At 13:16, 13:42-22, 17:1-3 e 18:1-4). O apóstolo Paulo, aliás, quando trabalhou confeccionando tendas em Corinto, disponibilizava justamente o sábado para pregar o evangelho o dia inteiro. E mesmo após se irritar com judeus incrédulos e dizer que a partir dali focaria nos gentios (At 18:6), ele torna a pregar em sinagogas, na cidade de Éfeso, permanecendo ali por dois anos e convertendo tanto judeus naturais quanto gregos que iam à sinagoga (At 18:18-19 e 19:8-10). 

Ainda sobre Paulo, suas defesas contra acusações de judeus incrédulos também denotam uma forte sintonia com os hábitos judaicos. Ele reafirma seu judaísmo étnico e suas raízes religiosas judaicas (At 22:3); considera-se fariseu (At 23:6); afirma estar sendo julgado apenas por crer na mesma coisa que criam seus acusadores: a ressurreição dos mortos (At 23:6);  ressalta que acredita em tudo o que está na lei e nos profetas, incluindo a ressurreição - tal como os fariseus que o acusavam (At 24:14-15); deixa claro que foi pego por seus oponentes sem estar transgredindo a lei, desempenhando ainda uma prática judaica (At 24:17-19) e torna a dizer que está sendo julgado apenas por crer na ressurreição (At 24:20-21). 

Em Atos 25:7, vários judeus incrédulos rodeiam o apóstolo e o acusam, perante o governante romano Festo, de várias transgressões que não podiam provar. Paulo responde, no verso 8: "Nenhum pecado cometi contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra Cesar". Continua nos versos 10 e 11: "Estou perante o tribunal de César, onde convém seja eu julgado; nenhum agravo pratiquei contra os judeus, como tu bens sabes. Caso, pois, tenha eu praticado algum mal ou crime digno de morte, estou pronto para morrer; se, pelo contrário, não são verdadeiras as coisas de que me acusam, ninguém, para lhes ser agradável, pode entregar-me a eles". 

Fica claro que Paulo tinha a convicção sincera de não estar transgredindo ponto algum do judaísmo. Sua visão, como a dos demais cristãos, não era a de um rompimento com a religião judaica e a aceitação de uma nova religião. Era, sim, da manutenção de uma mesma religião, mas agora com a revelação plena do Messias. Podemos ver esse mesmo senso de pertencimento à religião judaica no apóstolo Pedro. Em Atos 10, quando Pedro tem a visão dos animais imundos e Deus lhe ordena que se alimente deles, responde: "De modo nenhum, Senhor! Porque jamais comi coisa alguma comum ou imunda" (At 10:14). A visão era uma parábola, conforme a continuação do capítulo 10 e o capítulo 11 demonstram. Os animais imundos simbolizavam os gentios e a instrução da parábola era que os judeus deveriam pregar o evangelho a estes, sem distinção. Para os propósitos deste post, contudo, o que importa é enfatizar que Pedro continuava guardando a dieta alimentar judaica. 

O apóstolo João também dá indícios de que ainda se sentia um judeu (ou que Jesus queria que ele se sentisse assim). Em Apocalipse 2:9 e 3:9, descrevendo as palavras que recebeu de Jesus, utiliza os termos "Sinagoga de Satanás" e "judeus que a si mesmo se declaram judeus e não são" para criticar uma classe de desobedientes. O Apocalipse, aliás, está repleto de termos e conceitos judaicos advindos dos livros proféticos do Antigo Testamento. Parece haver não só uma visão do judaísmo como a religião dos primeiros cristãos como um cuidado, sobretudo nesses dois textos, de mostrar aos cristãos que eles não deveriam perder suas raízes judaicas. Não nos referimos, claro, aos erros, preconceitos e tradições humanas que se infiltraram no judaísmo, mas sim daquilo que compunha, de fato, o conjunto de princípios dados por Deus ao povo judeu. Embora Deus já não tivesse um povo no sentido étnico, com uma pátria, uma língua e um governo teocrático, o judaísmo como religião permanecia. 

O apóstolo Tiago, irmão de Jesus, também demonstrava manter fortes laços com o judaísmo. Quando Paulo foi até Jerusalém, após alguns anos de missão, ouviu dele e dos presbíteros da Igreja de lá: "Bem vês, irmão, quantas dezenas de milhares de judeus que creram, e todos são zelosos da lei" (At 21:20). É evidente, como a própria continuação desse texto indica, que entre os judeus crentes em Cristo havia muitos judaizantes. Estes não entendiam que, conquanto a religião permanecesse a mesma, alguns preceitos ritualísticos haviam deixado de vigorar, por previsão da própria lei judaica, em função do sacrifício de Cristo. Isto não era uma quebra da lei ou uma abolição do judaísmo, mas apenas o cumprimento de uma previsão que estava de acordo com a Lei e os Profetas. Era por isso que Paulo se sentia confortável em dizer que não transgredia qualquer lei judaica e permanecia judeu. Era verdade, não mera estratégia mentirosa para se livrar de condenações. 

O problema é que os judaizantes não entendiam assim. Para eles, Paulo ensinava a transgressão da lei (At 21:21) e o boato acabava sendo comprado por grande parte da Igreja de Jerusalém, além dos judeus incrédulos.

O próprio Tiago, no entanto, não era um judaizante. No primeiro grande concílio da Igreja Cristã, em Jerusalém, apóstolos, presbíteros e alguns nomes importantes entre os primeiros cristãos se reuniram para discutir se a circuncisão deveria ser requerida dos gentios para a salvação. Aparentemente, Jesus não havia deixado qualquer observação quanto a isso e grande controvérsia estava ocorrendo entre os partidários da circuncisão para salvação e os adeptos da incircuncisão (At 15). Houve um grande debate nesse concílio, mas ao fim dos testemunhos de Pedro, Paulo e Barnabé à favor da não necessidade de circuncisão, Tiago, como líder da Igreja em Jerusalém, tomou a palavra final e também votou pela desobrigação do rito aos gentios conversos (At 15:13-21). Mas, apesar de não judaizante, Tiago permaneceu judeu. São dele as contundentes palavras:

"Se vós, contudo, observai a lei régia segundo a Escritura: 'Amarás o teu próximo como a ti mesmo', fazeis bem; se, todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo arguidos pela lei como transgressores. Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos. Porquanto, aquele que disse: 'Não adulterarás' também ordenou: 'Não matarás'. Ora, se não adulteras, porém matas, vens a ser transgressor da lei. Falai de tal maneira e de tal maneira procedei como aqueles que hão de ser julgados pela lei da liberdade" (Tg 2:8-12).

Essa relação positiva com o decálogo era comum a todos os primeiros cristãos. Paulo, por exemplo, cria claramente na vigência do decálogo (Rm 13:9, Ef 6:2, I Co 7:18-19 e Rm 2:17-29) e asseverava que quem se mantinha na transgressão dos mandamentos morais de Deus, que são derivados do decálogo, não entraria no Reino de Deus (I Co 6:9-10 e Gl 5:19-21). Embora seu ensino fosse de que os mandamentos não salvam, nem purificam, apenas demonstram nossos erros, ele não deixa de afirmar que a lei não é pecado (Rm 7:7), que ela é santa e que seus mandamentos (tal como o de “não cobiçar”) são santos, justos e bons (Rm 7:12). Ele também faz questão de dizer que a lei é espiritual e que o ser humano é que é carnal (Rm 7:14). Ele diz ainda que a lei é boa (Rm 7:16) e que, embora ele não consiga seguir a lei com sua própria força (pois é pecador), ele tem prazer nela (Rm 7:22). O único problema da lei, segundo o apóstolo Paulo, é que ela não tem como fazer o pecador segui-la. Mas Paulo ensina que esse problema é resolvido por Jesus Cristo.

João, por sua vez, enfatizou muito a observância dos mandamentos em seus escritos (I Jo 2:3-6, 3:22-24 e 5:2-3; II Jo 1:5-6; Ap 12:17 e 14:12). É verdade que João costuma a usar a fórmula resumida do decálogo, que foi ensinada por Jesus (Mt 22:36-40 e Mc 12:28-34). Mas essa fórmula de Jesus, longe de anular o decálogo, apenas demonstra que o mesmo possui dois mandamentos principais da Torá que lhe servem de base. Assim, um judeu que observe os dois, automaticamente observará todo o decálogo e mais todas os mandamentos morais que se desdobram a partir do decálogo, desde não assassinar até não odiar.

Interessante é que a descrição feita pelo evangelista Marcos nos traz uma prévia do que os autores do Novo Testamento discutiriam sobre a lei décadas mais tarde. Após Jesus responder quais eram os dois mandamentos-base de todo o conjunto de leis da Torá, o escriba que o interpelou disse: “Muito bem, Mestre. Com verdade disseste que ele é um, e fora dele não há outro; e que amá-lo de todo o coração, de todo o entendimento e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios” (Mc 12:32-33). Marcos continua sua descrição da cena: “E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: ‘Não estás longe do reino de Deus’. E ninguém ousava mais interrogá-lo” (Mc 12:34). O leitor percebe? Jesus já deixava uma pista de que a discussão posterior seria mandamentos morais x sistema sacrificial – o qual se relacionava intimamente com as festas e feriados judaicos.

Que Jesus Cristo demonstrou grande reverência pelo decálogo fica claro nas passagens que descrevem o diálogo com o jovem rico (Mt 19:16-19, Mc 10:17-19 e Lc 18:18-20), no sermão do monte (Mt 5:17-20) e na última ceia com seus discípulos (Jo 14:15-21 e Jo 15:9-10).

A exposição deste pano de fundo nos ajuda a visualizar melhor como o afastamento entre judaísmo e cristianismo foi muito gradual nas primeiras décadas após a ascensão de Cristo e que não havia uma identidade cristã própria e plenamente desconectada do judaísmo na Igreja. A Igreja das primeiras décadas era formada basicamente por judeus, por gentios frequentadores de sinagogas e por judaizantes. As sinagogas continuaram sendo o local de adoração de muitos cristãos e foi também, por bastante tempo, o principal local de pregação do evangelho, onde eram alcançados judeus e gentios. O ponto de encontro entre o evangelho e os gentios era justamente às sinagogas plantadas nas cidades pagãs. 

Os cristãos aproveitavam as sinagogas judaicas para pregar justamente porque ainda se sentiam judeus e entendiam que pregar Jesus nas sinagogas não era pregar outra religião, mas apenas anunciar as boas novas do Messias Judaico. Era tão natural quanto alguém hoje ir a uma igreja de outro país, ler a Bíblia e dizer que Jesus é Deus. Seria estranho, no entanto, fazer isso numa Mesquita islâmica, num centro de Umbanda/Candomblé  ou mesmo num Salão do Reino das Testemunhas de Jeová (que embora creiam na Bíblia, não creem na divindade de Jesus, nem na Trindade).

O cenário da igreja do primeiro século é um cenário majoritariamente judaico e a sede da Igreja era a Congregação em Jerusalém, na qual os apóstolos ficaram durante muito tempo. E é por isso que a guarda do sábado durante esta época foi (com alta probabilidade histórica) algo bastante natural e intuitivo. Na Igreja de Jerusalém, conforme o próprio texto de Atos afirma, havia dezenas de milhares de judeus crentes zelosos da lei. Ou seja, guardavam o sábado e frequentavam sinagogas. Os gentios crentes de lá, portanto, certamente faziam o mesmo. O hábito ainda era seguido por todos os judeus e gentios crentes das cidades pagãs que mantinham sinagogas, conforme também os textos apontam. 

Nas duas décadas finais do primeiro século, no entanto, os cristãos já não tinham mais nenhum contato com sinagogas e a cultura judaica. Esse afastamento provavelmente se iniciou por volta do ano 70 d.C. com o aumento da antipatia dos judeus incrédulos para com os cristãos. Por volta do ano 90 d.C. já estava consolidada efetivamente a divisão e o cristianismo já não era mais visto, nem mais se via, como fazendo parte da religião judaica. Estavam abertas as portas para mutações em sua teologia em busca de uma identidade própria, desconectada o tanto quanto possível de suas raízes judaicas. É isso que vai alimentar, nas décadas seguintes, um sentimento antijudaico no que concerne a teologia cristã, a qual ajudará a colocar para dentro do cristianismo uma teologia que se orientava pelo antijudaismo em grande parte.

O vácuo deixado pela perda de importância da Igreja de Jerusalém (tão relevante para a Igreja nas primeiras décadas de cristianismo) e pela morte de todos os apóstolos (que eram judeus) será suprido por uma influência cada vez maior da Igreja em Roma. Por duas razões básicas: ser a Igreja da capital do império e contar com um grande número de cristãos não provenientes do judaísmo. Assim, de maneira gradual, a Igreja que se via inicialmente como judaica e detinha sua matriz de influência na cidade de Jerusalém, passará a forjar uma nova identidade religiosa/cultural, passando a se enxergar como não judaica e adotando como matriz a cidade de Roma. 

Como se vê, este processo é bem anterior ao imperador Constantino. Na verdade, foi esta separação vagarosa entre cristianismo e judaísmo, seguido do desenvolvimento de uma teologia cristã não judaica (e até antijudaica em alguns pontos), que pavimentou o caminho para que um dia o referido imperador pudesse iniciar a união entre a Igreja Cristã e o Estado Romano, no quarto século. E é outro imperador, chamado Justiniano, que finalizará o processo no sexto século. A Igreja se torna, então, totalmente romana, como se o cristianismo tivesse surgido em Roma. Suas raízes judaicas jazem totalmente esquecidas ou, quando muito, taxadas como judaizantes. 

Obs.: Esse texto é um resumo das ideias expostas no meu texto: “Quinze razões para guardar o sábado – Parte 2”. A razão 10, que fala sobre as raízes judaicas da Igreja Primitiva, eu usei quase na íntegra aqui. Já a razão 11, que fala sobre a relação dos primeiros cristãos com o decálogo e a lei, eu só usei alguns trechos. Recomendo a leitura do texto citado, e com a Bíblia do lado, para checar todas as referências.

sábado, 26 de novembro de 2016

Uma reflexão adventista sobre a morte de Fidel Castro

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Morreu hoje, aos 90 anos, o ex-ditador cubano Fidel Castro. Sua morte nos relembra uma valiosa lição: neste mundo todas as coisas passam. Castro procurou criar uma nova sociedade. Queria fazer um mundo a sua imagem e semelhança, ser ele mesmo a redenção dos homens. Talvez tivesse uma boa intenção no início. Quem sabe, realmente se incomodava com o sofrimento do gênero humano? Possivelmente, em algum ponto de sua distante juventude, tenha sentido, de fato, a dor de alguém e desejado sinceramente fazer um mundo melhor. No entanto, como todos aqueles que pretendem ser a redenção do mundo, Castro rumou pelo caminho da prepotência e do autoritarismo. Querendo agir como Deus, tornou-se assassino e repressor. Pretendendo, talvez, fazer um Céu na terra, criou um inferno. E nesse inferno buscou, egoisticamente, uma situação melhor para si mesmo.

Castro, como todos os ditadores, é mais um símbolo da completa falibilidade humana e da tolice da salvação pelas obras. Descrente de Deus, mas crente em sua própria capacidade, Castro não conseguiu redimir o seu povo; não conseguiu ser o salvador que talvez um dia tenha pretendido ser; não conseguiu criar um mundo realmente bom. Castro não salvou a seus conterrâneos, tampouco a sua própria vida. Deixa para trás toda a sua riqueza, todo o seu poder e toda a sua vivacidade que outrora tivera. Nada leva desta terra, exceto, simbolicamente, as mãos sujas com o sangue de milhares de pessoas inocentes.

Terá ele aceito a Cristo nos últimos dias de sua vida? Terá ele se arrependido de todas as maldades que conscientemente perpetrou ao seu povo? Pouco provável. Fidel Castro sai hoje da existência, tendo levado uma vida vazia, em busca do impossível, querendo fazer as coisas do seu próprio jeito, fugindo de Deus. Viveu iludindo-se e iludindo a outros. Foi transformado em santo por muitos, mas não fez qualquer pessoa se achegar a Jesus Cristo, o único e verdadeiro salvador. De que valeu a sua revolução? O sangue dos cristãos que matou clama na terra até hoje. E o seu povo está na miséria.

Castro matou e morreu; assim se resume a sua vida. E se morreu da maneira como viveu, uma terrível punição o espera e, por fim, a inexistência absoluta. Nenhum bom legado deixa. Espalhou apenas sofrimento e hoje muitos comemoram a sua morte. Que triste fim! Que triste existência! Para ele, que via Jesus apenas como um mero revolucionário, as palavras de Paulo vem bem a calhar: "Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens" (I Coríntios 15:19).

É isso. Fidel Castro agora está morto. Já nada mais pode fazer ou sonhar. E o mundo permanece tão ruim quanto há 50 anos, quando ele resolveu revolucioná-lo. Quem saiu ganhando nessa história? Apenas Satanás. Iludiu um homem e através dele milhares de outros. Deu-lhes uma falsa esperança. Uma esperança humana. Hoje nada mais resta de bom aos que morreram nessa crença falsa e vazia. Nós, porém, segundo a promessa de Cristo, "esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça" (II Pedro 3:13).

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A eterna síndrome do amor ao Estado

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Tem uma coisa que não consigo entender como se processa na mente de um esquerdista: a fé no poder politico. Vejam bem: todos os dias lemos notícias de políticos que nos deixam indignados com esta classe. Eles maquinam diariamente maneiras de nos prejudicarem em benefício próprio. Possuem dezenas de privilégios, um salário enorme e um poder maior ainda para decidir quase tudo sobre a sua vida. Fogem da justiça com uma facilidade absurda. São uns vermes, gente asquerosa, cínica, mentirosa, cruel, sem nenhum respeito pelo indivíduo humano.

E eu não falo de um grupinho de políticos. Estou falando de quase todos. A grande maioria é um estorvo para a nação. Só entre deputados federais e senadores, o nosso parlamento, há 594 políticos. Se 50 ali realmente prestam e possuem capacidade para estarem em suas posições é muito. O restante é um bando de néscios e ladrões, gente que mama o seu dinheiro de trabalhador suado para tornar sua vida mais difícil é a deles mais fácil. Nos estados e cidades a situação é ainda pior. Há câmaras inteiras sem uma única pessoa que preste. Há lugares em que os políticos viraram barões e suas famílias oligarquias. O poder é passado de geração em geração e nada muda. O povo permanece sendo massacrado.

Para mim, vendo tudo isso, é óbvio, claro e evidente que o poder dos políticos precisa ser reduzido, que seu campo de ação, seus benefícios, suas prerrogativas e responsabilidades, tudo tem de ser limitado ao máximo. O Estado precisa ser menor e menos poderoso. A classe política necessita de limites. No entanto, o esquerdista pensa justamente o oposto. De alguma forma que não entendo, ele consegue achar ruim todo esse cenário descrito, mas desejar que o Estado e seus agentes continuem tendo o mesmo poder e até o aumentem. Como assim?!

Será tão difícil entender que você não vai ter um hospital público de qualidade enquanto esses caras concentrarem tanto poder e funções? Será que não percebe que a educação jamais terá qualidade enquanto o Estado for esse monstro?

Você quer um Estado que dê assistência aos necessitados? Ok. É possível. E é justo. Há realmente gente nesse país que não tem condições de levar uma vida digna. Por culpa do próprio governo. Então, há quem precise mesmo de assistência. Mas, meu amigo, não dá para manter um Estado que dê assistência aos pobres e, ao mesmo tempo, aos políticos, parentes de políticos, empresários financiadores de políticos, militantes, partidos, assessores comissionados, concursados com super salários, dezenas de ministérios, milhares de secretarias, bancos privados, bancos públicos, blogs, revistas, jornais, canais de TV, times de futebol, artistas, filmes, ONGs, Sindicatos, MST, CUT, UNE, MTST, Cuba, Venezuela, Angola, Foro de São Paulo, Odebrecht, SuperVia, Correios, etc. Não dá! Ou o povo pobre ou todos esses políticos e apadrinhados políticos. Lembre-se que esse segundo grupo se alimenta do primeiro. O dinheiro que paga todo esse enorme aparelho estatal e os seus tentáculos sai justamente do bolso dos pobres que você diz querer ajudar. Quanto maior o Estado e quanto mais poder a classe política tem, mais os pobres são massacrados. É difícil entender isso?

Reduzir o Estado e o poder dos políticos deveria ser ponto em comum, ponto pacífico, unanimidade. É apenas com essa redução que pode-se pensar numa economia mais ativa, capaz de arrecadar mais impostos. É apenas com essa redução de custos que pode-se pensar em investir mais e melhor em saúde, educação e segurança públicas. Mas enquanto houver quem defenda político bandido, morosidade nos julgamentos e concentração de poder e dinheiro nas mãos do Estado e seus agentes, não tem como melhorar a vida do povo.

Não se pode servir a dois senhores. Ou se serve aos políticos ou ao povo. Tentar servir aos dois é certeza de desagradar a um deles. Ou ambos.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Conhecimento Econômico II: Inflação

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Você sabe o que é inflação? Sabe como ela se forma? Vamos tratar hoje desse tema. O texto de hoje é o segundo da série que me propus a fazer sobre conhecimentos básicos de economia. Para quem não leu o primeiro, clique aqui

Mencionei brevemente no primeiro texto o erro infantil (das crianças mesmo) de achar que imprimir mais dinheiro poderia resolver os problemas do mundo. Por incrível que seja, homens adultos, por vezes economistas, fazem uso desse artifício insano. Por quê? Explico.

Obviamente emitir dinheiro e distribuir à todos seria inútil, já que dinheiro é apenas um símbolo. Mas o governo pode (através do Banco Central) emitir mais dinheiro para os Bancos. Ao fazê-lo, os bancos terão mais dinheiro para emprestar. Isso reduz os juros dos empréstimos. Por quê? O juro nada mais é do que o preço do empréstimo. O empréstimo é um serviço como qualquer outro e, portanto, tem um valor. Isso é o juro.

Ora, se o banco tem muito dinheiro guardado, emprestar é mais fácil, logo o empréstimo será mais barato. Se suas reservas estão reduzidas, o preço do empréstimo se elevará, bem como os requisitos para consegui-lo; e os valores possíveis serão menores. Em outras palavras, quando o BC joga moeda na economia através dos bancos, estes passam a oferecer crédito fácil em todos os sentidos. Menos juros, menos requisitos, mais parcelas, empréstimos mais altos e etc. À curto prazo, isso gera um boom na economia. As empresas começam a pegar altos empréstimos para seus projetos; novos empreendedores surgem, conseguindo se capitalizar; os consumidores compram mais no crediário. É a farra do crédito. O banco tem para todos.

O que descrevi parece muito bom, né? Mas não se esqueça: é artificial. O que se aumentou, primeiramente, foi o dinheiro disponível (que é um símbolo) e não a produção. Isso quer dizer que, à princípio, há mais dinheiro em circulação para comprar a mesma quantidade de coisas. Não houve produção de riqueza, portanto.

Se todos recebessem esse dinheiro novo criado ao mesmo tempo e na mesma quantidade, isso não faria nenhuma diferença, nem positiva, nem negativa. Seria inócuo. Mas lembre-se que quem recebe primeiro são os bancos. Depois as primeiras empresas a pegar empréstimos. Ou seja, esse dinheiro vai sendo repassado para as pessoas aos poucos. Aí está o problema. As primeiras que receberem terão mais condição que antes de comprar coisas. E comprarão. Só que como a produção não aumentou à princípio, haverá menos produtos para os outros. Isso fará com que os preços se elevem. É o que chamamos de inflação de preços. Ela é causada pelo aumento de circulação de moeda no mercado.

Então, antes do novo dinheiro chegar à todos através do aumento de salários, os preços já subiram. Quer dizer, alguns tiveram aumento de renda e puderam comprar mais com os preços no mesmo patamar. Outros tiveram que comprar mais caro, ganhando o mesmo salário.  

Mas por que, então, os governos inflam moeda? Há pelo menos dois motivos. O primeiro é o já mencionado "boom" na economia. Trata-se de uma aposta. O governo expande crédito e espera que os empréstimos que isso vai gerar expandam suficientemente os negócios para que mais empregos sejam criados, o que fará mais empresas concorrerem e mais pessoas consumirem. A ideia, portanto, é criar uma inflação dosada, que não cresça muito e seja rapidamente superada pelo conseguinte aumento de produção.

Um dos principais problemas desse tipo de política é que essa aposta é arriscada. Não há como prever que o crescimento será tão grande, nem que será uniforme. Na verdade, dificilmente o crescimento é uniforme, em geral uns ramos crescerão mais rapidamente que outros. Então, mesmo que a economia cresça muito, alguns ramos podem não crescer o suficiente para conter a elevação de preços ocasionada pela expansão de crédito. Ademais, o crescimento da produção realmente deve ser fantástico para que a inflação seja contida, o que dificilmente ocorrerá em um país que já não seja bastante desenvolvido e liberal na sua economia.

Mas ainda que um país consiga ser bem sucedido nesse crescimento fantástico, isso não durará muito tempo. Por que? Bom, aqui entra outro grande problema desse tipo de política: Nenhum governo poderá inflar moeda para sempre. Ainda que se consiga a proeza de se conter a inflação durante um bom período de crescimento, em dado momento a expansão de crédito deverá parar para que não ultrapasse a capacidade de produção. Tudo tem um limite. Quando o governo chega nesse limite máximo, iniciará um momento de corte radical na emissão de moeda e de aumento da taxa básica de juros. Aqui no Brasil a Taxa Básica de Juros é a SELIC, que é calculada pelo Comitê de Política Monetária (COPOM), um setor do BC. O aumento ou a redução dessa taxa pelo BC influencia todas as outras taxas de juro do país. É comum que o governo aumente essa taxa quando deseja reduzir ou evitar inflação. 

Ora, com o corte radical na emissão de moeda e o aumento da taxa básica de juros, os bancos já não poderão emprestar na mesma velocidade, quantidade e facilidade de antes. Mas a sociedade ainda está à todo o vapor, lembra? Então, o que vai acontecer é que o preço dos empréstimos (os juros) tornarão a subir. Cessa a facilidade de conseguir dinheiro e quem fez empréstimos altíssimos terá uma surpresa: os juros aumentarão exorbitantemente. O que antes pareciam negócios lucrativos se mostram verdadeiras bancarrotas. Os empresários ficam endividados com o aumento dos juros. As pessoas que compraram em cartões ou que possuem dívidas no limite bancário também ficam mais endividadas. Os próprios bancos podem ficar em situação ruim, porque o não pagamento de seus empréstimos poderá quebrar suas atividades. Sem poder pagar suas dívidas, empresas demitirão funcionários e, se a concorrência permitir, procurarão aumentar preços.

O fim de toda a política inflacionária é essa. Mas para muitos governos vale à pena o risco, pois quem segurará o pepino provavelmente será o governo seguinte. Assim, é possível um governo inflar a moeda, aquecer a economia por alguns anos e deixar a crise para seus sucessores.

A segunda razão para governos inflarem a moeda é para pagar suas dívidas. Isso pode ser feito de três maneiras. A mais primitiva é o governo mandar o BC fazer dinheiro e pagar as dívidas. Mas isso é algo proibido em diversos países. Outra maneira é fazendo uma permuta com os bancos. O BC expande moeda para os bancos e os bancos, por sua vez, emprestam dinheiro para o governo. Em geral, esse empréstimo ocorre por meio de compra de "títulos de dívidas" do governo por parte dos bancos (grosso modo, isso nada mais é que empréstimo).

Por que os bancos aceitam isso? É óbvio. Além de terem recebido mais dinheiro para emprestar, ao emprestar quantias vultuosas para o governo terão um retorno enorme, já que quanto maior o empréstimo, maior o juro. O governo é sempre maior devedor que qualquer indivíduo ou empresa. Daí se segue também que quanto mais um governo gasta e pede empréstimos, melhor para os bancos (desde que o governo não seja caloteiro).

Uma terceira maneira de pagar suas dívidas através da inflação é visando reduzir justamente o juro de dívidas em andamento. Uma vez que expandir moeda reduz os juros, o governo pagará menos quando se utilizar desse artifício.

Quando entendemos essa dinâmica, conseguimos compreender alguns fenômenos da história. Por exemplo, por que o Brasil viveu uma hiperinflação nos anos 80 e início dos anos 90? Quem é mais velho lembra disso. Os produtos mudavam de preço todos os dias, duas, três, quarto vezes por dia. A pessoa recebia o salário e corria para o mercado para comprar antes que tudo aumentasse. Por quê? O motivo principal era a existência de um número enorme de empresas estatais (incluindo bancos) que davam déficits também enormes. Para que essas estatais não fossem à falência, o governo as acudia direta ou indiretamente imprimindo dinheiro. Resultado: uma inflação galopante.

Outro caso de distorção econômica causada pela política de expansão de moeda é a crise americana de 1929. Embora ela geralmente seja apontada como uma crise causada pela superprodução em uma economia extremamente liberal, a verdade é que sua causa foi a expansão creditícia promovida pelo FED, o Banco Central americano. Como se deu? O FED expandiu crédito por alguns interesses políticos da época. Isso derrubou os juros e estimulou a tomada de empréstimos. O resultado foi um boom na economia. Mas o FED teve que cortar o crédito, a fim de não criar um surto inflacionário. Os preços até então tinham sido segurados pela grande produção. Ao cortar o crédito e aumentar os juros, os empresários que fizeram altos empréstimos se viram com dificuldades de pagar.

Com as primeiras demissões e falências, muita gente começou a ir aos bancos para retirar dinheiro da poupança. Isso complicou a situação dos bancos, que já não estavam vendo o pagamento de muitos empréstimos.

O aumento do desemprego reduziu o consumo rapidamente. Então, aquela incrível produção passou a se acumular nas prateleiras. Havia mais produto que gente com condição de comprar. Em vez, então, de haver inflação de preços, houve deflação. Com excesso de produtos e pouco consumo, as empresas foram baixando os preços para tentar vender. Não é preciso ser um gênio para perceber que se você está em época de crise e ainda precisa baixar preços, você não vai durar muito.

Um terceiro caso desastroso de distorção econômica é bem mais atual. Aqui no Brasil, o governo Lula, após um breve período de ajuste da economia, também lançou mão da expansão de crédito. Mesmo esquema: uma aposta numa inflação contida que pudesse ser superada rapidamente pelo aumento de produção. A aposta deu certo principalmente por uma razão: a queda do dólar. Nesse período o dólar se desvalorizou bastante (provavelmente pelos efeitos da guerra no Iraque). Com o dólar caindo, todas as compras de produtos americanos ou que continham algum componente americano ficaram mais baratas. Isso não só anulou a inflação de preços como ajudou a aquecer a economia, aumentando a produção, a concorrência e o consumo.

O bom período econômico do presidente Lula acabou sendo mais extenso do que deveria pelos efeitos da queda do dólar. Houve outras razões também, como o bom momento dos países emergentes, incluindo a China, que virou grande parceira comercial do Brasil. Mas, como já vimos, a economia é implacável. Ele sempre impõe o acerto de contas. E o acerto começou a chegar quando o dólar voltou a subir. Os dois governos de Lula e o primeiro governo de Dilma haviam expandido crédito e gasto dinheiro como se não houvesse amanhã. Com a escalada da moeda americana novamente, nossa produção iniciou um movimento de queda, os produtos ficaram mais caros, a inflação começou a aparecer, a arrecadação de impostos pelo governo se tornou insuficiente para pagar as dívidas, os juros foram aumentados e entramos na crise que nos encontramos, com desemprego crescente e elevação de preços.

Esses exemplos nos deixam de lição de que não é possível enganar a economia. Você pode até expandir crédito e conseguir manter a inflação à níveis toleráveis por uma série de circunstâncias fortuitas. Mas uma hora chegará o acerto de contas em forma de juros altíssimos, causando endividamentos, queda nos investimentos, desemprego e falências. E se a produção foi muito acelerada, este cenário causará deflação.

Talvez isso possa parecer meio abstrato para você. Vamos expor de maneira mais concreta. Os empresários fazem seus investimentos com base nos sinais que a economia oferece. Esses sinais são os preços, a valorização da moeda, o nível da inflação, o nível de juros e etc. Se esses sinais forem falsos, todas as projeções e investimentos se mostrarão sem base em algum momento. Então, de repente, diversos empresários descobrirão que não deveriam ter pego empréstimo X, ou investido em Y, ou gasto tanto com Z. Ela se basearam em uma imagem falsa, distorcida da economia. É isso o que acontece quando o governo tenta criar crescimento econômico de forma artificial. Engana-se toda a população. O acerto de contas nos pega violentamente depois.

A pergunta que fica é: de que forma o governo pode impedir a si mesmo, de maneira eficiente, de criar inflação? Como uma sociedade consegue evitar esse mal? Esse será o assunto do próximo texto da série.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Acompanhem o blog "Reação Adventista"

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Quero convidar os leitores do Mundo Analista a visitarem o blog Reação Adventista. Ele é uma iniciativa de um grupo de cristãos adventistas (do qual faço parte) que se cansou de ver ideologias anticristãs advindas principalmente da esquerda infectarem a mente de alguns membros da nossa Igreja. Nós iniciamos o projeto com uma página no Facebook. A página cresceu e resolvemos fazer um blog para organizar melhor os nossos textos. Temos hoje a página no Face, uma conta no Twitter e no Instagram, e o blog. Em breve também teremos uma conta no Youtube. Se você também está cansado do progressismo se infiltrando no cristianismo, distorcendo o evangelho e afastando pessoas de Cristo, acompanhe este projeto. 

Segue abaixo o texto introdutório do blog, que descreve nosso objetivo.

O que é o Reação Adventista?

A página “Reação Adventista” foi criada com um objetivo simples e direto: ser uma voz de reação contra filosofias anticristãs tais como o marxismo, o liberalismo teológico, o feminismo, o abortismo, o relativismo e o secularismo em geral. Essas pautas tem sido geralmente disseminadas pela esquerda política, mas não se tratam meramente de discussão política – elas penetram o campo da moral e atingem princípios bíblicos, afastando pessoas de Cristo e deturpando o evangelho.

Entretanto, o intuito da página não é colocar o cristianismo (e o adventismo) em pé de igualdade com a direita. Até porque o que houver na direita que contrarie a Bíblia, nós não hesitaremos em rechaçar. Embora o posicionamento dos articulistas desta página seja, de fato, à direita (e não escondemos isso), temos a convicção de que direita e esquerda são dois posicionamentos políticos. É perigoso comparar posicionamentos políticos ao cristianismo, porque o cristianismo não é um posicionamento político ou econômico. São coisas de naturezas diferentes.

O cristianismo é uma religião. E o cristianismo genuíno é mais do que uma religião. É um relacionamento profundo e verdadeiro com Jesus Cristo, o que leva à observância e ao respeito pela Sua Palavra, a Bíblia. Quando fazemos uma comparação entre direita, esquerda e cristianismo, transformamos o cristianismo em política (ou direita e esquerda em religiões) e acabamos por colocar o evangelho ao nível de filosofias terrenas. Mas o evangelho é muito superior a essas filosofias. Assim, o objetivo da página não é (e não será) defender a direita política.

Contudo, também entendemos que há posturas e crenças políticas, culturais e até econômicas que contrariam princípios cristãos (e adventistas). E a esquerda é repleta desses elementos espúrios, corrosivos ao genuíno evangelho. Só para citar alguns exemplos:

Ela deposita confiança num Estado grande para mudar o mundo (como se fosse possível fazer um Céu na Terra), defende leis que criam sensação de impunidade entre os criminosos, tira do indivíduo a responsabilidade de ser caridoso (dando essa responsabilidade ao Estado), defende o aborto (que nada mais é que assassinato de inocentes), defende a liberalização das drogas (como se isso não fosse ter nefastas consequências em relação ao convívio social com drogados), defende altos impostos (o que a própria Bíblia diz que leva um povo à ruína) e usa uma retórica de ódio entre classes e subclasses (empregados x patrões, héteros x homos, negros x brancos, mulheres x homens) para alcançar seus objetivos.

A mesma esquerda ainda defende o multiculturalismo (ideia que diz que todas as culturas são iguais e devem ser respeitadas, o que não é verdade. Devemos respeitar a cultura do Estado Islâmico de decapitar homossexuais, por exemplo?), ataca a família tradicional, defende o feminismo (que não serve mais para representar a mulher, mas apenas para seguir uma agenda de esquerda), apoia a violência do MST e as invasões de terras, defende regimes ditatoriais comunistas (que mataram 100 milhões de pessoas no século XX, e continuam matando hoje na China, na Coreia do Norte e em Cuba), defende a corrupção em prol dos partidos de esquerda (vide os petistas) e, quando não abraça o ateísmo, abraça formas deturpadas de cristianismo.

Então, ser cristão e de esquerda não nos parece algo saudável. Ou você será um péssimo esquerdista ou um péssimo cristão. Para o cristão, politicamente, é melhor que ele seja de centro ou de direita. Quiçá, de uma esquerda moderada, isto é, sem os vícios culturais e morais já elencados acima (se é que essa esquerda existe e/ou é possível). Neste caso, não haveria problema.

Os componentes dessa página são de vertente conservadora. Defendemos o respeito à família tradicional e aos valores judaico-cristãos; não acreditamos que o Estado pode mudar o mundo, não apoiamos regimes totalitários, somos anticomunistas, somos favoráveis a leis rígidas contra criminosos, uma carga tributária mais leve, igualdade perante à lei, uma economia mais liberal, etc. São valores que ou se coadunam com os princípios bíblicos ou que simplesmente não os ferem.

A Bíblia não nos oferece uma fórmula política ou econômica específica para seguir. Mas nos ordena que tudo o que formos fazer, pensar, falar e defender não contradiga os mandamentos e as instruções de Deus. E ser de esquerda (pelo menos a esquerda que sustenta os pontos mencionados no texto) é pisar em vários princípios bíblicos. Em resumo: um cristão pode ter as posições políticas, econômicas e culturais que desejar (e não nos importamos com isso), desde que elas não firam a Palavra de Deus.

Para não parecer demagogia quando dissemos que o intuito da página não é defender a direita citamos alguns exemplos aqui. Nós somos contrários à regimes autoritários e ditaduras geralmente relacionadas à direita, como a Chilena, de Pinochet, o regime militar brasileiro de 1964 a 1985. Não temos ditadores ou ditaduras de estimação. Seja fascismo, nazismo, comunismo, teocracias islâmicas ou regimes autoritários de viés anticomunista, nós somos contra. Somos pelo Estado de direito.

Um segundo exemplo é que discordamos do libertarianismo e do anarcocapitalismo, duas correntes radicais do liberalismo econômico. Entendemos que essas correntes, ao colocarem o livre mercado como fim em si mesmo, acabam abrindo mão de valores morais, humanitários e cristãos em muitos casos. Nossa orientação é a Bíblia e não filosofias do mundo.

Ponto importante a enfatizar é que nós nos colocamos, nessa página, radicalmente contra o liberalismo teológico que tenta se infiltrar em nossa Igreja. Nosso conservadorismo se estende aos hábitos e costumes. Rechaçamos que o cristão se vista indecentemente e que viva chamando atenção para si. Acreditamos em algo muito importante chamado “Modéstia Bíblica”, a qual sempre fez parte dos princípios adventistas, mas tem se perdido nas novas gerações.

Também rechaçamos que a liturgia dos cultos a Deus seja infectada de mundanismo, transformando a Igreja em um clube. Somos jovens, não temos nada contra diversão, mas entendemos que o momento do culto é sagrado e deve servir para nos elevar a Deus em reflexão, contemplação e adoração, em um clima que não leve ao êxtase e à divagação.

Finalmente, a página também se propõe a divulgar o cristianismo e o adventismo de forma inteligente, polida e racional, da maneira como acreditamos que merece o nosso Deus. Não acreditamos na tese espúria e tola de que fé e razão não andam juntas, ou que fé é crer sem evidências. Cremos no que cremos porque há razões plausíveis e suficientes para crer. Há uma lógica no mundo criado por Deus. E podemos escavar as verdades de Deus através dessa lógica. Neo-ateus “toddynhos” não terão vez aqui falando suas baboseiras travestidas de intelectualismo.

Terminamos com duas citações de Ellen G. White que sintetizam o pensamento da página em relação à Palavra de Deus, à razão e à necessidade de correção dos que se desviam da verdade bíblica:

“Recomendo-vos, caro leitor, a Palavra de Deus como regra de vossa fé e prática. Por essa Palavra seremos julgados. Nela, Deus prometeu dar visões nos ‘últimos dias’, não para uma nova regra de fé, mas para conforto do Seu povo e para corrigir os que se desviam da verdade bíblica. Assim tratou Deus com Pedro, quando estava para enviá-lo a pregar aos gentios.” (WHITE, Ellen G. “Primeiros Escritos”, p. 78)

“Deus nunca pede que creiamos sem que nos dê suficientes evidências sobre as quais possamos alicerçar nossa fé. Sua existência, seu caráter e a veracidade de sua Palavra se baseiam em testemunhos que falam à nossa razão; e esses testemunhos são numerosos. Apesar disso, Deus nunca removeu a possibilidade de dúvida. Nossa fé deve se basear em evidências, não em demonstrações. Os que desejam duvidar terão a oportunidade de fazê-lo, enquanto os que realmente desejam conhecer a verdade poderão encontrar muitas evidências onde apoiar sua fé” (WHITE, Ellen G. “Caminho a Cristo”. Tautí: CPB, 2014, p. 105).

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Obs.: Se, ao ler nossa introdução, você concordou e se identificou conosco, fique à vontade para fazer parte desse projeto. Aceitamos sugestões e colaborações, que deverão ser enviadas para o e-mail: reacaoadventista@gmail.com

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Conhecimento Econômico I: Geração de Riqueza

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Você sabe como o salário e a qualidade de vida dos trabalhadores aumenta? Qual é a fórmula, por exemplo, dos países com a melhor qualidade de vida do mundo? Você acha que é através de um governo que aprova leis aumentando o salário mínimo e dando mais garantias aos trabalhadores? Eu preciso te dizer que não é assim. Vou explicar resumidamente como funciona. Essa será a primeira de uma série de conhecimentos de economia que obtive lendo (não na faculdade, obviamente, já que não aprendo muita coisa útil lá).

Em primeiro lugar, você precisa ter em mente um fato básico: o estado natural do ser humano é a miséria. Por quê? Porque é preciso fazer algum trabalho para se ter as coisas. Isso não é novidade do mundo globalizado. Um primitivo homem de alguma tribo no interior da África há 4 mil anos precisava forjar sua lança e sair em busca de animais para caçar e terra nova para plantar. Alimento, roupa e objetos não se fazem sozinhos. É preciso produzi-los ou, no mínimo, se dispor a ir atrás deles.

Na medida em que as sociedades crescem, também cresce o número de coisas que precisamos e desejamos. E na medida em que as sociedades crescem, o que estava pronto na natureza passa a não ser mais suficiente para suprir o contingente de pessoas. Isso implica a necessidade de mais trabalho ou de um trabalho mais efetivo em produzir o suficiente para a demanda.

A evolução da sociedade não trará apenas novos tipos de produtos, mas também serviços. Isso porque naturalmente é mais fácil dividir as tarefas para diversas pessoas da sociedade do que cada um fazer tudo sozinho. Em vez de eu fazer minhas próprias roupas, móveis, utensílios e alimento, posso focar apenas em uma coisa e adquirir o restante através do trabalho de outras pessoas. Além do mais, nem todos os lugares são igualmente ricos em tudo (naturalmente falando). Daí se iniciarão as trocas. Eu produzo equipamentos de ferro. Você produz roupas de lã. Eu troco algum utensílio de ferro que você queira por alguma roupa que preciso ou desejo. As sociedades se desenvolverão desta maneira, com pessoas se especializando na produção de algum bem ou serviço e trocando com outras.

Em pouco tempo esse sistema se mostrará problemático por não oferecer um parâmetro único para valorar os produtos e serviços trocados. Quantas túnicas valem um boi? Quantos bois valem um camelo? Quantos camelos valem uma safra de milho? Quantas espigas de milho valem um boi? Confuso. É aí que surge uma das melhores invenções do mundo: o dinheiro.

O dinheiro é um símbolo. Ele em si não vale nada. É apenas um pedaço de metal (hoje em dia, um pedaço de papel). Seu valor está justamente no que ele simboliza: os produtos e serviços. A invenção é genial porque através dela é possível valorar todos os produtos e serviços com um denominador comum. Assim, o valor do boi não será mais medido em mil produtos e serviços diferentes. Será medido em um valor monetário. Isso facilita muito a vida, pois estabelecerá uma relação entre os preços de cada coisa. Por exemplo, eu não sei quantas espigas valem um boi. Mas se fixarmos que um boi vale cem moedas de prata e uma espiga vale uma moeda de prata, então eu sei que vendendo um boi eu compro cem espigas. Vendendo cem espigas, eu compro um boi. Se uma casa custa cem mil moedas de prata, eu sei que isso equivale a mil bois e a cem mil espigas de milho.

Percebe? Com os preços, é possível relacionar tudo. Além do mais, o dinheiro resolve uma limitação da negociação por trocas: no sistema de trocas, se eu quero algo seu, mas só posso trocar por algo que você não quer, que não tem valor para você, então nada feito. Mas com o dinheiro, qualquer troca é possível, já que de posse do meu dinheiro você pode comprar para si algo que eu não tenho para trocar. O dinheiro, portanto, dinamiza todo o sistema de troca de bens e serviços, tornando-o mais fácil, eficiente, justo e expansivo.

Acha que saí do assunto? Não saí. Tem a ver. Eu comecei dizendo que o ser humano é naturalmente miserável. Ele precisa fazer algo (trabalho) para sair dessa condição. Ou seja, ele precisa produzir riqueza. Riqueza não é dinheiro. Riqueza são produtos e serviços. O dinheiro é apenas um símbolo para esses produtos e serviços, um meio para valorá-los sob um denominador comum.

Aqui está o "x" da questão. Se dinheiro é só um símbolo, o aumento do dinheiro na sociedade sem o equivalente aumento de produtos e serviços não fará com que magicamente surjam mais produtos e serviços. Você aumentou o símbolo, não as coisas que o símbolo compra. Em outras palavras, não houve geração de riqueza.

Esse é um erro infantil, no sentido literal do termo. Toda criança pensa que se poderia resolver os problemas do mundo imprimindo mais dinheiro, cunhando mais moedas. Assim, elas pensam, todos poderiam comprar mais. O problema está justamente nisso: do que adianta ter o meio para comprar, mas não ter o próprio objeto disponível para compra?

O aumento de salário mínimo via canetada do governo não tem o poder de gerar riqueza, portanto. Se, por exemplo, pegarmos um país miserável e elevarmos os salários de todos para o que seria equivalente a 3 mil reais no Brasil hoje, o que ocorrerá é que diversas pequenas e medias empresas irão falir, haverão demissões em massa, os produtos e serviços serão vendidos mais caros, muitas pessoas migrarão para o trabalho informal (sem carteira assinada, ou o que o valha), sobrarão algumas poucas empresas grandes que dominarão o mercado consumidor e o mercado de trabalho, haverá menos concorrência entre empresas (pois sobrarão poucas) e o povo perderá muito de seu poder de escolha. Isso sem contar com o fato de que quando você cria dificuldades para empresários, os grandes tentarão comprar facilidades junto ao governo. Tudo isso com uma canetada do governo. Por quê? Porque obrigou-se muitos a pagarem o que não tinham.

O que se pode argumentar aqui é que aumento do salário pelo governo, embora não gere riqueza, corrige distorções. Ou seja, em uma economia em que se está produzindo bastante riqueza, o aumento do salário pelo governo iria impedir que empresas que possuem condição de pagar melhor, pagassem menos.

Este argumento é até plausível. Mas a verdade é que o fator primordial para o salário se elevar não são as canetas do governo. É sim a concorrência. Explico.

Na medida em que o governo não impõe muitas dificuldades ao empreendedorismo, a tendência e o surgimento de mais empresas. Com mais empresas, o trabalhador pouco a pouco ganhará mais opções de lugares para trabalhar, o que não o deixará refém de um emprego que lhe pague muito pouco. Essa maior flexibilidade para o trabalhador acarretará uma disputa, entre as empresas, pelos melhores funcionários. Sabendo que não conseguirão mantê-los pagando pouco, terão que elevar seus salários. Como a economia vai bem, eles poderão fazer isso, pois há riqueza suficiente gerada.

Ao mesmo tempo, o aumento de empresas forçará o preço dos produtos para baixo. Por duas razões: (1) a abundância e (2) a concorrência. Quanto mais fácil é achar algo no mercado, mais barato tende a ser, pois tem aos montes. E quanto mais empresas vendem determinado produto ou serviço, mais cada uma delas procurará não vender a um preço exorbitante e até procurar meios de baratear para ganhar da concorrência (ou, no mínimo, para não perder).

Com os produtos mais baratos, as pessoas poderão comprar mais, ter acesso à mais coisas que precisam e/ou desejam, viver melhor. Poderão, inclusive, buscar especialização e estudo que as tornarão profissionais mais valorizados; ou investir em um negócio, gerando mais empregos. Nos dois casos, ela estará contribuindo para a elevação de salário da sociedade, ou por aumentar o nível de instrução e especialização, ou por abrir mais uma empresa que forçará, por meio de concorrência, as demais a venderem mais barato e pagarem melhor seus funcionários. A concorrência tende a tornar as coisas mais justas, colocando preços e salários nos patamares convenientes à saúde da economia.

O resultado não é o fim da pobreza ou da desigualdade social, mas sim a elevação da qualidade de vida de pobres e ricos. Na verdade, a própria definição de pobre muda. O pobre passa a ter muito mais capacidade de aquisição de bens e serviços do que antes. Torna-se rico em relação ao passado. Os pobres passam a sê-lo apenas em relação aos mais ricos, mas terão a mesma dignidade de vida.

Marx acreditava que esses sistema, ao qual chamava de capitalismo, inevitavelmente formaria monopólios. Na sua visão, o crescimento das grandes empresas inviabilizaria a vida das pequenas e médias, pois elas conseguiriam vender mais barato. E assim as poucas grandes empresas que sobrassem iriam permanecer explorando os trabalhadores.

Há dois erros nesse pensamento. O primeiro é que Marx não previu que o aumento da complexidade social cria necessidades distintas. Por exemplo, um mercadinho pode vender as coisas um pouco mais caras num bairro, mas ser preferência daquele casal de velhinhos que não tem disposição para ir até o centro comercial da cidade. Pode ser preferência daquele indivíduo mais preguiçoso ou que possui menos tempo para se deslocar. O mercadinho pode contar com um produto local bom que não é vendido pelos mercados grandes. Pode haver nesse mercado um confeiteiro que faz bolos muito bons. O mercado pode se especializar em algum produto ou serviço distinto. Algumas pessoas podem preferi-lo por ser mais vazio. O bom atendimento pode ser um diferencial. Os preços podem não ser tão divergentes, não fazendo tanta diferença no final. E o salário dos funcionários (bem como o lucro dos donos) pode ser menor, o que reduz os custos e possibilita produtos mais baratos. Em suma, há muitas nuances. E, de fato, a história comprova que essas nuances fizeram a diferença, já que a concorrência, onde pôde operar, gerou mais empresas e elevou a qualidade de vida da sociedade.

O segundo erro de Marx foi não ter percebido que seu próprio argumento favorecia a ideia de concorrência. Ora, se as grandes empresas ganhariam a concorrência por venderem mais barato, isso é um benefício para o consumidor. Eis, aliás, uma questão curiosa: embora possa, à priori, parecer interessante aos patrões (do ponto de vista mercadológico) pagar os menores salários possíveis, esse tipo de sistema logo se mostra inviável. Afinal, se todos os trabalhadores forem miseráveis, quem comprará os produtos? Assim, a elevação de salários segue seu rumo natural numa economia de mercado, sem poder ser contida em conjunto, sob o risco de reduzir os lucros de todos e ocasionar falências.

Mas voltando à questão da concorrência, como Marx não trabalha com a noção da melhora natural da qualidade de vida das pessoas, não consegue prever que isso possibilita o surgimento de novos ricos e de empreendedores habilidosos. Ou seja, em um sistema de mercado livre (onde o governo não intervirá favorecendo uns é prejudicando outros), quem chega ao topo não está seguro para sempre no topo. A melhora da qualidade de vida da sociedade implica mais concorrência, criando um ciclo positivo.

A história mostrou que estás elucubrações não são apenas teóricas. De fato, esses sistema pós industrial baseado em divisão de tarefas, livre mercado e o bom e velho dinheiro (sistema que chamamos de capitalismo) tirou o ser humano de uma produção ínfima que não mais supria a demanda, para uma produção muito mais abundante. Isso gerou uma redução da miséria, uma elevação do padrão de vida e uma mobilidade social jamais antes vistas no mundo.

Agora, atenção: isso não é um argumento contra a existência de um salário mínimo estipulado pelo governo e garantias legais. É apenas a constatação de que as canetadas do governo não se constituem fator fundamental para a elevação dos salários e da qualidade de vida. Isso não impede a existência de argumentos à favor de determinado grau de intervenção governamental no sentido de coibir abusos. A limitação de horas de trabalho por dia e a garantia de um salário mínimo digno me parecem ideias legítimas. Por outro lado, é preciso entender que no mundo real nem sempre existem soluções plenamente satisfatórias para os problemas. Estipular um salário mínimo também pode implicar menor número de empregados, já que algumas empresas não suportarão o ônus. Para quem está desempregado e nada recebe, poder receber algo, ainda que abaixo do mínimo, seria interessante.

Ficamos então em um impasse: ou melhoramos a vida de quem já está empregado (via canetada do governo) e aumentamos o desemprego, ou reduzimos o desemprego e pioramos a vida dos empregados. Se escolhemos a primeira opção, podemos evitar que empresários maus explorem seus funcionários, mas também atrapalharemos a vida de empresários bons que não possuem condição de pagar muito. Se escolhermos a segunda, fica bem mais fácil conseguir emprego, mas abre-se possibilidade de trabalhos bastante exploradores.

Por outro prisma, também existe a possibilidade de que a redução do número de desempregados e o aumento do número de empresas torne os empregados mais disputados e valorizados, o que tenderá a elevar os preços por meio da pressão da concorrência. O contraponto é que essa elevação pode demorar algum tempo, o que manterá muitas pessoas em situação degradante. Mas há também outra nuance: a situação da maioria das pessoas antes do capitalismo era muito ruim. O capitalismo não tem como mudar tudo de uma hora para a outra.

Ficam as dúvidas: tentamos proibir explorações correndo o risco de atrasar o desenvolvimento e a consequente elevação da qualidade de vida? Ou deixamos a economia o mais livre possível, abrindo riscos de exploração, mas acelerando o processo de enriquecimento de todos? Há um modo de equilibrar as duas coisas? São perguntas difícies. Não há como negar que os primeiros estágios do capitalismo foram bem ruins. Mas não há como negar que os estágios anteriores ao capitalismo também eram igualmente ruins. Tampouco há como negar que os países com melhor qualidade de vida do mundo são os que possuem legislação trabalhista mais frouxa. Em muitos deles nem salário mínimo estipulado pelo governo há, como na Suíça. E então?

Como eu disse: não há solução plenamente satisfatória. Eu, Davi, procuraria uma espécie de equilíbrio. Trazendo a questão para o Brasil, creio que o maior entrave para a economia não é o atual salário mínimo estipulado pelo governo ou os direitos trabalhistas. O maior entrave está sim nos altos impostos e na excessiva burocracia e regulamentação para se abrir e manter negócios. É isso que dificulta a sobrevivência das empresas (sobretudo pequenas e médias), bem como a entrada de novos concorrentes no mercado. É por causa desse excesso de tributação, burocracia e regulamentação que o Brasil se encontra nas posições 118 e 122 nos rankings de liberdade economica (Economic Fredom) e facilidade de fazer negócios (Doing Business). Gerar empregos e riqueza assim é muito complicado.

Outro problema que a intervenção governamental traz é a manutenção de alguns monopólios estatais e a proteção de monopólios e oligopólios privados através de agencias reguladoras. Tais políticas tiram da sociedade a capacidade de gerar mais empresas, empregos, serviços, produtos, qualidade, concorrência. E os consumidores ficam à mercê dessas grandes empresas, com pouca ou nenhuma liberdade de escolha, se sujeitando a preços altos e qualidade péssima.

O governo também, por gastar demais, cria déficits que acabam sendo pagos por nós. E é o governo o grande responsável por criar inflação (algo que será abordado no Conhecimento II), que reduz nosso poder de compra. Ademais, os direitos trabalhistas atrapalham mais pelo modo como foram formulados do que propriamente pela sua existência. Por exemplo, o INSS e o FGTS são descontados obrigatoriamente do trabalhador, indo para o governo. O funcionário deveria ter o direito de escolher ter esse dinheiro descontado ou não, contribuir para a previdência ou não. A previdência, aliás, deveria funcionar de modo individual, onde cada um contribuiria para a sua própria e não para a de outros. Já que todos os direitos do trabalhador são o seu salário compartimentado, ele deveria poder fazer uso dele integralmente.

Atacando esses problemas, a economia se tornará muito saudável, não sendo necessário mexer nos direitos trabalhistas. Estes, por sua vez, se tornarão quase inócuos, já que o que faz a sociedade ficar rica não são as canetadas do governo. Se causarem algum problema, será muito pequeno, sendo logo compensado pelo rápido desenvolvimento do capitalismo. Se ajudarem a evitar abusos (ainda que não constituam o fator primordial para nosso desenvolvimento), saímos no lucro. Em todo o caso, o que fica claro aqui é: o que melhora a vida da sociedade é o capitalismo.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Por que a legalização do aborto é um absurdo moral e jurídico?

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É bastante comum ouvir a seguinte alegação abortista: "É claro que sou contra o aborto. Eu não abortaria. Mas sou à favor é da legalização. É diferente". O argumento implícito aqui é o aborto pode até ser imoral, mas a legalização é apenas uma questão civil e não há imoralidade em ser favorável a ela. Esse argumento é válido? Não, não é e vamos expor isso.

A questão toda, como já mostrei em outra postagem, gira em torno de uma pergunta básica: o que está no interior do útero de uma mulher grávida é uma vida humana ou não? Se é uma vida humana, então aborto é assassinato. Se não é uma vida humana, então não se trata de um assassinato. Quanto a essa questão, não há razão lógica, nem científica para se crer que o embrião, o feto ou o bebê dentro do útero não é uma vida humana. Nem cito aqui a questão teológica, já que vamos falar de legalização e o Estado é laico.

Ora, se há uma vida humana dentro do útero e tirá-la é cometer assassinato (a morte de um inocente), então não podemos legalizar isso. Afinal, estaríamos legalizando um crime. Apelar para o fato de que a criança ainda não nasceu, não se desenvolveu e etc. não muda o fato de que estamos falando de uma vida humana. Na verdade, a questão aqui se agrava, pois se apelarmos para o desenvolvimento incompleto, estamos justificando o assassinato de um ser mais frágil, só porque ele é mais frágil. Então, não, não é correto legalizar.

Geralmente, o que se vai argumentar aqui depois é que a legalização do aborto seria uma questão de saúde pública, já que legalizando ou não, mulheres farão aborto. E é melhor elas fazerem numa clínica legalizada, sem correr risco de morrer. Mas esse argumento é ruim. Ele tenta justificar um assassinato apelando para o bem-estar das assassinas. Do ponto de vista puramente racional e legislativo, isso seria um absurdo. Ademais, com esse pensamento seria possível dizer: "Legalizando ou não o assassinato, o assalto, o roubo, o estupro, esses crimes vão continuar ocorrendo. Então, é melhor legalizar porque aí os criminosos não serão agredidos, nem as vítimas, já que os atos serão legais e elas não poderão reagir". Através dessa analogia, vemos que o argumento não faz sentido e é ridículo.

É claro que há casos mais específicos. Por exemplo, uma mulher pode ter sido violentada, ou a gravidez pode lhe causar risco de morte, ou a criança pode ser comprovadamente anencéfala. Nos dois últimos casos, é justo que a mulher opte pelo aborto. Num caso ela está escolhendo proteger sua vida. Legalmente falando é um direito legítimo. No outro caso, um bebê anencéfalo é um bebê natimorto. Se a pessoa for cristã e crer em milagres, ela pode levar a gravidez adiante, orando a Deus para que o quadro seja revertido. O mesmo no caso do risco de morte. Mas aí é algo que a lei não pode impor. É escolha pessoal.

Quanto ao primeiro caso, o do estupro, não é justo o bebê ser morto porque é fruto de estupro. Por outro lado, também não é justo que a mulher tenha um filho que definitivamente não escolheu ter e que é resultado de abuso. Neste caso delicado, eu, Davi, não tenho opinião formada sobre o que a lei deveria fazer. Do ponto de vista moral e espiritual, o aborto não é uma boa alternativa aqui. A mulher violentada, evidentemente, deve contar com todo o apoio, amor e conforto de sua família, amigos e Igreja, tanto para lidar com o abuso sofrido, quanto para procurar amar a criança, que nada tem a ver com a violência do estuprador. Se optar pelo aborto, penso ser algo compreensível, embora não a decisão mais acertada no âmbito moral e espiritual. Mas legalmente falando eu realmente não sei.

De qualquer forma, a lei brasileira prevê a possibilidade de aborto para esses três casos (estupro, alto risco de morte para a mãe e bebê anencéfalo). Ou seja, as pessoas que lutam por aborto hoje no Brasil (especialmente as feministas), não lutam por aborto para esses casos difíceis. Lutam por aborto para qualquer caso. Isso inclui a desistência de ter um filho, a gravidez indesejada contraída por uma vida promíscua, motivos econômicos, escolha de sexo do bebê, descoberta de algum defeito físico na criança e etc. Isso é terrivelmente imoral. Estamos falando de uma vida. Abortar por essas razões é não só dar aval para que a sociedade mate inocentes, mas para que mate inocentes por razões egoístas e até por eugenia. Colocar isso em lei, portanto, é ferir gravemente a legislação.

Do ponto de vista emocional, é claro que não podemos ser insensíveis. Há casos de mulheres que engravidaram porque o preservativo falhou, ou porque foram ludibriadas por algum homem que agora não quer assumir a criança. Tudo isso é triste e difícil. Mas não muda o fato de que aborto é assassinato. E não muda o fato de que priorizar o aborto, nestes casos, é ser egoísta e punir uma vida inocente. Não é bom para a sociedade ter um ato desse consolidado em lei, pois é imoral, egoísta e criminoso do próprio ponto de vista da legislação vigente. É homicídio. E homicídio é crime.

Assim sendo, ser contra o aborto, mas à favor da legalização (ampla e irrestrita) dá no mesmo. É errado do mesmo jeito. É ser favorável à legalização de um crime, do assassinato de pessoas inocentes e indefesas.

Aborto é assassinato

Um comentário:
Não, a discussão sobre o aborto não é uma questão de saúde pública, ou econômica, ou de escolha individual. A discussão sobre o aborto é uma questão de moral. E a pergunta que deve iniciar e orientar a questão, a única pergunta realmente importante, é a seguinte: o ser que há no útero da mulher grávida é uma vida humana ou não?

Ora, quer olhemos pelo viés científico, quer pelo viés lógico ou pelo viés teológico, não há qualquer razão plausível para considerar que o ser intrauterino não seja uma vida humana. Não, ele não é uma célula da mãe ou uma célula do pai. No momento em que o espermatozoide fecunda o óvulo, temos ali a união de duas células, formando algo novo: um zigoto, que se desenvolverá naturalmente. É um novo ser em formação e não mera parte do pai ou mera parte da mãe.

Não, não se trata de uma potencial vida, mas de uma vida já em formação. Sim, trata-se de um organismo, por mais que ainda dependa de sua hospedeira, a mãe. É um ser humano, claro! Não poderia ser um elefante. Pode não ter autoconsciência, mas quem disse que a humanidade se define pela autoconsciência? Alguém que entra em coma, ou que perde totalmente a memória, continua sendo humano. Um bebê recém-nascido, por mais que não tenha autoconsciência formada é um ser humano.

Alguns procuram, arbitrariamente, definir fases da gravidez para dizer: "A partir daqui é uma vida humana. Antes, não". Que base possui esse tipo de pensamento? O simples fato de que um embrião ou um feto não é um bebê desenvolvido? Isso não faz sentido! Um bebê não é uma criança desenvolvida. Uma criança não é um adulto desenvolvido. Eu deveria dizer que uma criança não é humana porque ainda não é um adulto desenvolvido? Faria sentido dizer que uma menina de oito anos não é humana porque não possui os seios de uma mulher adulta?

É ridículo tal argumento. Estabelecer fases para a gravidez para definir o que é vida é absolutamente arbitrário. Não possui base científica. A vida intrauterina é vida e é vida humana, não importa a fase da gravidez. As etapas do desenvolvimento dessa vida não a fazem mais ou menos humana. São apenas fases.

É interessante refletir sobre essas fases. Desde o início da concepção, o pequeno e rústico organismo novo passa a trabalhar diariamente em seu próprio desenvolvimento. É um trabalho incessante e progressivo. Há mover e crescimento ali. Com 18 dias de vida, o coração do embrião já começa a se formar. Com 21 dias já está batendo. Ou seja, antes de completar o primeiro mês de gestação, já há um coração batendo no útero! Como dizer que não há vida ali?

Além disso, com 30 dias o bebê já possui um cérebro. E com 40 dias já é possível medir ondas cerebrais nele. Com oito semanas, pés e mãos estão quase prontos. E com nove semanas o bebê consegue até chupar o dedo. Todos os órgãos já estão presentes e os sistemas muscular e circular estão completos. Isso tudo em dois meses de gestação! Com dez semanas, isto é, dois meses e meio, o bebê já tem impressões digitais. Como não há vida? Que base há para essa inferência? Nenhuma.

Do ponto de vista teológico (e aqui termina minha reflexão) a vida começa na concepção. Sim, no momento em que o espermatozoide fecunda o óvulo e forma o zigoto. Diz a Bíblia Judaica, que é também o Antigo Testamento cristão:

"Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvarei, pois fui formado de modo tão admirável e maravilhoso! Tuas obras são maravilhosas, tenho plena certeza disso! Meus ossos não te estavam ocultos, quando em segredo fui formado e tecido com esmero nas profundezas da terra. Teus olhos viram a minha substância ainda sem forma, e no teu livro os dias foram escritos, sim, todos os dias que me foram ordenados, quando nem um deles ainda havia" (Salmo 139:13-16).

O próprio Deus diz ao profeta Jeremias, conforme o mesmo registra em seu livro: "Antes que eu te formasse no ventre te conheci, e antes que nascesses te consagrei e te designei como profeta às nações" (Jeremias 1:4-5).

Além dessas, há na Bíblia cerca de quarenta menções à vida intrauterina. Vida! Vida humana! É isso o que existe no interior do útero de uma mulher grávida. Quer olhemos para o aspecto lógico, quer para o científico, quer para o teológico, a resposta é uma só: o nascituro é uma vida humana. Portanto, aborto é assassinato.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Os interessantes projetos do Senador José Reguffe

2 comentários:
Vocês já ouviram falar no Senador José Reguffe? Li sobre esse político pela primeira vez em uma matéria na internet, quando ele ainda era deputado federal. A matéria dizia que ele havia reduzido o número de cargos em seu gabinete de 25 para 9 pessoas, além de abrir mão de vários benefícios. À época, achei magnífica a iniciativa do deputado, mas como ele não é muito falado na mídia e eu também ainda não era tão politizado como hoje, acabei me esquecendo dele.

Pois bem, nesses dias um amigo meu comentou comigo sobre o Ruguffe, hoje senador, e me lembrei dessa matéria que li tempos atrás. O amigo em questão me informou que, além de recusar diversos benefícios oficiais do cargo de senador, votou à favor do impeachment de Dilma Rousseff. Curioso, resolvi curtir a página dele no Facebook e fazer uma pesquisa sobre o mesmo. Os resultados são interessantes.

José Ruguffe é senador pelo Distrito Federal. Já foi filiado ao PDT (ponto negativo). Mas hoje está sem partido (ponto positivo). Alguns de seus Projetos de Lei e Emendas à Constituição são:

- PEC 2/15 - proíbe a tributação sobre remédios de uso humano
- PEC 3/15 - proíbe que parlamentares possam se reeleger mais do que uma única vez
- PEC 4/15 - fim da reeleição para cargos executivos
- PEC 5/15 - decreta a perda de mandato para pessoas que se elegerem parlamentares e forem ocupar cargos no executivo, como ministérios ou secretarias
- PEC 6/15 - permite que as pessoas possam ser candidatas sem filiação partidária
- PEC 8/15 - institui a revogabilidade de mandatos, perdendo o mandato os eleitos que contrariarem frontalmente o que colocaram como compromissos de campanha (os candidatos a todos os cargos eletivos passam a ter que registrar suas propostas e compromissos na justiça eleitoral)
- PEC 9/15 - institui o voto distrital
- PEC 10/15 - institui o voto facultativo no Brasil, com o fim do voto obrigatório
- PEC 52/15 - institui concurso público para escolha de ministros do STF, STJ e TCU, com mandato de cinco anos
- PLS 247/15 - obriga os governos a publicarem na internet os seus gastos pormenorizados e por valor unitário (aumentando a transparência e facilitando a fiscalização dos cidadãos)
- PLS 251/15 - reduz o número de deputados federais de 513 para 300
- PLS 261/15 - proíbe o BNDES de financiar projetos no exterior
- PLS 715/15 - permite que se utilize o FGTS para a educação e qualificação profissional do trabalhador ou familiar
- PRS 6/15 - reduz os gastos dos gabinetes dos senadores para menos da metade que é hoje
- PRS 47/15 - acaba com a verba indenizatória dos senadores

Como senador, Reguffe ainda abriu mão do 14° e 15° salários, do plano de saúde especial (que é vitalício para senadores), da previdência especial (optando por continuar contribuindo ao INSS), do caro oficial e reduziu sua verba de gabinete e o número de cargos de 55 para 12.

As informações expostas aqui podem ser acessadas no site oficial do Senado.

Clique aqui para ouvir um dos pronunciamentos que Reguffe fez sobre o impeachment, quando no processo para votar a admissibilidade do mesmo.

Projeções sobre o fim

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Como Adventistas do Sétimo Dia, nós cremos que em dado momento da história os governos do mundo adotarão uma agenda em comum. Ela trará como tema principal a necessidade de união dos povos em prol da paz mundial, da proteção ao meio ambiente e da tolerância religiosa. As linhas de ação propostas pela agenda procurarão, evidentemente, dar mais poder de ação aos governos para alcançar os objetivos já elencados. Dentre as ações que serão incentivadas nós cremos que a mais importante, e a que será aceita prontamente por todas as nações, será a imposição do domingo como dia mundial de descanso. A quem isso interessaria? À quase todos, da esquerda e da direita, secularistas e religiosos, ortodoxos e sincretistas, laicos e teocráticos.  

Aos da esquerda trabalhista seria mais um direito assegurado ao trabalhador, que poderia gozar do domingo com sua família. Aos da esquerda marxista seria um golpe no capitalismo e nos grandes empresários, que precisariam cessar suas atividades nesse dia. Aos da esquerda ambientalista, seria um dia semanal de descanso para o planeta, um dia livre de poluição e produção de elementos tóxicos para o meio ambiente. Aos da direita religiosa, católicos e protestantes, seria a chance de conclamar suas igrejas à guardarem novamente o "dia do Senhor", prática que se perdeu no último século. Para sincretistas, seria um dia de guarda em comum à todos os credos e, portanto, um ótimo símbolo de união das religiões. Para ortodoxos, seria um passo importante para restaurar a espiritualidade do ser humano. Para os laicos, seria mais uma folga (o que é sempre bom). Para os teocráticos, seria um grande movimento na direção de uma teocracia. E para quase todas as pessoas seria um dia para se valorizar a família e os laços afetivos. Até para grandes empresários não seria tõ ruim, pois grandes empresários geralmente se associam à governos interventores corruptos, o que lhes garante maiores lucros.

A quem seria ruim essa imposição? A dois grupos: (1) o dos céticos em relação ao Estado (o que inclui liberais em economia, que não concordam que o Estado tenha todo esse poder e grau de intervenção na economia); e (2) os sabatistas, em especial, os Adventistas do Sétimo Dia. Para nós, adventistas, tal imposição estal seria terrível, pois não guardamos o domingo, mas o sábado. Este é o dia que Deus santificou (Gn 2:1-3). Este é o dia que consta nos dez mandamentos (Êxodo 20:8-11), não o domingo. Evidentemente, a simples imposição do domingo como dia de folga não nos afeta em nada. O problema é o que decorre juntamente com essa imposição e/ou após ela. Cenários como o fim de empregos que folgam no sábado por determinação do próprio governo (por alguma questão econômica, por exemplo) são bastante possíveis. E, de fato, para além do governo, tem sido cada vez mais difícil encontrar empregos que não exijam o trabalho aos sábados. Com a folga obrigatória no domingo desaparece até mesmo a possibilidade de adventistas negociarem esse dia.

Mas o problema não acaba aí. A Bíblia indica que não será o ateísmo que dominará os governos do mundo e perseguirá os cristãos, mas sim uma filosofia religiosa, de caráter sincrético, que mistura erros à verdades. Nada que não se possa deduzir do que vemos. O ateísmo, conquanto tenha dominado centros acadêmicos, laboratórios de ciência e governos, não chegou nem perto de destruir a religião no mundo. A maioria esmagadora do mundo possui alguma religião e mais da metade do mundo é monoteísta. A explicação é simples: o homem é um ser essencialmente religioso. Tanto os governos humanos, quanto o próprio Satanás, já perceberam que tentar extirpar a religião do mundo é inútil. E o diabo, soberbo que é, não deseja retirar do mundo a fé nas coisas sobrenaturais, pois seu intento ainda é ser adorado.

O ateísmo, na verdade, teve maior serventia para disseminar outra filosofia, bem mais destrutiva: o secularismo. Através do secularismo Satanás conseguiu enfraquecer valores dentro das próprias religiões, em especial, o cristianismo. Com o secularismo e o sincretismo, o Diabo tem a possibilidade de fazer as pessoas não se prenderem à Palavra de Deus, mas aceitarem as crenças mais heréticas e contraditórias, bem como viverem em uma série de pecados, julgando-se ainda assim cristãs e corretas. E é esse o tipo ideal de pessoa para aceitar qualquer ideia de união povos, ideologias e credos em prol da paz, do salvação do planeta e de uma suposta tolerância.

Daí emerge um cristianismo falso, repleto de cristãos que não se diferenciam em nada dos não-cristãos, mas que permanecem se julgando seguidores de Cristo e clamam por união. Daí emerge até uma teologia e (por quê não?) uma escatologia. Não mais se espera pelo retorno de Jesus para redimir a Terra, mas pela união dos povos para que o mundo seja preparado para a vinda de Cristo. Passamos a ter parte na construção desse novo mundo. Essa é a obra prima de Satanás. Tudo o que essas pessoas absortas nessa teologia humanista precisam é de um líder religioso importante que utilize a mesma retórica de união, a fim de inflamar os corações e trazer de volta a espiritualidade (um tanto deturpada, é verdade) e líderes políticos influentes que coloquem a ideia para frente. Percebe o enredo? Ao promover o encontro entre secularismo e sincretismo (duas ideias aparenemente antagônicas), Satanás consegue secularizar os religiosos e espiritualizar as ideias seculares, criando uma teologia que agrada à todos, cristãos e não cristãos, esquerdistas e direitistas. Para os líderes humanos mais estratégicos e influentes, aproveitar-se dessa nova teologia é imprescindível. Quem chegar primeiro consegue reunir o mundo e controlar toda a massa.

Eis o pulo do gato: se temos uma nova teologia, uma massa pronta para aceitá-la, uma agenda em comum à todos os governos e uma proposta mundial de dia de descanso capaz de agradar à quase todos os grupos, isso quer dizer que quem não concordar com a agenda e, sobretudo, com o dia de guarda, será considerado o novo herege mundial. Ora, esse certamente será o rótulo dos adventistas. Não é difícil deduzir o que vem depois. Secularistas nos considerarão o remanecente do fundamentalismo, uma pedra no sapato do progressismo. E todos os religiosos, sobretudo os cristãos, nos verão como o grupo que atrapalha a construção do novo mundo pelo homem, no Reino de Deus na terra, o qual será entendido por muitos como aquilo que falta para Cristo voltar à terra.

Democracia é "50% + 1". Basta que a maioria mínima da população abrace essa nova teologia (e a maioria mínima de seus representantes políticos também) e logo haverá pressão para que esses "heréticos e fundamentalistas" da Igreja Adventista do Sétimo Dia encontrem cada vez mais limitações por parte do Estado. E a pressão será aceita fácil porque será interesse dos mais variados grupos. Até quem não concordar com essas limitações, acabará cedendo à pressão. Ou seja, a imposição do domingo como dia de guarda não virá sozinha. 

Na medida em que os problemas do mundo continuarem e até aumentarem (por conta dos juízos de Deus - ver Apocalipse 15 e 16), a antipatia pelos adventistas também aumentará. Ao mesmo tempo, cremos, mais e mais pessoas sairão de suas igrejas e religiões originais observando que elas estão a seguir uma teologia satânica. Estas pessoas se unirão aos adventistas na intenção de seguirem fielmente os desígnios de Deus. O ápice da antipatia aos adventistas será quando Satanás elaborar o seu "grande engano". Uma profecia de Ellen White prevê que Satanás aparecerá transfigurado de Cristo à diversas pessoas, simulando seu retorno. Suas ordens serão claras: há um grupo que está impossibilitando a paz no mundo. É o grupo que não guarda o "dia do Senhor" (WHITE, Elen G. "O Grande Conflito", p. 624). Aqui a nova teologia será consolidada. O mundo inteiro aceitará que a paz mundial e o estabelecimento do Reino de Deus depende do exetermínio desse grupo herético. Não haverá mais dúvidas. A perseguição tomará forma aqui.

Em uma próxima postagem farei uma análise bíblica ampla sobre a identidade da primeira e da segunda besta apresentadas em Apocalipse, e demonstrarei de maneira mais detalhada como nós, adventistas, chegamos às projeções expostas nessa postagem. Mas antes indico a leitura de outros três textos para entender melhor o panorama aqui descrito. Eles irão clarear algumas questões referentes à marca da besta e a imposição do domingo como dia de guarda. Aos poucos vamos montando o quebra-cabeça. Os textos se seguem abaixo:

O intervencionismo estatal e a perseguição final dos cristãos

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Sobre a chamada "segunda besta", Apocalipse 13:16-17 afirma: "A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhes seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome".

Esse texto deixa claro uma coisa: o governo representado pela figura da segunda besta será extremamente intervencionista na economia. Não é uma questão de opinião. Perceba bem: o governo que está sendo descrito aqui tem poder para proibir que pessoas comprem ou vendam. É uma imposição governamental na vida econômica de todos os indivíduos, sob força de lei. Aqueles que não aceitarem agir segundo suas regras (os cristãos verdadeiros, no caso), serão proibidos de comprar e vender.

Se você não percebeu o tamanho dessa intervenção econômica, eu vou tornar as coisas mais claras. O governo terá poder para fechar as empresas dos cristãos verdadeiros, tomar suas casas, proibir a abertura de negócios por eles, expropriar suas fazendas, impor que empresas para as quais trabalham os demitam, congelar suas poupanças, proibir que recebam doações, fechar suas igrejas, fechar suas instituições de caridade e proibir a circulação de moedas nas suas mãos. É uma baita intervenção econômica!

O que Friedrich Hayek explicou magistralmente em "O Caminho da Servidão" (1944) já era previsto na Bíblia: o dirigismo estatal leva ao totalitarismo, à ditadura e à repressão.

Em tempo: isso não significa que a besta será um governo marxista. O marxismo é estatista e intervencionista, mas não é o único sistema a sê-lo. A verdade é que o intervencionismo estatal é uma característica comum à todos os regimes e ideologias expansionistas, que pretendem impor ao mundo inteiro a sua cosmovisão - sempre com a justificativa de que é para o bem comum.

Chegará um dia em que as mais distintas (e até opostas) ideologias concordarão que no interior do cristianismo há um grupo pequeno de cristãos que permanece fiel à Bíblia. Serão taxados de fundamentalistas até pelos próprios cristãos ao redor. Serão vistos como a pedra no sapato do mundo. Serão entendidos como aqueles que impedem a união mundial das religiões, crenças e ideologias em prol de um mundo melhor. Então, ninguém hesitará em clamar pelo mais forte e intenso intervencionismo estatal, a fim de que todos os governos invistam contra esses cristãos inconvenientes.

O Caminho da Servidão está sendo pavimentado. Em breve será também o Caminho da Perseguição.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Guia Prático para a Esquerda alcançar o Poder Totalitário

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Você é marxista, mas está frustrado porque precisa fingir ser democrático? Está irritado e triste porque não vê mais maneira de instaurar a ditadura do proletariado? Percebeu que seu sonho de ver conservadores e burgueses um dia fuzilados está indo por água abaixo? Seus problemas acabaram!!! Aqui vai o "Guia Prático para a Esquerda alcançar o poder totalitário". São 30 passos para você colocar seu partido no poder e instalar uma ditadura sem ser taxado de ditador e golpista. Vamos acompanhar.

(1) Encha as faculdades de professores marxistas e os instrua a enfiar ideias de esquerda no meio de suas aulas, mesmo que não tenha nada a ver. Com isso, as faculdades formarão militantes esquerdistas. Eles virarão advogados, juízes, jornalistas, sociólogos, psicólogos, filósofos, cineastas e artistas de esquerda, e começarão a ocupar outros lugares importantes, tornando-se influentes na sociedade. No meio de todos esses, a faculdade também estará formando professores! Esses professores continuarão o ciclo de doutrinação de alunos, muitos agora sem nem perceberem. Em pouco tempo, tanto nas faculdades, quanto nas escolas, os professores serão majoritariamente de esquerda.

(2) Modere seu discurso e procure apoio de grandes empresas e de algum grande partido. "Ah, mas eu estarei mentindo...". Dane-se! Você não quer o poder totalitário? Vale tudo! Tudo pela revolução. Os fins justificam os meios. O partido é o novo Príncipe, de Maquiavel. Com apoio de um grande partido e grandes empresas, seu partido terá dinheiro para fazer campanha e votos. Ficará fácil ganhar a eleição. E lembre-se: você encheu faculdades de marxista. Os intelectuais formados ali e espalhados em vários lugares de influência te darão apoio e farão você ter uma boa imagem para a sociedade.

(3) Chegou ao poder? Trate de agradar os empresários e o partido que te ajudaram a chegar lá. É sua parte no acordo e você precisa gerar confiança. Mas não se acomode. Há um totalitarismo à conquistar.

(4) Para não parecer elitista e também para conseguir a confiança do povo, invista em programas sociais. Se já existem, renomeie cada um deles, injete mais grana e diga que foi seu partido que os criou. Não se preocupe com questões supérfluas como: "De onde tirarei o dinheiro?". Se a economia estiver boa, dá para engordar esses programas por um bom tempo. Se não estiver boa, aumente impostos, mande imprimir mais dinheiro, pegue empréstimos com bancos privados, pedale com os bancos públicos, enfim... Há muitas maneiras de se conseguir dinheiro. Não se preocupe se todas essas maneiras vão destruir a nação, causando inflação, quebradeira nas empresas, desemprego e etc. O importante é ter o dinheiro para manter os programas sociais. Isso garante voto e será usado pelos intelectuais que você criou para defender o partido. O que ocorrer de ruim com a economia por sua culpa, você transfere a culpa para o governo anterior, ou para o sistema capitalista, ou para alguma crise global. As crises são suas amigas, não se esqueça.

(5) Mantenha altos os impostos, as burocracias e as regulamentações por parte do governo. Quanto mais você puder asfixiar o setor privado, melhor. Onde você puder colocar a mão do Estado, coloque. É claro que nesse cenário só as empresas grandes sobreviverão. Não há problema. São essas empresas grandes que você vai procurar agradar por um tempo para conseguir apoio. Concomitantemente, são elas que os intelectuais à favor do partido vão culpar por todas as desgraças do país, como se o governo não tivesse qualquer participação. Dificultar a livre concorrência com altos impostos, burocracias e regulamentações é perfeito para impedir o desenvolvimento pleno do capitalismo e, ao mesmo tempo, culpar o próprio capitalismo, fortalecendo o discurso de que o governo precisa intervir ainda mais na economia. Cria-se aqui um ciclo. Quanto mais você intervir, mais problemas causará. E quanto mais problemas causar, mais poderá culpar o capitalismo e vender a ideia de que precisa intervir mais. Mantenha esse ciclo vivo sempre e o caminho do totalitarismo será inevitável.

(6) Não tenha escrúpulos se precisar agraciar algumas grandes empresas "amigas" do governo com empréstimos à baixos juros, isenções fiscais, licitações fraudadas e obras superfaturadas. Lembre-se que em todas essas manobras o seu partido sairá ganhando, pois terá mais dinheiro e apoio.

(7) Utilize as empresas estatais para desviar verbas, distribuir cargos dos altos escalões para pessoas de confiança do partido, lotar os baixos escalões de militantes, sugar mais dinheiro de impostos do povo e consolidar a cultura do "meu sonho é passar num concurso para ser funcionário público". Tudo isso é muito importante. Com o aparelhamento das empresas estatais ao partido é possível criar os mais diversos esquemas de desvio de verbas, o que facilitará o financiamento das eleições do partido e a expansão de suas atividades legais e ilegais. Lembre-se: dinheiro é muito importante. Sem ele, o partido não poderá comprar o povo pobre, nem empresários, nem parlamentares, nem artistas, nem ninguém.

(8) Compre parlamentares sempre que necessário. Se uma lei importante precisa ser aprovada e tem gente indecisa no plenário, compre. Não hesite. Há um monte de políticos oportunistas só esperando quem irá pagá-los mais. Você pode pagar com dinheiros ou outros benefícios. Veja o que será melhor conveniente em cada caso. O importante é conseguir o voto dele e aprovar as leis que você precisa para chegar ao totalitarismo.

(9) Escolha bem os juizes da Suprema Corte do país, bem como os ministros e mais quem comporá cada órgão. Os escolhidos devem ser pessoas leais à cleptocracia do partido. São eles que darão status legal à tudo o que o partido quiser fazer. Os juízes, no entanto, devem fazê-lo de modo a não comprometer a imagem de imparciais. Deve-se lembrar ainda que nem sempre o partido poderá ser salvo por esses juízes, ou porque ficaria muito na pinta em determinadas circunstâncias, ou porque a pressão popular seria grande, ou porque a Corte ainda não está tomada inteiramente por juízes do sistema, o que impede uma maior liberdade. Por isso, é preciso cautela. 

(10) Financie projetos de artistas, sobretudo se forem de esquerda. Isso colocará boa parte da classe artística à favor do governo. E o seu exército de intelectuais de esquerda (já produzidos pela faculdade) farão a sociedade achar que não se trata de uma moeda de troca, mas de "incentivo à cultura e à arte", o que soa muito importante. Coloque na cabeça das pessoas o mito de que a cultura e a arte não sobrevivem sozinhas se não tiverem incentivo do governo, que o Estado é essencial para que haja vida cultural no país, que quem se opõem a esses incentivos está querendo destruir a cultura, a arte e os artistas. Não negligencie esse ponto. O apoio dos artistas é essencial para ganhar as massas e fazer circular projetos de orientação esquerdista, sejam filmes, peças, séries, seriados, telenovelas, livros, músicas ou o que for.

(11) Crie uma forte campanha para desarmar a população, utilizando um discurso de que a violência no país se dá porque o povo tem acesso às armas. Desarmar a população é essencial para alcançar o poder totalitário no futuro sem grandes problemas. Uma população armada poderia se revoltar contra o governo e gerar uma luta sangrenta contra a ditadura. Não seria algo interessante para o partido. Então, armas só nas mãos da polícia, ok? Se não for possível desarmar por completo, crie o máximo de dificuldade possível. Não se preocupe com o fato de que os bandidos continuarão armados. Os bandidos não te causarão problemas. Eles estão pouco se lixando para política. A intenção é desarmar a população honesta mesmo.

(12) Só a polícia tem acesso às armas? Ótimo. O próximo passo é centralizar as polícias nas mãos do poder federal. Do que adianta, por exemplo, tirar as armas do povo, mas ter polícias independentes em cada Estado-Membro da União? Totalitarismo é o oposto a isso. Significa poder total nas mãos do Estado. Essa independência militar dos diferentes estados e regiões que compõem uma nação não pode existir. Isso tornaria muito difícil a tomada de decisões autoritárias por parte do governo federal. Crie um discurso de unificação das polícias e da criação de uma grande força nacional. A ideia vai colar bem se você defender isso alegando desejar uma maior organização e humanização da polícia. Se conseguir esse feito, toda a polícia do país estará nas mãos do partido. 

(13) Fomente a indisciplina e a falta de limites no ensino básico e fundamental. Crianças e adolescentes precisam crescer sem limites, abusados, inconsequentes. Qualquer disciplina deve ser gradualmente considerada opressora. Os intelectuais de esquerda formados pelas faculdades ajudarão nisso, no âmbito da cultura. A ideia é que os estudantes sejam insubmissos à autoridade, amantes dos prazeres e pouco inteligentes. Isso os fará uma boa massa de manobra e enfraquecerá o conservadorismo. Os que escaparem ao emburrecimento, poderão ser doutrinados por professores marxistas ainda no ensino fundamental e/ou na faculdade. 

(14) Crie projetos de lei para incluir educação sexual no curriculo escolar de crianças e adolescentes. Essa é uma das táticas importantes para enfraquecer o conservadorismo, o cristianismo, a moral judaico-cristã e a família tradicional - historicamente pedras no sapato do socialismo. Quanto mais devassos você conseguir transformar os jovens, menos resistência haverá na sociedade aos projetos do seu partido. Por esta causa, explore a imagem de o socialismo e o seu partido serem à favor da liberdade sexual.

(15) Espalhe, através de seu exército de intelectuais, a devassidão pela cultura. E faça o que for possível para fortalecer isso. Usar recursos públicos para esse tipo de coisa é belo e moral (para a causa do partido, claro).

(16) Fomente conflitos e problemas que possam ser usados para culpar o capitalismo, o conservadorismo, o cristianismo e os valores judaico-cristãos. A criminalidade, o racismo, a homofobia, a intolerância, enfim, tudo isso pode ser fomentado e depois colocado na conta da direita, do "neoliberalismo", da religião cristã e etc. Você pode e deve criar um caos na sociedade. O seu exército de intelectuais vai criar uma teia de explicações que culpará seus inimigos. 

(17) Para garantir as eleições (caso a doutrinação da população demore ainda algumas décadas e os problemas econômicos coloque o povo insatisfeito com o governo), procure manter um sistema de urnas eletrônicas que possam ser facilmente fraudáveis. É óbvio que não será possível fraudar todas, mas sempre é possível fraudar algumas. Isso poderá ser muito útil.

(18) Crie projetos de lei que pretendam regular a mídia e a internet. Para esses proejtos fugirem ao rótulo de "censura", use o termo "democratização". Diga que a intenção dessas leis é impedir abusos de grandes grupos de comunicação e o ódio de indivíduos "fundamentalistas". É claro que a intenção real é fazer uma censura velada à opiniões, comentários, análises e notícias que possam ser muito prejudiciais ao governo.

(19) Financie com dinheiro público blogs, sites e revistas impressas que sejam favoráveis ao governo. Não hesite. Meta a mão na grana e gaste muito nisso, pois esses meios servirão de propaganda para o partido, mas com status e aparência de veículos sérios de informação. Encha a internet desse tipo de jornalismo. 

(20) Não foque apenas nos meios de comunicação favoráveis ao governo. Uma forma de amenizar as críticas de meios de comunicação adversários é enchê-los de publicidade estatal. Seus proprietários, acionistas e mesmo editores-chefes tenderão a não pegar muito pesado. Mas se o dinheiro estatal não impedir muito as críticas, você ainda tem uma carta na manga: tirar o dinheiro. A redução de publicidade fará os meios de comunicação perceberem que o governo não gostou da postura, o que os impulsionará a pegarem mais leve. Relembro: dinheiro é muito importante.

(21) Aumente o número de cargos comissionados e pessoal de gabinete com militantes do partido. Dobre ou até triplique o número se for possível. Quanto mais inchado de militantes o Estado tiver, melhor. Isso dará substância e verba ao partido, servirá de moeda de troca e agradará os amigos.

(22) Depois de ter se esbaldado com dinheiro de empresários e eleito uma enorme bancada de parlamentares, se coloque favorável a uma lei que vete doação de empresas à campanhas. A ideia é aumentar o fundo público partidário. O maior beneficiário será seu partido, que já possui ampla bancada e receberá mais. Os partidos menores terão menos e sem poder contar com dinheiro de empresas, terão dificuldade de eleger parlamentares.

(23) Crie e mantenha financeiramente organizações que apoiam a esquerda, ou cooptar organizações já existentes para a esquerda, sejam elas ONGs, sindicatos trabalhistas, união geral de estudantes, movimentos feministas, movimentos LGBT e etc. A ideia é alimentar essas organizações, fazê-los aceitar a agenda do seu partido e criar uma rede fiel de organizações que aparentam lutar pelos interesses das minorias. 

(24) Apoie tudo o que possa ir contra a moral judaico-cristã, o capitalismo, o conservadorismo, a família tradicional, o cristianismo ou os EUA. Pode ser ditaduras islâmicas, ditaduras comunistas, narcotraficantes, terroristas, multiculturalismo, relativismo moral, relativismo da verdade, vandalismo pró-socialismo, aborto, promiscuidade, sexualização de crianças e adolescentes, casamento gay, casamento poliamoroso, pedofilia, zoofilia, enfim, tudo. Não importa o quão contraditórias todas essas coisas juntas possam ser. 

(25) Invista no politicamente correto e no policiamento ideológico. Tudo o que for ruim para o partido, chame de retrógrado, fundamentalista, intolerante, preconceituoso, discriminador, fascista, machista, desumano e etc. Policie a linguagem das pessoas, crie proibições sobre alguns termos e imponha os próprios chavões do partido e da esquerda. Sobretudo, mantenha-se senhor das definições e dos rótulos, a fim de que você ganhe as discussões na base dos termos e não dos conteúdos.

(26) Invista nas faculdades. Não no sentido de tornar o ensino melhor. Até porque, para isso, seria necessário investir primeiro nos ensinos básico, fundamental e médio. Invista nas faculdades no sentido de aumentar a oferta de vagas e facilitar a entrada de pessoas lá. As faculdades são grandes centros de doutrinação. Quanto mais universitário tiver, melhor. Vão sair todos militantes ou, no mínimo, simpatizantes do partido.

(27) Enfie um monte de livros enviesados na grade curricular das escolas e colégios. Quanto mais livros contiverem uma visão favorável à esquerda e ao marxismo, e antipática ao capitalismo, aos EUA e ao conservadorismo, melhor. O sistema de educação deve estar todo enviesado. Ele deve se tornar uma máquina de emburrecimento e doutrinação. Quem escapar do emburrecimento puro e simples, não escapará à doutrinação. Só há duas metas que a educação deve ter: criar massa burra de manobra e criar intelectuais militantes.

(28) Infiltre marxismo no interior das religiões, mas principalmente do cristianismo. Crie vertentes teológicas dentro do cristianismo que sirvam de braços para a esquerda, que possam influenciar e cooptar cristãos sem que eles precisem sair de suas religiões. A ideia é alcançar aqueles que não desejam se tornar ateus ou deixar crer em Cristo. Desde que o cristianismo deles esteja repleto de marxismo, secularismo e sincretismo, não há problema nisso. É até melhor, pois eles poderão influenciar cristãos dentro de suas igrejas com um discurso de que marxismo e cristianismo não se excluem, ao contrário, se complementam.

(29) Não permitam que associem a imagem do partido e da esquerda ao ateísmo. Embora o marxismo ortodoxo seja ateísta, a história deixou claro que tentar extirpar a religião do povo não dá certo. Então, a ideia é apresentar o partido e a esquerda como favoráveis à tolerância religiosa. É claro que essa tolerância não inclui o cristianismo verdadeiro. Mas isso não precisa ser dito. Para tanto, procure, através do exército de intelectuais de esquerda, incentivar o conhecimento e a tolerância às religiões africanas e tribais, ao budismo, ao hinduismo, às variadas formas de exoterismo e etc. Aos mais céticos, aí sim, sirva ateísmo (de preferência, ateísmo militante - neoateísmo). E aos cristãos que não vão deixar o cristianismo de forma alguma, sirva, como já dito, formas marxistas de cristianismo. Assim resolvemos o problema das religiões.

(30) Legal. Você chegou até aqui. Ocupou faculdades e escolas; doutrinou alunos; fomentou rebeldia e burrice; formou militantes esquerdistas e espalhou-os pela sociedade; subiu ao poder com apoio e financiamento de empresários; aparelhou as estatais; comprou o povo com populismo; comprou empresários com esquemas de corrupção; comprou parlamentares; comprou artistas; comprou parte da mídia; invadiu as religiões; fortaleceu conflitos, dividindo a sociedade; criou censura velada; desarmou a população; centralizou as polícias; garantiu um sistema eleitoral manipulável; expandiu a intervenção do Estado; colocou a culpa de todo o mal em seus inimigos. Neste ponto, você está pronto para dar o golpe final e instaurar o totalitarismo pleno. O Estado e a sociedade estão nas suas mãos. Abrir-se-ão três opções:

A) Você pode começar a se voltar contra os empresários que te ajudaram. Eles não são coitados, claro. Eles te ajudaram para obter benefícios e iriam te descartar no momento em que as crises causadas pelo seu partido começassem a afetá-los. Como um bom político estrategista, você os larga antes de eles te largarem. Iniciará um discurso firme contra o capitalismo e usará seus poderes despóticos para expropriar as empresas e bens deles;

B) Você pode resolver parar onde chegou, percebendo que estatizar tudo não dará certo e que é possível engambelar os seus amigos empresários (ou engambelar o povo), mantendo um poder totalitário de caráter corporativista. Aqui o populismo continua e o sistema permanecerá até que abe o dinheiro da população;

C) Você pode perceber que estatizar tudo não dará certo, que as crises causadas pelo seu governo irão destruir a nação e te tirar do poder, e que, portanto, é melhor fazer algumas reformas pontuais, liberalizando um pouco o mercado para que o país respire, mas sem tirar muito a mão do Estado, mantendo um corporativismo mais ameno.

Se escolher as opções (B) ou (C) você não deixa de ser esquerdista. Não se preocupe. Às vezes temos uma meta e depois descobrimos que ela não é possível ou viável. Acontece. Não se ache um farsante. 

Mas talvez você tenha seguido todos esses passos desde o início por puro interesse em poder. Ou ainda: talvez você tenha inciado a trajetória realmente querendo mudar o mundo para melhor, mas acabou mudando de ideia no caminho, percebendo que ter poder é um bem em si mesmo e que você gostou do sistema incompleto que criou. Neste caso, também não precisa se preocupar. Lembre-se que nesse processo todo você abriu mão da moral, colocou-se acima do bem e do mal. Sendo assim, não há do que culpar. Você é tão inescrupuloso quanto qualquer político oportunista. Já que Deus não existe (segundo a ótica marxista), nem a moral, nem nada, aproveite a vida. Mantenha o poder, compre tudo do bom e do melhor e, quando precisar aliviar a consciência (essa coisa chata que insiste em nos atormentar), lembre a ela que você ajudou muitas famílias com populismo. E minta descaradamente para si mesmo. Não é difícil. Você mentiu a vida inteira para todos. Poderá mentir para você mesmo sem maiores dificuldades.